A implementação do programa CNH do Brasil, novo modelo nacional de habilitação em vigor desde dezembro de 2025, trouxe mudanças importantes no processo de obtenção das categorias C, D e E.
A iniciativa prevê cursos teóricos online gratuitos, redução da carga horária prática e possibilidade de atuação de instrutores autônomos, o que pode reduzir significativamente o custo da habilitação e ampliar o acesso de novos profissionais ao Transporte Rodoviário de Cargas (TRC).
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (SETCEPAR), Silvio Kasnodzei, a medida representa um avanço relevante, mas exige atenção do setor.
“A CNH do Brasil é um passo importante para facilitar o acesso às categorias profissionais e ajudar a enfrentar a escassez de motoristas. No entanto, esse movimento precisa vir acompanhado de capacitação adequada, para que o aumento no número de habilitados não comprometa a segurança nas estradas e a qualidade das operações”, afirma.
A falta de motoristas qualificados é um dos principais gargalos do Transporte Rodoviário de Cargas em todo o país. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), divulgados em 2025 com base no fechamento mais recente, mostram que menos de 10% dos vínculos formais de motoristas de caminhão no Brasil são ocupados por profissionais com até 29 anos, evidenciando a dificuldade de renovação da mão de obra no setor.
Com a CNH do Brasil, o número de motoristas habilitados tende a crescer, o que reforça a necessidade de treinamento adequado para a atuação no Transporte Rodoviário de Cargas.
Segundo o instrutor técnico do SETCEPAR, Cláudio Ferreira, a capacitação complementar é um fator decisivo para a efetividade da iniciativa no setor.
“É fundamental que as empresas recebam esses motoristas recém-habilitados e ofereçam treinamentos que reflitam a realidade do Transporte Rodoviário de Cargas. Sem essa preparação prática e técnica, há risco de aumento de sinistros, impacto nas operações e até elevação do custo das apólices de seguro”, explica.
Kasnodzei reforça o papel da entidade nesse processo.
“O governo está correto em ampliar o acesso à habilitação, mas o setor também precisa assumir sua responsabilidade. O SETCEPAR está à disposição para contribuir com capacitação técnica, formação complementar e ações de conscientização, fortalecendo a segurança, a profissionalização e a sustentabilidade do Transporte Rodoviário de Cargas”, conclui.