A construção de ecossistemas locais de inovação tem avançado no Paraná a partir da articulação entre poder público, setor privado, universidades e empreendedores. Em São José dos Pinhais, esse movimento vem ganhando densidade com a consolidação de iniciativas voltadas à aceleração de startups, à promoção da cultura de inovação e à criação de conexões entre diferentes atores do território.
O HangarSJP surge nesse contexto como um ambiente de governança do ecossistema de inovação do município, reunindo entidades de diferentes perfis e promovendo programas, eventos e ações de apoio a negócios inovadores. Entre essas iniciativas estão jornadas de aceleração, encontros de networking e atividades formativas realizadas em parceria com o Sebrae e a administração municipal.
O cenário local também é favorecido por avanços em transformação digital no setor público e por investimentos industriais relevantes na cidade, fatores que contribuem para a criação de um ambiente mais propício ao desenvolvimento de soluções inovadoras, especialmente em áreas como indústria, logística, agronegócio e serviços.
Neste Economia PR Drops, Christian Frederico da Cunha Bundt, membro da governança do Ecossistema de Inovação HangarSJP, fala sobre os impactos do Hangar no município, os aprendizados da articulação entre os atores, as tendências para as startups da região e os próximos passos do ecossistema. Confira:
Como você resume o impacto do Hangar SJP no ecossistema de inovação de São José dos Pinhais desde o lançamento?
Christian: O ecossistema hoje é representado pelo próprio HangarSJP, que reúne entidades de todo o tipo (classificadas na metodologia das hélices), que colaboram para fortalecer os negócios inovadores no município, por meio do fomento à cultura de inovação, apoio às iniciativas de inovação e mediação das conexões de grandes players com os membros do ecossistema. Hoje somos o segundo ou terceiro ecossistema mais mais organizado na RMC, de acordo com a metodologia ELI. Em São José dos Pinhais, quando se fala em inovação, o HangarSJP é o nome lembrado.
Quais foram os maiores aprendizados na construção e articulação do ecossistema ao longo deste ano?
Christian: O primeiro é que o movimento gera engajamento (os atores da governança precisam se mexer para engajar os demais). Segundo que as conexões são o segredo (o negócio é de gente para gente, apesar da tecnologia estar muito presente e aparente na maioria das vezes). E terceiro é que o poder público e as entidades representativas e educacionais são fundamentais no estímulo e direcionamento das atividades de inovação. Sem o entrelaçamento entre esses entes, os empreendedores inovadores vão existir, é claro, mas estarão dispersos e gastando energia demais (sinergia será baixa pela desagregação, gerando esforços repetitivos).
Como você avalia o desempenho das startups que passaram pelo Acelera SJP e outros programas do Hangar?
Christian: Achei muito bacana a iniciativa do Sebrae e da Prefeitura de SJP de promoverem o Acelera SJP junto ao ecossistema; foi um experimento para olhar mais a fundo as startups da cidade e entender seu contexto e conhecer melhor os seus founders e colaboradores. Tivemos vários estágios presentes e isso foi muito legal: de ideias a empresas concretas estavam lá. Gosto muito do Conexão Hangar, evento sui generis que reúne “todo mundo” do Hangar; a última edição no Aeroporto foi show. Mas me encanta mesmo é o Decola HangarSJP, evento pequeno, bem focado em competências essenciais para as startups, com conexão mais próxima, singular, com os convidados.
O Hangar SJP é sustentado por uma rede ampla de parceiros. O que foi decisivo para gerar engajamento entre setor público, empresas, universidades e empreendedores?
Christian: Penso que o que foi decisivo foi o empurrão do Sebrae. Eles fizeram “a cola” entre esses entes. Obviamente que a participação aberta de todos é importante, mas quem faz o meio de campo é o SEBRAE de São José dos Pinhais. Precisamos reconhecer também aos que patrocinam financeiramente o HangarSJP, como a Prefeitura Municipal, o próprio Sebrae e a Associação Comercial. Importante lembrar do SJProsepra, o conselho de desenvolvimento econômico da cidade, onde toda essa ideia organizada de inovação nasceu.
Quais tendências de mercado vocês enxergam como mais promissoras para startups da região em 2026?
Christian: São José dos Pinhais é uma cidade ímpar. Na cidade se cultivam muitos alimentos (olerícolas em especial), fabrica-se desde anzol até equipamentos aeroespaciais e se transporta tudo isso e mais um pouco. Penso que as nossas vocações primárias e secundárias são as mais promissoras no momento. Logo o setor terciário chamará mais atenção, quando da chegada da nova pista do aeroporto. Então, inovações ligadas ao cultivo de olerícolas e restaurantes rurais, à indústria 4.0 são as da hora. Na sequência, coloca nessa panela as questões logísticas.
Quais são as metas do Hangar SJP para o próximo ciclo?
Christian: Em 2026, pretendemos manter os eventos ativos (Conexão e Decola) e avançar no amadurecimento do ecossistema, em especial apoiando as iniciativas municipais já normatizadas em leis e decretos (sandbox, conselho e o fundo municipal de inovação etc.) e nos inserindo em algum edital de fomento para beneficiar nossos membros. Também estão previstas atividades como o AceleraSJP e outras de aproximação dos grandes players com as nossas startups (visitas técnicas, rodadas de negócio etc.).