Tanto como produto popular quanto como ferramenta financeira sabemos que o consórcio se popularizou nos últimos anos no Brasil. Entretanto, é necessário entender quão eficiente é a ferramenta para a realidade de cada indivíduo.
Costumo dizer que não existe certo ou errado — existe o momento, a necessidade, a urgência (ou a ausência dela), o planejamento e a estratégia de negócio de cada cliente e vou além: sabendo que custo de dinheiro “barato” ou “caro” é relativo, a resposta que se deve dar em bom português, é:
Quanto custou o dinheiro alavancado e quanto retorno ele teve ou terá na minha empresa ou nos meus negócios?
Nessa ótica o produto entrega o que se propõe: ser uma eficiente ferramenta financeira. Afinal, todos precisamos de capital — mas a que preço?
Calcular o custo efetivo do capital alavancado via consórcio é diferente de um financiamento tradicional, porque não há juros explícitos. Há, contudo, taxa de administração, fundo de reserva, seguros e eventual custo de antecipação (lance).
Consórcio como Alavancagem para Empresários
Todo capital tem custo, inclusive o capital próprio. A diferença entre crescimento sustentável e expansão desordenada está na qualidade da alavancagem utilizada e na previsibilidade dos custos embutidos na operação.
Sob esse prisma, o consórcio deixa de ser um “produto popular” e passa a ser uma estratégia financeira de funding, devendo ser complementar a outras operações, reduzindo a dependência bancária do cliente.
A pergunta não é se o consórcio tem juros, e sim:
- Qual é o custo efetivo do capital e como ele impacta o retorno sobre o investimento da empresa?
- Qual o custo de estruturação jurídica na composição das garantias imobiliárias ou automotivas que alicerçam a operação?
Duas respostas necessárias para obter eficiência efetiva em qualquer operação dessa natureza.
Composição do Custo do Capital
A composição do custo do capital alavancado via consórcio é formada pelas taxas contratuais (administrativa, fundo de reserva, seguro — quando aplicável) e pela atualização do crédito após a contemplação.
Ele é diluído, previsível e estruturalmente diferente das operações de crédito bancárias. Além disso, o empresário se afasta das incertezas do mercado no momento da captação. Para empresas que operam com planejamento de fluxo de caixa, isso muda completamente a análise.
Particularmente, utilizo a ferramenta oficial do Banco Central do Brasil, a “Calculadora do Cidadão”, (disponível em todas as lojas de aplicativos) que utiliza o sistema PRICE para cálculo da taxa equivalente da operação. O importante é lembrar que falamos de capital alavancado, partindo da análise estrutural do custo efetivo.
Nesse tipo de operação, os lances são ferramentas táticas para reduzir o tempo de espera, aumentar previsibilidade e gerar oportunidade de negócio com o capital liberado. Vale lembrar que o lance aumenta o custo efetivo da operação, portanto deve ser calculado como qualquer outra decisão financeira.
Simulando dois exemplos de consórcio imobiliário
Exemplo 1 — Contemplação por sorteio
Crédito: R$ 200 mil
Taxa administrativa: 24%
Prazo: 220 meses
Parcela: R$ 1.127,27
Saldo devedor total: R$248 mil
Contemplação no 12º mês por sorteio, após R$ 13.527,27 pagos em parcelas.
Parcela após contemplação: R$ 1.127,27
Taxa equivalente estimada (PRICE): 0,23% a.m.
Exemplo 2 — Contemplação com lance livre
Crédito: R$ 200 mil
Taxa administrativa: 24%
Prazo: 220 meses
Parcela: R$ 1.127,27
Saldo devedor total: R$ 248 mil
Contemplação no 12º mês com lance livre de R$ 106.472,73.
Parcela após contemplação: R$ 615,38
Taxa equivalente estimada (PRICE): 0,50% a.m.
Observe que o custo do capital alavancado com consórcio está concentrado nas taxas administrativas e na estratégia de contemplação.
Se a contemplação ocorre por sorteio, o cliente recebe o valor integral da cota, subtraindo apenas as parcelas já pagas, se ocorre por lance, o cliente resgata menos dinheiro líquido, elevando o custo efetivo.
Portanto:
Quanto maior a capacidade de planejamento de médio prazo e menores os lances ofertados, mais barata tende a ser a operação financeira; a taxa administrativa isoladamente não serve como parâmetro de preço ela caminha junto com a estratégia do cliente e seu custo de oportunidade – especialmente se houver intenção de ofertar lances.
Deve-se considerar o indexador monetário do grupo normalmente INCC (imóveis) e IPCA (automóveis), gatilho legal que garante o poder de compra dos consorciados da primeira à última assembleia.
Na maioria dos cenários de contemplação antecipada bem planejada, o custo anual efetivo pode ficar significativamente abaixo de linhas bancárias tradicionais.
Indicadores a serem observados pelo cliente
O empresário deve analisar a parcela sem perder de vista a regulamento do grupo ao qual está aderindo. O ponto de partida é a capacidade de pagamento mensal, especialmente no período pré-contemplação.
Para refletir:
- Estou disposto a pagar pela pressa ou pelo preço?
- Qual é a rentabilidade potencial da operação?
- Qual a melhor composição jurídica: automotiva ou imobiliária?
- Qual o impacto no meu fluxo de caixa?
- Qual o custo de oportunidade do capital utilizado?
Essas respostas devem surgir na entrevista com o seu consultor financeiro e na estruturação prévia do seu negócio.
Quando o Consórcio faz sentido?
Entrar em uma operação com custo definido facilita a tomada de decisão e pode auxiliar em aquisições estratégicas, expansões planejadas e diversificação de captações.
Entretanto, se há urgência por capital de giro, ausência de controle de fluxo de caixa ou indefinição na alocação do recurso, não se trata de cenário de planejador, mas de tomador emergencial de crédito.
Sob visão executiva, a análise é objetiva:
Se o retorno do ativo supera o custo efetivo do consórcio, a empresa está utilizando capital de forma inteligente.
Conclusão
O consórcio, quando analisado sob a ótica empresarial, deixa de ser produto de consumo e passa a ser instrumento de engenharia financeira.
Ele não substitui crédito bancário, mas complementa a estratégia de capital.
Quanto mais eficiente for a gestão de capital das empresas e melhor sua relação entre custo e retorno, mais sustentável e próspera será sua operação.
Sobre a TOPCON Crédito e Investimentos
Fundada em setembro de 2021, a TOPCON Crédito e Investimentos nasce de uma aliança estratégica com a Breitkopf Administradora de Consórcios, com sede em Blumenau (SC) e atuação no mercado desde 1964.
Ao iniciar seu quinto ano de operação, a TOPCON posiciona-se com foco em atendimento customizado, consultoria individualizada e acompanhamento integral do cliente — desde o desenho do projeto até a liberação do crédito. Essa atuação próxima e consultiva, sustentada por parceiros sólidos, reflete os pilares da cultura organizacional da empresa, estamos a disposição para auxiliar cada cliente a viabilizar seu projeto, fale conosco.
Referências Bibliográficas
Banco Central do Brasil. Sistema de Amortização PRICE e ferramenta “Calculadora do Cidadão”.
Lei nº 11.795 de 2008. Dispõe sobre o Sistema de Consórcios no Brasil.
Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios. Dados setoriais e regulamentação do sistema de consórcios.
Princípios de Finanças Corporativas. Brealey, R.; Myers, S.; Allen, F. McGraw-Hill Education.