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Empresa supera média nacional de mulheres em setores masculinos

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Foto: Divulgação

Em um cenário em que as áreas de tecnologia e comércio exterior ainda são predominantemente masculinas, com apenas 19,2% de mulheres na TI brasileira — segundo estudo do Observatório Softex — e cerca de 22,5% em cargos de liderança em exportadoras, conforme levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Logcomex, empresa líder em Inteligência Artificial para o Comércio Exterior, apresenta um recorte que desafia a lógica do setor.

A empresa conta hoje com 355 colaboradores, sendo 174 mulheres, o equivalente a 49% do quadro total, e 40% das posições de liderança ocupadas por elas.

O avanço não aconteceu por acaso. Há três anos, as mulheres representavam 33% da liderança; hoje, são 40%. No quadro geral, o percentual passou de 45% há cinco anos para os atuais 49%. Já nas equipes diretamente ligadas ao comércio exterior — Sales, CS e Tech — a presença feminina chega a 45,5%.

Mesmo nas áreas técnicas de produto, dados e tecnologia, tradicionalmente mais masculinas, 25% dos cargos são ocupados por mulheres.

Se os números mostram a ruptura de padrão, a trajetória de Mônica Gabriella ajuda a explicá-la. Formada em Administração com habilitação em Gestão Portuária, ela iniciou a carreira aos 21 anos em um terminal portuário, onde participou de projetos de automação que mudariam o rumo da sua atuação.

O que começou como proximidade com processos operacionais se transformou em interesse profundo por tecnologia.

Quando chegou à Logcomex, ingressou como Product Owner. A evolução foi consistente: Product Manager, Group Product Manager, Gerente de Engenharia e Produto, até assumir a posição de Head de Tecnologia. No caminho, acumulou especializações em finanças, gestão estratégica, digital management e, mais recentemente, estudos em inteligência artificial aplicada.

A trajetória, no entanto, não foi linear.

“Muita resiliência é o que define minha trajetória. Em muitos momentos no meu passado profissional eu passei por situações de descrédito, como se eu não tivesse capacidade de estar em uma posição estratégica. Por outro lado, sempre tive lideranças que acreditaram no meu potencial — e isso me fez acreditar que seria possível atingir espaços ainda maiores”, afirma.

Para Mônica, a presença feminina influencia diretamente a qualidade das decisões no comércio exterior.

“Nós tendemos a ser mais detalhistas e a pensar no impacto das decisões no longo prazo. Em um ambiente como o comex, onde um erro pequeno pode gerar grandes consequências, isso traz mais cuidado na análise de riscos”.

Se a liderança de Mônica simboliza o topo dessa transformação, outras trajetórias mostram que o movimento é estrutural. Valeria Antunes, formada em Análise e Desenvolvimento de Sistemas, aos 18 já atuava em comércio exterior.

Na faculdade, era uma das únicas mulheres na turma. Seis anos depois de entrar na Logcomex como analista pleno, tornou-se líder.

No mercado, conviveu com dinâmicas em que o reconhecimento era direcionado majoritariamente aos homens.

“Homens são vistos como capazes em 100% do tempo. Mulheres não recebem a mesma visão, principalmente por fatores ligados à maternidade. Essas experiências doeram, mas me trouxeram maturidade. Hoje me sinto mais forte, mais preparada e consciente do meu valor”.

Para ela, diversidade é fator estratégico.

“Diversidade não é apenas representatividade, é inteligência coletiva. E isso fortalece a companhia”, ressalta.

O conselho que deixa para quem deseja atuar na interseção entre tecnologia e comércio exterior é direto: “Resiliência. É uma palavra simples, mas carrega tudo”.

Internamente, essas histórias não são exceções isoladas. Anelise Marques entrou como analista e hoje é Coordenadora de Inteligência Comercial; Vanessa Roggero iniciou como Analista de Suporte Júnior e se tornou Especialista; Monique Cirino, com quase quatro anos na empresa, lidera o projeto VOC, que analisa dados a partir da experiência do cliente e se consolidou como referência interna.

O avanço feminino, portanto, não está restrito a um caso emblemático, mas distribuído em diferentes frentes técnicas e estratégicas.

O avanço feminino na Logcomex é acompanhado por uma estrutura de benefícios e desenvolvimento que não diferencia gênero, mas promove equilíbrio para todos. Auxílio-creche, licença estendida e modelo flexível de trabalho são políticas aplicáveis a homens e mulheres, partindo do princípio de que corresponsabilidade e equilíbrio profissional são fatores essenciais na cultura da empresa

Os programas de desenvolvimento de liderança também são abertos a todos os colaboradores, garantindo que as mulheres tenham acesso igual às trilhas de crescimento e às oportunidades estratégicas. Para Aline Nesi, Diretora de People, a lógica não é criar benefícios exclusivos, mas remover barreiras estruturais que historicamente impactaram mais as mulheres.

“Acreditamos que equidade não se constrói com privilégios isolados, mas com políticas estruturais que garantam as mesmas condições de crescimento. Quando criamos um ambiente flexível, seguro e orientado ao desempenho, as lideranças femininas emergem naturalmente”, afirma Aline.

Em 2026, a companhia marca o Dia Internacional da Mulher com a ação “Seu Ritmo, Sua Bagagem”. As colaboradoras receberão uma bolsa de treino personalizada da Track&Field (marca brasileira de esporte no setor de vestuário), simbolizando o cuidado com as múltiplas jornadas da mulher — profissional, atleta, mãe, líder.

“A ação é simbólica, mas carrega um conceito maior. Queremos reforçar que a empresa cuida da bagagem para que cada mulher continue liderando o próprio caminho, no seu ritmo e na sua trajetória”, finaliza Aline.

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