Pesquisar

Comércio será um dos setores mais atingidos por mudanças na jornada

Comércio faciap escala Economia PR
Foto: SAYYEDIBAD / pixabay

Uma eventual reforma na jornada de trabalho no Brasil, especialmente com a adoção de modelos como 5×2 ou 4×3, tende a produzir impactos desiguais no mercado formal do Paraná, com efeitos proporcionalmente maiores sobre o comércio e as micro e pequenas empresas do que sobre a indústria de médio e grande porte.

A conclusão é de levantamento inédito da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), baseado na estrutura do emprego formal no Estado.

A análise mostra que o mercado de trabalho paranaense opera, na prática, em duas estruturas distintas: de um lado, a indústria, com maior presença de empresas médias e grandes e predominância do regime tributário geral; de outro, o comércio, fortemente apoiado em micro e pequenas empresas enquadradas no Simples Nacional. Essa diferença altera de forma significativa a capacidade de adaptação a mudanças na organização da jornada.

“Discutir jornada como se todo o mercado fosse homogêneo ignora que o porte da empresa e o regime tributário condicionam diretamente o custo e a viabilidade de reorganização das escalas”, aponta o levantamento.

A dinâmica de admissões no Paraná revela que o varejo é o principal motor de geração de empregos formais no Estado, concentrando parcela expressiva das contratações.

Esse perfil envolve maior rotatividade e forte dependência de cobertura de horários e picos de demandam características que aumentam a sensibilidade operacional a mudanças na jornada.

Segundo a Faciap, setores de atendimento direto ao consumidor dependem mais intensamente de escalas contínuas e flexíveis.

“São justamente as atividades que mais contratam que tendem a sentir primeiro e com maior intensidade os efeitos de uma eventual reforma”, destaca o documento.

Outro ponto central é a relação entre porte empresarial e custo de coordenação da jornada. Enquanto empresas maiores dispõem de maior redundância de pessoal, automação e estrutura de turnos, micro e pequenas operam com quadros enxutos e gestão direta do proprietário, o que eleva o custo de planejamento, reposição e cobertura de folgas.

Na prática, isso significa que modelos como 4×3 exigiriam redesenho operacional mais profundo no comércio do que na indústria.

“Quanto menor a empresa, maior tende a ser o custo de coordenação da escala e menor a capacidade de absorver mudanças por tecnologia ou reorganização sofisticada”, afirma a entidade.

A Faciap alerta que mudanças uniformes, sem considerar diferenças de porte, setor e regime tributário, podem gerar efeitos assimétricos no mercado de trabalho paranaense. A entidade defende que o debate sobre jornada incorpore a realidade das micro e pequenas empresas, que formam a base do emprego formal no comércio e lideram a dinâmica de contratações no Estado.

“O mercado formal do Paraná não é homogêneo. A reforma da jornada atingirá principalmente o comércio de micro e pequenas empresas, que concentra o fluxo de admissões e possui menor capacidade estrutural de reorganizar escalas”, conclui a análise.

O levantamento integra a agenda técnica da Faciap sobre mercado de trabalho e ambiente de negócios no Paraná e busca subsidiar o debate público com evidências regionais sobre os possíveis efeitos de mudanças na legislação trabalhista.

Compartilhe

Leia também

Relatório de Tendências indústria Economia PR

Relatório de Tendências impulsiona agenda para lideranças da indústria

Copel região Oeste Economia PR

Copel apresenta investimentos e reforça parcerias no Oeste 

Banco da Mulher Paranaense Economia PR

Empreendedoras captaram quase R$ 300 mi pelo Banco da Mulher