Economia PR - Empresa aposta na contratação de mulheres imigrantes

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Empresa aposta na contratação de mulheres imigrantes

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Foto: Divulgação

Quando deixou Cuba em busca de uma vida melhor para as filhas, Betty Garcia Gutierrez não imaginava que sua jornada até o Brasil incluiria uma travessia por vários países e uma longa viagem pela Amazônia.

Depois de sair da ilha, ela passou pelas Ilhas Providenciales e Caicos, por Barbados e pela Guiana até cruzar a fronteira brasileira após cerca de 22 horas de estrada por uma via de terra na região amazônica. Durante o trajeto, as duas filhas chegaram a ficar desidratadas devido aos enjoos da viagem.

Hoje, pouco mais de um ano depois de chegar ao país, Betty trabalha na Confidence Semijoias, empresa curitibana que tem se destacado por oferecer oportunidades de trabalho a mulheres, incluindo imigrantes que buscam reconstruir a vida no Brasil.

“Meu sonho era ter um trabalho digno e dar uma vida melhor para minhas filhas”, conta.

A história de Betty não é isolada. Entre as colaboradoras da empresa estão também outras mulheres que chegaram ao Brasil vindas de diferentes países, enfrentando desafios semelhantes: a barreira do idioma, a saudade da família e a necessidade de recomeçar praticamente do zero.

Uma delas é a cubana Daymara Alfonso Borroto que se lembra bem da sensação de chegar a um país desconhecido sem falar a língua e sem conhecer ninguém.

“Tudo me dava muito medo”, recorda.

Para ela, o processo de adaptação foi principalmente emocional. Ainda assim, decidiu seguir em frente motivada pelos filhos.

“Eles sempre foram meu motor para continuar. “

A virada em sua trajetória aconteceu quando conseguiu uma oportunidade na Confidence Semijoias. Segundo Daymara, foi a primeira vez que se sentiu realmente acolhida desde que chegou ao Brasil.

“Confidence representa minha vida no Brasil”, afirma.

Trabalhando desde os 17 anos, ela diz que foi aqui que finalmente conseguiu oferecer à família as condições que sempre sonhou.

Outra história é a de Yanelis Valdes Cruzque vive no Brasil há cerca de um ano e meio. Ela deixou Cuba em busca de qualidade de vida e de um futuro melhor para o filho.

Ao chegar, enfrentou dificuldades para se comunicar em português e precisou recorrer frequentemente a aplicativos de tradução. Antes de conseguir um emprego fixo, realizou trabalhos temporários e diárias para pagar as contas.

A oportunidade na Confidence surgiu por indicação de uma amiga e trouxe algo que ela não tinha até então: estabilidade.

“Saber que você tem um trabalho fixo e um salário todo mês tira muitas preocupações”, explica.

Na empresa, Yanet encontrou um ambiente diverso, com colegas brasileiras, cubanas e venezuelanas. Para ela, essa troca cultural também faz parte do processo de integração.

“Nos ajudamos e aprendemos umas com as outras”, conta.

Apesar das dificuldades enfrentadas por muitos imigrantes, Yanet afirma que nunca pensou em desistir.

“Sou uma mulher forte e guerreira”, diz.

Seu principal objetivo agora é continuar crescendo profissionalmente para garantir um futuro melhor para o filho.

As histórias dessas mulheres encontram eco na trajetória da própria fundadora da empresa, a empresária curitibana Patrícia Baudy.

A Confidence Semijoias nasceu há 14 anos e ganhou novo rumo em 2014, quando passou a operar com um modelo de revenda por consignação — sistema que permite que mulheres iniciem um negócio sem precisar de capital inicial.

A mudança ocorreu em um momento delicado da vida da empresária. Na época, Patrícia buscava autonomia financeira para sair de um relacionamento abusivo. Foi nesse contexto que desenvolveu, sozinha, dentro de seu quarto, a ideia de um modelo de negócio que pudesse gerar renda imediata para outras mulheres.

Com um investimento inicial de apenas R$ 5 mil, a empresa cresceu e hoje apresenta faturamento anual de R$ 10,5 milhões.

Atualmente, a Confidence conta com 48 colaboradores, 32 representantes comerciais, cerca de 420 revendedoras e mais de 4.200 pontos comerciais espalhados por 14 estados brasileiros.

Mais do que vender semijoias, a empresa aposta em um modelo de negócio baseado em propósito.

“Mais do que produtos, queremos oferecer oportunidade, rede de apoio e pertencimento”, afirma Patrícia.

A marca fabrica todas as peças, desde o design até o banho em ouro e prata, e também apoia iniciativas sociais como o Instituto Batom e o Instituto Projeto Casa de Débora, que atuam em comunidades vulneráveis de Curitiba, como a Vila Pantanal.

Dentro da empresa, o investimento no desenvolvimento dos colaboradores também faz parte da estratégia. A Confidence paga 70% do custo de graduações ou pós-graduações de funcionários e oferece plano de saúde integral à equipe.

“Investimos em quem trabalha com a gente, e esse investimento retorna em resultados para a empresa”, afirma Patrícia.

O reconhecimento do trabalho da empresária também tem crescido. Em 2025, ela venceu a etapa estadual e regional Sul do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios na categoria Pequenos Negócios e foi destaque entre as finalistas nacionais, ficando entre as 35 empreendedoras selecionadas entre mais de cinco mil inscritas no país.

Antes disso, em 2021, já havia conquistado o primeiro lugar no Prêmio Empreendedora Curitiba na categoria Micro e Pequena Empresa.

“Nossa responsabilidade como empresários é pensar na melhoria da vida da nossa equipe e das pessoas ao nosso redor”, diz.

Para muitas das funcionárias imigrantes da empresa, o emprego representa mais do que uma fonte de renda: é também um ponto de partida para reconstruir projetos de vida interrompidos pela migração.

Betty sonha em conquistar a casa própria e ver as filhas realizarem seus planos profissionais, uma quer ser radiologista e a outra veterinária.

Daymara também tem metas claras: quer trazer os pais que ainda vivem em Cuba e garantir uma boa educação para os filhos.

Yanet define a experiência de migrar como um processo de “esforço, sacrifício, lágrimas e suor”. Ainda assim, diz sentir orgulho da própria trajetória.

A outras mulheres imigrantes que chegam ao Brasil, elas deixam um conselho em comum: persistir.

“Somos mais fortes do que pensamos e mais capazes do que acreditamos”, resume Daymara.

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