O comportamento do consumidor imobiliário brasileiro passa por uma transformação estrutural, impulsionada principalmente pelo fortalecimento dos programas habitacionais e pelo acesso ao crédito.
Mais do que escolher o imóvel, o comprador agora começa pela capacidade de pagamento; e a parcela mensal se tornou o principal fator de decisão. Em um cenário de juros ainda elevados, financiamento e subsídios deixaram de ser coadjuvantes e passaram a ser determinantes para viabilizar a compra.
Esse novo comportamento de compra ocorre em um momento de expansão das políticas públicas voltadas à habitação.
Nesse cenário, programas como o Minha Casa Minha Vida (MCMV), o Casa Fácil Paraná e o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) assumem papel central na decisão de compra. Ao oferecer taxas reduzidas, subsídios e possibilidade de abatimento do valor financiado, esses mecanismos ampliam o acesso à moradia e permitem que mais famílias ingressem no mercado formal.
No âmbito federal, o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) passa por atualizações relevantes, com propostas que ampliam o teto dos imóveis financiados para até R$600 mil e elevam o limite de renda familiar para até R$13 mil.
As mudanças, se consolidadas, devem aumentar significativamente o número de famílias aptas a acessar o programa e reforçar seu papel como principal porta de entrada para a casa própria no Brasil.
No Paraná, o movimento é acompanhado por resultados expressivos do Casa Fácil Paraná, que se consolida como uma das principais políticas habitacionais do país. Desde o lançamento, em 2019, o programa já beneficiou mais de 130 mil famílias em 371 municípios, com investimento superior a R$1,5 bilhão em subsídios diretos.
Para Paulo Antônio Kucher, vice-presidente comercial da Lyx Participações e Empreendimentos, a mudança no comportamento do consumidor é evidente.
“Hoje, o cliente começa pela parcela. Ele entende quanto pode pagar por mês e, a partir disso, busca um imóvel que se encaixe nessa realidade. O financiamento e os subsídios deixaram de ser um complemento e passaram a ser o ponto de partida da decisão”, afirma.
Segundo o Kucher, esse movimento reflete um consumidor mais consciente e atento ao planejamento financeiro mensal.
“Os programas habitacionais têm um papel fundamental nesse processo, porque tornam a compra possível. Sem subsídio ou condições diferenciadas de crédito, uma grande parte das famílias simplesmente não conseguiria acessar o mercado”, explica.
A tendência é que esse modelo se consolide nos próximos anos, reforçando o papel do crédito habitacional e dos subsídios públicos como pilares do mercado imobiliário brasileiro.
Com programas mais robustos e maior previsibilidade financeira, a jornada de compra se torna mais acessível e a casa própria, uma realidade cada vez mais próxima para milhares de famílias.