O que permeia qualquer decisão é o custo de oportunidade o custo do capital alavancado e a rentabilidade da operação que você está realizando, essa relação é determinante para a tomada de decisão de qualquer cliente, pelo menos deveria ser, não vamos suavizar, a discussão sobre carta contemplada no Brasil não é técnica é narrativa e na maior parte das vezes é uma narrativa conveniente, “Carta contemplada é mais barata que banco” essa frase nem sempre se sustenta quando confrontada com a matemática básica mas continua sendo repetida, não por precisão, “Por que vende”.
Consórcio não é o problema, o uso é, e a falta de estratégia também é
O consórcio é uma estrutura eficiente, regulada, segura e previsível, diferente do crédito bancário que depende dos humores da “Faria Lima” e de “Brasília”. Não há distorção no mecanismo, você compra sabendo exatamente o que está comprando, taxas, indexadores, e demais características inerentes ao produto, a distorção está no comportamento.
Consórcio não é barato, não é caro, é neutro, o que define o custo é a forma como você entra, e é aqui que a maioria erra.
O mercado não vende consórcio, vende urgência
No país das facilidades e dos atalhos, o cliente não se atenta a regras e entendimentos básicos do mercado, a carta contemplada não é um produto financeiro, ela é a monetização da sua pressa, você não está comprando um crédito, está comprando tempo.
E, como todo tempo antecipado no sistema financeiro, ele tem preço e nunca é baixo, é ilusão achar que teremos os custos do consórcio com a urgência do financiamento, essa conta não fecha, o cliente precisa responder para si próprio: Eu realmente tenho a urgência que estou sinalizando? Estou fazendo a conta correta? Qual profissional de consórcio permito sentar-se na minha sala e me orientar, se é que tenho um?
Reflexão pesada né? Mas ela é mais barata que a decisão errada que você vai tomar.
O custo existe mesmo quando você decide não enxergar
No banco, o custo vem escancarado na taxa de juros, no CET (Custo Efetivo Total), no contrato, na aprovação de crédito etc.
Na carta contemplada, ele vem disfarçado: na entrada, nas parcelas “sem juros”, na sensação de vantagem (a pior delas).
Entretanto, a matemática não negocia com percepção, quando você tem um profissional para lhe ajudar de forma genuína para aprofundar as contas e transforma a operação em taxa, aí você começa a enxergar a operação como se deve.
A conta que ninguém quer fazer, mas deveria
Trazemos uma comparação com valores aproximados na aquisição de uma carta de crédito contemplada e uma operação de carta original em que o cliente deseja contemplar o “mais rápido possível” respeitando os limites do seu projeto com o perfeito entendimento entre pressa e preço.
Aquisição de uma Carta contemplada
- Capital acessado: R$ 195.000,00.
- Entrada: R$ 93.000,00.
- Capital Líquido alavancado: R$ 102.000,00.
- Parcelas: R$ 4.400 por 53 meses + IPCA.
Custo do capital: 50% a 55% ao ano.
Carta original contemplada com lance
- Crédito: R$ 292.527,00.
- Taxa Administrativa + fundo de reserva: 11,6% no período.
- Lance: 57% (27% pago do bolso e 30% embutido).
- Capital acessado: R$ 194.000,00.
- Lance pago: R$ 88.000,00.
- Capital líquido alavancado: R$ 103.000,00.
- Parcelas: R$ 2.490,00 por 55 meses +IPCA
Custo do capital: 13% a 16% ao ano.
Pontos relevantes: quando se compra uma carta contemplada, eu estou acessando um capital imediato. A única conta que interessa é o custo efetivo desse capital assim como em um financiamento. Quando compro uma cota original, as informações que definem o custo do capital e precisam ser avaliadas em conjunto são taxa administrativa, fundo de reserva, média de lances e o processo de liberação da sua administradora.
Agora pare, leia novamente, você está pagando de quatro a cinco vezes mais caro para acessar o mesmo dinheiro, isso não é detalhe isso é erro de decisão.
A matemática desmonta o argumento inteiro, se você tem dinheiro para comprar uma carta contemplada você tem dinheiro para dar um lance altamente competitivo, você não está limitado por capital está limitado por interpretação.
Obs.: Custo efetivo calculado com base na Calculadora do Cidadão, ferramenta oficial do Banco Central do Brasil, na aba financiamentos, que usa a Tabela PRICE embarcada.
O verdadeiro problema: profundidade
A sua decisão não está sendo tomada com base em custo de capital, fluxo de caixa e eficiência financeira e sim em urgência, ignorância, influência e simplificação, isso leva a um padrão perigoso onde decisões complexas estão sendo guiadas por análises rasas.
Quando você usa o consórcio com estratégia, especialmente via lance, acontece algo poderoso, você reduz a dívida de forma agressiva, controla o custo e elimina o prêmio do mercado tendo como resultado acesso a capital sensivelmente mais barato (mesmo com lances), e algo ainda mais poderoso, porém raro no Brasil, disciplina e leitura financeira, duas coisas que não são vendidas.
Conclusão
Essa provocação não é sobre consórcio, nunca foi, é sobre o custo de capital, é sobre entender que o dinheiro no tempo tem preço (para o bem e para o mal), antecipação tem custo e percepção não substitui cálculo.
Menos romântico ainda é dizer de que não existe atalho financeiro que não cobre pedágio e, no Brasil, um país estruturalmente inflacionário com déficit educacional (principalmente em finanças) esse pedágio costuma ser muito alto e aí caro leitor, quando você não mede, não entende, não questiona e não compara você paga sem perceber que pagou caro demais.
Agora as perguntas a serem feitas e que talvez sejam muito desconfortáveis, mas necessárias são: a sua urgência é real… ou é a crença de que o produto não entrega o que promete? Quem você está colocando na sua sala? Quem você escolhe ouvir? Quem aprofunda, calcula e te confronta ou quem simplifica? Quem diz o que você quer ouvir, agrada e acelera sua decisão? Quem realmente deseja te auxiliar com dados, números e profundidade técnica? por que essa linha tênue é a que separa tudo, orientações rasas levam a decisões caras, Sempre.
Sobre a TOPCON Crédito e Investimentos
Fundada em setembro de 2021, a TOPCON Crédito e Investimentos nascem de uma aliança estratégica com a Breitkopf Administradora de Consórcios, com sede em Blumenau (SC) e atuação no mercado desde 1964.
Ao iniciar seu quinto ano de operação, a TOPCON posiciona-se com foco em atendimento customizado, consultoria individualizada e acompanhamento integral do cliente — desde o desenho do projeto até a liberação do crédito. Na TOPCON Crédito e Investimentos a ética é inegociável e nosso pilar de vendas. Sempre falamos a verdade, orientamos o cliente com transparência e entregamos exatamente o que prometemos. Nosso objetivo é construir relações duradouras e confiáveis.
Referências
LAMEGO, Marcelo. Artigos sobre custo de capital, estratégia financeira e consórcios. https://economiapr.com.br/author/marcelolamego/
Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC). O que é consórcio e funcionamento do sistema.
ABAC. Regulamentação e segurança do consórcio no Brasil.
Banco Central do Brasil. Normas e fiscalização do sistema de consórcios.
Lei nº 11.795/2008 – Sistema de Consórcios
Banco Central do Brasil. Calculadora do Cidadão – ferramenta oficial para cálculo de taxas de juros e custo efetivo de operações financeiras.