Economia PR - Sul concentra 1,4 mi de empresas inadimplentes em fevereiro

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Sul concentra 1,4 mi de empresas inadimplentes em fevereiro

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Foto: bugphai / Magnific

Em fevereiro, o Sul registrou 1.491.209 empresas inadimplentes, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. Ao todo, foram contabilizadas 12.973.673 dívidas negativadas na região, que somaram R$ 44,3 bilhões no período.

Entre os estados, o Paraná concentrou o maior número de empresas negativadas, com 577.744 CNPJs inadimplentes, seguido por Rio Grande do Sul (503.478) e Santa Catarina (409.987). Entre os estados da região, Santa Catarina apresentou o maior ticket médio das dívidas (R$ 3.601,84), enquanto o Rio Grande do Sul registrou a maior dívida média por empresa (R$ 31.946,57).

Cenário nacional

A inadimplência entre as empresas voltou a subir em fevereiro de 2026 e atingiu mais de 8,8 milhões de CNPJs em todo o Brasil. O resultado representa leve alta em relação a janeiro, mantendo o indicador em patamar próximo à máxima histórica registrada em dezembro de 2025.

No período, o total de dívidas negativadas chegou a 60,7 milhões, somando R$ 204,6 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente possuía cerca de 7 contas negativadas, com dívida média de R$ 23.216,4 por CNPJ e ticket médio de R$ 3.370,5.

A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, explica que a inadimplência das empresas mantém trajetória de crescimento ao longo da série histórica recente, sem sinais consistentes de reversão.

Segundo ela, o ambiente de crédito segue restritivo, com custos financeiros elevados e maior seletividade na concessão, o que limita a recomposição de caixa das empresas e sustenta a necessidade de rolagem e alongamento de passivos.

Setores inadimplentes

O setor de Serviços concentrou 55,4% das empresas negativadas em fevereiro. Na sequência aparecem Comércio (32,6%), Indústria (8,1%) e o setor Primário (0,9%).

Segundo a economista, a maior concentração no setor de serviços está alinhada à relevância estrutural do segmento na economia brasileira.

O setor responde por cerca de dois terços do Produto Interno Bruto (PIB) e reúne a maior parte das empresas formalmente ativas, o que explica sua maior participação na inadimplência, sem necessariamente indicar piora relativa frente aos demais setores.

Perfil das dívidas inadimplidas

Em relação à origem das dívidas, o maior peso ficou com Serviços (31,5%), seguido por Bancos/Cartões (19,5%).

De acordo com a executiva, as dívidas de empresas de serviços estão, em geral, relacionadas a compromissos com fornecedores e despesas operacionais. Já a participação relevante de bancos e cartões reflete o uso recorrente de crédito para gestão de capital de giro.

Visão nacional

Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes, com 4,89 milhões de CNPJs, seguido por Sul (1,49 milhão) e Nordeste (1,17 milhão). As regiões Centro-Oeste e Norte registraram 763 mil e 496 mil empresas inadimplentes, respectivamente.

A concentração acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões, o que amplia a exposição ao crédito e, consequentemente, a inadimplência. Entre os estados, São Paulo liderou com 3.036.772 empresas inadimplentes, seguido por Minas Gerais (866.050) e Rio de Janeiro (856.462).

Micro e pequenas empresas

As micro e pequenas empresas seguiram como maioria expressiva da inadimplência no país, com 8,4 milhões de CNPJs negativados em fevereiro de 2026. O grupo concentrou 55,1 milhões de dívidas e R$ 178,61 bilhões em débitos.

Esse porte representou 95,2% das empresas inadimplentes, 90,8% das dívidas e 87,3% do valor total devido. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,6 contas em atraso, com dívida média de R$ 21.294,91 e ticket médio de R$ 3.240,04.

Segundo a economista-chefe, micro e pequenas empresas são mais sensíveis ao ambiente de crédito restritivo, pois dependem mais de linhas de curto prazo e têm menor capacidade de negociação de prazos e custos financeiros.

Com juros elevados e concessão mais seletiva, enfrentam maior dificuldade para recompor capital de giro, o que contribui para a persistência da inadimplência nesse segmento.

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