Economia PR - A ponte que desafia o tempo: o segredo tecnológico que une Matinhos a Guaratuba

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A ponte que desafia o tempo: o segredo tecnológico que une Matinhos a Guaratuba

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Foto: Divulgação

Colaboração de Maria Eduarda Schwab

O engenheiro Cesar Zanchi Daher foi o primeiro a atravessar a Ponte de Guaratuba de ponta a ponta, e fez questão de contar isso em uma coletiva de imprensa. Quando um jornalista perguntou se ele não pensou em filmar o momento para viralizar nas redes sociais, a resposta veio entre risos: a travessia foi discreta, mas o feito, histórico.

Por trás da ponte e do impacto que ela já projeta na economia do litoral paranaense, estão decisões de engenharia combinadas ao uso de tecnologias de alta precisão e materiais pensados para garantir desempenho por décadas, e até séculos.

Os números impressionam: com investimento de R$ 400 milhões, a estrutura de 1,2 km, com quatro faixas, ciclovia e calçada, estabelece a ligação terrestre – tão esperada – entre Matinhos e Guaratuba.

A Ponte da Vitória consumiu um volume de concreto equivalente a cerca de dez campos de futebol, com cerca de 22 mil toneladas de cimento utilizadas, em um projeto que adotou integralmente o concreto autodensável – tecnologia ainda rara e cara no Brasil.

O material utilizado é de alta fluidez, e com capacidade de preencher estruturas densamente armadas sem a necessidade de equipamentos para compactação.

“Isso resulta em uma superfície mais uniforme e com menor permeabilidade, o que reduz a penetração de agentes agressivos, como sais presentes no ar e na água do mar”, explica Daher, diretor da Daher Engenharia, empresa curitibana responsável pelo estudo tecnológico do concreto.

Segundo Daher, as características do material têm impacto direto na vida útil da estrutura, e foram escolhidas a dedo para que a estrutura não precise passar por tantas manutenções em curtos períodos de tempo.

“O concreto fica mais protegido contra reações que poderiam comprometer seu desempenho ao longo do tempo, especialmente em regiões costeiras. Nossa meta não se limita à entrega da obra, mas à sua permanência em operação por pelo menos 100 anos”, afirma.

Durante a obra, a Daher também utilizou equipamentos de alta precisão para avaliar a integridade das estruturas, como o georadar, capaz de gerar imagens tridimensionais do interior do concreto, e a estação total robótica com scanner de alta precisão, que permite acompanhar o posicionamento das armaduras e identificar eventuais vazios.

“São ferramentas que ampliam a capacidade de leitura da estrutura e trazem mais segurança para as decisões técnicas”, completa.

Com atuação no Brasil e no exterior, a Daher Engenharia reúne projetos em áreas como saneamento, energia, logística e indústria. No Paraná, participa de iniciativas desde os anos 1990, incluindo soluções pioneiras em materiais e obras de mobilidade urbana, como a Linha Verde, em Curitiba.

A presença na ponte se soma a esse histórico, agora vinculada a uma das principais intervenções de infraestrutura do litoral paranaense.

A confiabilidade dos processos é respaldada por certificações. Em dezembro de 2025, a empresa recebeu o selo do Inmetro para seu laboratório próprio, tornando-se a primeira companhia privada do Paraná a alcançar esse reconhecimento é uma das poucas na região Sul com essa chancela.

Impacto na economia da região

Os efeitos econômicos já aparecem nas projeções do setor produtivo. Com a redução do tempo de travessia, que hoje pode passar de duas horas, para poucos minutos, a dinâmica da circulação no litoral será alterada e o impacto econômico será ainda maior.

Segundo a Associação Comercial e Empresarial de Guaratuba (Associg), a estimativa é de aumento de 40% na oferta de imóveis de alto padrão em Guaratuba, indicando uma mudança no perfil do mercado imobiliário local.

A expectativa também recai sobre o turismo e os serviços, com maior fluxo ao longo de todo o ano, e não apenas nos períodos de alta temporada. A ponte ainda encurta distâncias econômicas entre Paraná e Santa Catarina, ampliando a integração entre os dois estados.

“Quando tecnologia e engenharia caminham juntas, o resultado ultrapassa a estrutura em si. A precisão no controle dos materiais e o uso de equipamentos avançados garantem uma obra preparada para durar décadas, reduzindo intervenções e assegurando eficiência ao longo do tempo. Isso se traduz diretamente em benefícios para a região, com mais fluidez logística, estímulo à economia local e melhores condições para o desenvolvimento do litoral”, conclui Daher.

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