Economia PR - Agronegócio amplia investimentos em imóveis de luxo

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Agronegócio amplia investimentos em imóveis de luxo

Alfredo Gulin Neto AG7 Luxo Economia PR
Foto: Divulgação / AG7

Por Alfredo Gulin Neto, CEO da AG7

O agronegócio brasileiro vive um dos ciclos mais consistentes e relevantes da sua história recente. Com participação de cerca de 23% no PIB, segundo a CNA e  responsável por quase metade das exportações nacionais, o setor não apenas sustenta a economia, como também tem ampliado significativamente a geração de riqueza no país. 

O que começa a chamar atenção agora, no entanto, é o destino desse capital. 

Uma parcela crescente dos recursos gerados no campo tem buscado novos vetores de alocação fora da lógica tradicional do agronegócio. E, nesse movimento, o mercado imobiliário de alto padrão, especialmente em regiões consolidadas, têm ganhado protagonismo. 

Balneário Camboriú é hoje um dos principais exemplos dessa dinâmica. A cidade, que lidera o ranking de metro quadrado mais valorizado do Brasil, deixou de ser apenas um destino de lazer ou segunda residência. Passou a ocupar, de forma clara, um espaço estratégico dentro da gestão patrimonial de alta renda. 

Na minha leitura, esse movimento está diretamente ligado a uma mudança de mentalidade do investidor do agro. 

Historicamente, o patrimônio esteve concentrado em ativos produtivos: terra, operação e equipamentos. São ativos fundamentais, mas também altamente expostos a variáveis como clima, câmbio e volatilidade de commodities. Em um cenário de forte geração de caixa, faz sentido que esse investidor busque equilíbrio. 

O imóvel urbano de alto padrão entra, então, como um instrumento de diversificação. Trata-se de um ativo tangível, com histórico consistente de valorização e, principalmente, com dinâmica de risco distinta da atividade agrícola. 

Mas há um segundo fator, talvez ainda mais relevante, que ajuda a explicar esse movimento. 

O conceito de luxo mudou. 

Hoje, o valor de um imóvel não está apenas na sua localização e metragem, mas na experiência que ele entrega. Empreendimentos que integram bem-estar, serviços,

hospitalidade e qualidade de vida passam a ocupar um espaço diferente dentro da decisão de investimento. 

Não se trata apenas de adquirir um imóvel, mas de investir em um ativo que também funciona como extensão do estilo de vida. 

Esse é um ponto importante porque conecta duas agendas que, até pouco tempo atrás, caminhavam separadas: patrimônio e qualidade de vida. 

Ao mesmo tempo, não podemos ignorar o contexto macroeconômico. Em ambientes de juros elevados e maior volatilidade, é natural que investidores procurem ativos reais como forma de proteção e preservação de valor. O mercado imobiliário, especialmente em praças consolidadas, cumpre bem esse papel. 

No caso de Balneário Camboriú, há ainda fatores estruturais que reforçam essa atratividade: escassez de espaço, alto padrão construtivo, verticalização e uma percepção crescente de exclusividade. 

O resultado é um mercado que combina valorização com liquidez, duas características fundamentais para quem pensa em alocação de longo prazo. 

Mais do que um movimento pontual, vejo esse fluxo de capital como um sinal de transformação no comportamento da alta renda brasileira. 

O produtor rural segue sendo produtor. Mas passa, cada vez mais, a se posicionar também como investidor, com uma visão mais ampla, diversificada e estratégica do seu patrimônio. 

Nesse contexto, o litoral — e, em especial, mercados como Balneário Camboriú — deixa de ser apenas um destino aspiracional e passa a ocupar um papel concreto dentro das decisões de investimento no Brasil. 

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