Se estivesse vivo, Sigmund Freud provavelmente se surpreenderia ao perceber que os fundamentos de sua investigação sobre a mente humana seguem não apenas atuais, mas cada vez mais aplicados, e agora impulsionados por algoritmos.
Criador da psicanálise, abordagem dedicada a compreender como desejos, emoções e impulsos inconscientes moldam o comportamento, Freud continua influenciando áreas que vão muito além da clínica, chegando ao centro das estratégias de consumo no século 21.
Na era da tecnologia, a lógica permanece: entender o que move as pessoas. A diferença é que, hoje, essa tarefa ganhou escala global, velocidade em tempo real e ferramentas altamente sofisticadas. Não basta mais acumular dados, é preciso interpretá-los com profundidade. E essa interpretação passa, inevitavelmente, pela leitura do comportamento humano.
Algoritmos, inteligência artificial e sistemas preditivos já são capazes de identificar padrões invisíveis ao olhar humano, antecipando decisões a partir de sinais aparentemente simples: cliques, tempo de navegação, histórico de buscas, interações em redes sociais e até o tom de uma conversa.
O resultado é um cenário em que o consumo começa a ser desenhado antes mesmo da escolha consciente do consumidor.
“No fundo, a lógica continua a mesma: entender o que move as pessoas. Só mudaram a escala, a velocidade e as ferramentas”, avalia Vinicius Grecco, gerente de Marketing da Irrah Tech.
Essa mudança de paradigma já tem nome: Marketing 7.0. O conceito, apresentado recentemente por Philip Kotler, considerado o “pai do marketing moderno”, propõe uma evolução do marketing tradicional para um modelo centrado na mente humana.
Mais do que automatizar processos, a proposta é usar a inteligência artificial para compreender emoções, contextos e intenções, antecipando decisões e personalizando experiências em larga escala. Em outras palavras: pensar – e criar – fora da caixa.
Na prática, isso representa uma transformação estrutural. O produto deixa de ser o eixo central e dá lugar à experiência. A pergunta que orienta as estratégias muda de “como vender?” para “que experiência entregar?”.
Nesse novo contexto, preço e produto tendem a se commoditizar rapidamente, enquanto o valor percebido passa a ser definido pela qualidade da jornada vivida pelo consumidor, antes, durante e depois da compra.
Outro pilar é a personalização em escala. Antes restrita a segmentos específicos, como o varejo de luxo, a capacidade de tratar cada cliente de forma individualizada agora se torna viável para empresas de todos os portes.
“Com o uso de inteligência artificial, é possível transformar milhares de interações simultâneas em experiências únicas, respeitando o perfil, o momento e a intenção de cada consumidor”, explica Grecco.
A dinâmica do relacionamento também muda. O marketing deixa de operar em campanhas pontuais e passa a funcionar de maneira contínua, em tempo real.
O consumidor transita entre diferentes canais ao longo da jornada, pesquisa, compara, interage e decide em momentos distintos. Nesse cenário, marcas precisam manter presença constante, integrada e responsiva para não perder relevância.
A integração de canais, aliás, deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico. Para o consumidor, não há mais distinção entre físico e digital, existe apenas a experiência. Cabe às empresas garantir consistência em todos os pontos de contato.
Para viabilizar esse modelo, a tecnologia assume papel estratégico. Plataformas baseadas em inteligência artificial já permitem a criação de agentes digitais capazes de atuar como operários 24 horas por dia. Essas soluções não apenas respondem a clientes, mas também recomendam produtos, conduzem jornadas e executam tarefas ao longo de todo o funil de vendas.
Um exemplo é o GPT Maker, desenvolvido pela Irrah Tech , que possibilita a criação de agentes de IA personalizados conforme as necessidades de cada negócio. Esses agentes são capazes de aprender com as interações, adaptar a comunicação e tomar decisões alinhadas aos objetivos da empresa.
“O Marketing 7.0 propõe um marketing contínuo, baseado em interação e personalização em escala. Sem tecnologia, isso não se sustenta. Ferramentas como o GPT Maker permitem que o marketing deixe de ser algo que se planeja e passe a ser algo que acontece, em tempo real”, afirma o executivo.
Na prática, isso significa que empresas deixam de atuar apenas como vendedoras de produtos e passam a operar como plataformas de conexão, criando relações mais próximas e aumentando o senso de pertencimento do consumidor.
Apesar da sofisticação tecnológica, o Marketing 7.0 reforça um elemento essencial: propósito. Em um ambiente saturado de estímulos, o consumidor não busca apenas eficiência ou conveniência; ele busca significado.
“As marcas precisam ter algo relevante a dizer e, ao mesmo tempo, garantir que isso seja percebido em cada interação. A combinação entre propósito claro e experiência consistente é o que sustenta esse novo modelo. No fim, a tecnologia não substitui a compreensão humana mas a amplifica. E, nesse novo cenário, entender o consumidor deixa de ser vantagem competitiva e passa a ser condição básica para existir”, conclui Grecco.