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Consultoria empresarial ganha espaço entre PMEs

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Foto: Divulgação

A procura por consultorias empresariais tem crescido entre pequenos e médios negócios no Brasil, impulsionada por um ambiente econômico mais desafiador e pela necessidade de decisões mais embasadas.

Esse é um movimento significativo e que reflete uma mudança no comportamento do empreendedor, já que, agora, ele busca por apoio especializado como parte da rotina de gestão e não apenas em momentos de crise. 

Para Kleber Amora, existem três fatores que explicam esse aumento na demanda, cada um direcionado para perfis diferentes.

O primeiro está relacionado ao volume de informação disponível. Nunca foi tão fácil acessar conteúdo sobre gestão, finanças e planejamento, e isso tem tornado os donos de negócio mais conscientes do que precisam fazer. O problema, segundo ele, é que conhecimento e execução são coisas diferentes.

“Os empresários estão muito mais informados do que há cinco ou dez anos. Às vezes, a pessoa não consegue colocar em prática, mas já sabe que precisaria ter aquilo organizado”, afirma.

Essa lacuna entre saber e implementar é, com frequência, o que leva à busca por um consultor.

O segundo fator é contextual. Desde as oscilações provocadas pela pandemia, o mercado brasileiro acumula instabilidade: momentos de alta e baixa, interferências políticas no ambiente de negócios e, mais recentemente, crédito mais caro e escasso. Esse cenário tem cobrado dos estabelecimentos um nível de organização que muitas ainda não têm.

“O dinheiro está caro e o erro ficou mais oneroso também. As organizações precisam buscar eficiência e organização para se manter, e procuram por ajuda especializada”, explica Amora, CEO da Berry.

O terceiro perfil atinge o patamar do negócio que já superou a fase do controle básico e agora enfrenta decisões de outra natureza. O dono enxerga os números, tem alguma estrutura, mas não sabe como transformar essas informações em crescimento.

“As escolhas deixam de ser simples e passam a envolver variáveis muito mais complexas. É nesse estágio que o apoio externo faz sentido de verdade, porque o gestor conhece o que tem, mas não sabe para onde ir com isso”, diz.

Apesar do avanço, ainda há resistência em parte do mercado, que enxerga a contratação de uma consultoria como despesa e não como investimento. Para Amora, essa percepção muda quando o empreendedor começa a ter visibilidade sobre o próprio negócio.

“Mostrar com clareza para o proprietário o que deve ser realizado é um dos pontos mais relevantes do processo. É quando ele entende que agora tem uma empresa de verdade e consegue tomar decisões com base em algo concreto”, afirma.

Para o especialista, o sinal mais claro de que chegou a hora de buscar apoio externo é quando o gestor já está fazendo tudo que consegue e, ainda assim, não atinge os próximos passos.

“Significa que ele chegou no seu limite dentro do próprio negócio. E ninguém deveria ficar preso nesse teto mais tempo do que o necessário”, conclui Amora.

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