O Brasil vive um novo ciclo de expansão da energia solar puxado pela geração distribuída. Segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a micro e minigeração distribuída cresceu 8,85 GW em 2024, com mais de 783 mil novas usinas instaladas em todo o país.
O avanço consolidou a modalidade como uma das principais frentes de transformação da matriz energética brasileira, que já ultrapassa 40 GW de potência instalada e beneficia mais de 5,4 milhões de consumidores.
O Paraná aparece como um dos estados mais estratégicos para o crescimento do setor no Sul do país. Impulsionada pela busca por previsibilidade de custos, autonomia energética e maior segurança no fornecimento elétrico, a geração distribuída avança entre consumidores residenciais, empresas, indústrias e propriedades rurais, fortalecendo também a cadeia regional de integradores, distribuidores e fornecedores de tecnologia solar.
Mais do que uma pauta ligada à sustentabilidade, a energia solar passou a ocupar espaço estratégico na gestão financeira de empresas e consumidores. A geração própria reduz a exposição às oscilações tarifárias e amplia a previsibilidade operacional em um cenário de custos energéticos mais voláteis.
Para Dimael Monteiro, diretor geral da Helte, o avanço da geração distribuída reflete uma mudança no comportamento do mercado energético brasileiro.
“O consumidor deixou de enxergar a energia solar apenas como uma alternativa sustentável e passou a vê-la como uma ferramenta de autonomia energética e proteção financeira. Isso tem acelerado o crescimento da geração distribuída em estados como o Paraná, onde o mercado vem amadurecendo de forma muito consistente”, afirma.
O fortalecimento da cadeia regional também ajuda a explicar o protagonismo do estado. Nos últimos anos, o Paraná passou a concentrar uma rede mais estruturada de integradores, distribuidores e empresas especializadas, ampliando a capacidade de atendimento tanto para projetos residenciais quanto corporativos e industriais.
Empresas como a Helte ganham relevância ao atuar como elo entre fabricantes, integradores e consumidores finais, contribuindo para profissionalizar o setor e acelerar a expansão do mercado solar na região Sul.
“O crescimento da energia solar depende diretamente da capacidade da cadeia de distribuição de acompanhar a demanda com eficiência logística, suporte técnico e acesso a tecnologia. O Paraná hoje reúne características importantes para se consolidar como um hub estratégico do setor no Sul do Brasil”, diz Monteiro.
Além da expansão residencial, o mercado corporativo também vem impulsionando a geração distribuída. Empresas de diferentes portes passaram a incorporar sistemas fotovoltaicos como parte da estratégia de redução de custos operacionais e gestão de risco energético, movimento que deve ganhar força nos próximos anos com o avanço de soluções híbridas e sistemas de armazenamento.
A descentralização da matriz elétrica brasileira também aparece como uma das principais tendências do setor. Ao aproximar geração e consumo, a geração distribuída reduz a pressão sobre a infraestrutura tradicional e amplia a segurança energética, especialmente em regiões com forte crescimento econômico e expansão industrial.
Para a Helte, o cenário indica que a energia solar já deixou de representar um nicho específico para se tornar parte da infraestrutura energética do país.
“O setor entrou em uma nova fase. Hoje existe uma cadeia mais profissionalizada, consumidores mais informados e uma demanda crescente por previsibilidade e independência energética. Isso transforma a geração distribuída em um componente importante da economia regional”, finaliza Dimael.