O Brasil descarta anualmente cerca de 8,57 milhões de toneladas de papel e papelão, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), volume que reflete, em parte, a dependência histórica de processos físicos em diversos setores. Na saúde, onde prontuários, contratos e fichas sempre fizeram parte da operação, esse modelo começa a mudar.
A digitalização da jornada do paciente avança como uma resposta concreta. Reduz o uso de papel, simplifica rotinas e coloca a tecnologia no centro da operação e da experiência de atendimento.
Na OrthoDontic, esse movimento já aparece de forma clara. A adoção de prontuário e contrato digital praticamente eliminou o uso de papel nas unidades. Antes, cada novo paciente demandava, em média, nove folhas de documentação física. Com cerca de 22 mil novos pacientes por mês, o volume acumulado era significativo.
Com a mudança, a rede deixou de consumir mais de 2,3 milhões de folhas por ano. Isso representa cerca de 198 mil folhas por mês, o equivalente a quase 40 caixas de papel ou aproximadamente uma tonelada mensal em documentos que deixaram de existir fisicamente. Se empilhadas, essas folhas chegariam a cerca de 18 a 20 metros de altura, próximo a um prédio de seis a sete andares.
“Hoje, a jornada do paciente na OrthoDontic é essencialmente digital. Saímos de um modelo baseado em papel para uma operação integrada, orientada por dados, que vai do check-in ao acompanhamento clínico. Mas o ponto central não é apenas eficiência, é controle e qualidade. Ao digitalizar, ganhamos rastreabilidade, padronização e, principalmente, a capacidade de medir a experiência do paciente em cada etapa. É isso que sustenta o crescimento com consistência”, afirma Lorraine Marcondes, CEO da OrthoDontic.
Não é só uma mudança operacional. A digitalização ganhou peso estratégico dentro da rede. Menos papel significa menos risco no armazenamento e descarte de dados sensíveis, mais rastreabilidade e mais padronização, pontos críticos em uma operação de grande escala. Hoje, a rede soma cerca de 350 unidades em todo o país.
A redução do papel acaba sendo uma das formas mais concretas de materializar a agenda ESG na rotina da operação, conectando eficiência, governança e responsabilidade ambiental.
A mudança também conversa com uma agenda mais ampla de sustentabilidade. A OrthoDontic integra, desde 2023, o Pacto Global da ONU, iniciativa que reúne empresas comprometidas com princípios nas áreas de direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.
A adesão envolve o alinhamento da estratégia da companhia aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com compromissos de evolução contínua ao longo do tempo. Entre as prioridades estão a promoção da saúde e bem-estar, a igualdade de gênero, o trabalho decente e o consumo responsável, este último diretamente ligado à redução de insumos e ao avanço da digitalização.
Além disso, a empresa vem estruturando a mensuração de suas emissões e a definição de metas ambientais, incluindo a intenção de neutralizar suas emissões até 2030, reforçando o compromisso com a agenda climática.
“A tecnologia entra para facilitar a vida de quem está na ponta, tanto do paciente quanto da equipe. Ela reduz etapas, elimina burocracia e permite que o foco esteja no atendimento e na experiência”, diz Lorraine.
Em um cenário de maior pressão por eficiência e responsabilidade ambiental, a digitalização deixa de ser apenas uma inovação e passa a aparecer de forma concreta na operação, não mais como discurso, mas como prática.