As empresas brasileiras têm investido cada vez mais no desenvolvimento de pessoas. Segundo levantamento da Serasa Experian, 74% das pequenas e médias empresas oferecem algum tipo de capacitação aos colaboradores, movimento associado à busca por maior produtividade, inovação e competitividade.
Apesar desse avanço, desafios como baixa execução, procrastinação, conflitos internos, alta rotatividade, dificuldade de delegar e lideranças pouco preparadas continuam presentes na rotina de muitas organizações. Para especialistas em desenvolvimento humano, isso indica que a dificuldade das empresas nem sempre está na falta de acesso ao conhecimento, mas na capacidade de transformar aprendizado em comportamento.
Com mais de 34 anos de atuação junto a empresários, executivos e equipes, o terapeuta comportamental Saulo Coelho avalia que o mercado atravessa uma mudança na forma de desenvolver lideranças.
Segundo ele, após um período de forte investimento em capacitação técnica e treinamentos motivacionais, cresce o interesse por compreender fatores comportamentais que influenciam a tomada de decisão e a execução.
“O empresário de hoje não sofre por falta de informação. Ele sabe que precisa delegar, desenvolver pessoas, vender melhor, tomar decisões e liderar com mais clareza. O problema é que, quando aparecem a pressão, o medo, o cansaço ou a insegurança, ele volta automaticamente aos comportamentos que sempre teve. É nesse momento que o comportamento influencia os resultados”, afirma.
Na avaliação do especialista, essa mudança acompanha transformações no ambiente corporativo, como equipes multigeracionais, avanços tecnológicos acelerados, excesso de informação, novos modelos de trabalho e mudanças frequentes no mercado.
“O conhecimento continua sendo importante, mas ele não sustenta sozinho uma mudança. A pergunta central é por que uma pessoa que sabe exatamente o que precisa fazer continua repetindo comportamentos que comprometem seus resultados”, diz.
Para Saulo, temas ligados ao comportamento passaram a ocupar espaço mais relevante nas estratégias de desenvolvimento de pessoas porque influenciam aspectos como liderança, tomada de decisão, colaboração entre equipes e adaptação às mudanças organizacionais.
Na avaliação de Saulo, o comportamento tende a ganhar importância nas empresas à medida que organizações buscam fortalecer a cultura interna, melhorar a produtividade e preparar lideranças para ambientes de negócios cada vez mais dinâmicos e competitivos.