Economia PR - MIT REAP Paraná será apresentado oficialmente em Londrina

Pesquisar

MIT REAP Paraná será apresentado oficialmente em Londrina

mit economiapr
Foto: Divulgação

O MIT REAP Paraná, que teve início no ano passado, entrou em uma etapa decisiva. Depois de realizar o diagnóstico do ecossistema regional de inovação, a equipe trabalha agora na definição das ações que poderão aumentar o número de empresas de base científica e tecnológica capazes de crescer, ganhar escala e competir no mercado.

O Regional Entrepreneurship Acceleration Program (REAP), ou Programa de Aceleração do Empreendedorismo Regional, é uma iniciativa do Massachusetts Institute of Technology (MIT), uma das mais reconhecidas universidades de pesquisa dos Estados Unidos. O Paraná integra a 12ª coorte (cohort) do programa — denominação utilizada pelo MIT para cada grupo de regiões participantes.

A estratégia do MIT REAP Paraná não é criar um novo ecossistema, mas fortalecer e integrar o que já existe. Essa é a missão do programa, segundo o Champion (coordenador-geral), Cláudio Leoni Ramos.

“O ecossistema já existe. O que queremos é destravar seus gargalos, melhorar a articulação entre os diversos atores e fazer com que mais projetos consigam chegar ao mercado”, afirma.

No dia 18 de agosto, às 8 horas, o programa será apresentado oficialmente à sociedade civil, com a inauguração de seu escritório em Londrina, a Lake House, localizada na Rua Otaviano Gonçalves Ferreira, 300 – Colonial Londrina.

No evento, também será lançado o Instituto de Desenvolvimento do Empreendedorismo Inovador (IDE), organização que deverá coordenar e dar continuidade às ações desenvolvidas pelo programa nos próximos anos.

O programa reúne universidades, empresas, investidores, empreendedores e representantes do poder público em torno de uma metodologia desenvolvida pelo MIT. O trabalho busca identificar os principais obstáculos do ambiente de inovação e definir intervenções capazes de produzir resultados mensuráveis.

Segundo Ramos, o programa já definiu sua Must Win Battle, conceito utilizado pelo MIT para identificar o principal desafio estratégico que precisa ser enfrentado para destravar o desenvolvimento do ecossistema.

A definição adotada pelo grupo é “o aumento da quantidade de empreendimentos de base científica e tecnológica que consigam crescer econômica e tecnologicamente no Paraná, produzindo resultados mensuráveis”.

De acordo com Ramos, o Estado possui boas pesquisas, startups e iniciativas inovadoras, mas muitas não conseguem ultrapassar as fases iniciais de desenvolvimento.

“O empreendedorismo orientado à inovação pressupõe que essas pesquisas cheguem ao mercado, gerem negócios, empregos e benefícios para a população”, afirma.

Com a definição da Must Win Battle, a equipe agora trabalha na escolha das intervenções consideradas prioritárias. Entre as propostas em estudo estão a criação de um painel permanente de indicadores do ecossistema de inovação, mecanismos para aproximar startups e investidores e um diagnóstico para entender por que empresas inovadoras deixam de crescer ou encerram suas atividades.

O trabalho segue uma metodologia estruturada pelo próprio MIT e é acompanhado de perto pela instituição, explica o project manager do programa, Diego Galiani.

“O MIT acompanha todo o desenvolvimento do trabalho por meio de reuniões periódicas e de entregas que fazemos ao longo de cada fase. Eles analisam o material, dão feedback e orientam os próximos passos”, explica.

Em cada etapa, a equipe prepara três entregas preliminares, um relatório consolidado, uma apresentação e um vídeo de oito minutos com os principais avanços do período. O material é discutido nos workshops internacionais realizados ao longo dos dois anos do programa.

Serão quatro encontros presenciais: três no MIT, em Cambridge, nos Estados Unidos, e um em uma das regiões participantes da atual coorte. Os dois primeiros já foram realizados em Cambridge. Neste ciclo, a Bulgária sediará o terceiro workshop, previsto para janeiro de 2027. O último, de encerramento do programa, será realizado em julho de 2027, nos Estados Unidos.

Para Galiani, o objetivo é que o MIT REAP Paraná deixe estruturas permanentes funcionando depois do encerramento do programa, e não apenas diagnósticos e relatórios. Uma das possibilidades em estudo é a criação de uma Venture Builder, organização que poderá selecionar projetos, oferecer mentorias, preparar empresas para receber investimentos e conectar empreendedores a fundos de capital.

“Queremos que boas ideias não morram antes de chegar ao mercado. A ideia é criar mecanismos que ajudem essas empresas a crescer e ganhar escala”, afirma.

Além das atividades acompanhadas pelo MIT, o programa mantém uma agenda própria de ações locais. Grupos de trabalho reúnem representantes de universidades, empresas e instituições para desenvolver as propostas, enquanto os patrocinadores validam os materiais antes do envio ao MIT.

“O MIT acompanha nossos entregáveis, mas a construção do ecossistema acontece aqui. É um trabalho que depende da articulação entre os atores locais”, diz Galiani.

Além do Paraná, a 12ª coorte do MIT REAP reúne Benim e Bulgária, o estado mexicano de Yucatán, a região de Kano-Jigawa, na Nigéria, e o cantão de Zurique, na Suíça. Os participantes desenvolvem estratégias próprias para fortalecer seus ecossistemas de empreendedorismo e inovação, com base na metodologia do MIT REAP.

A participação brasileira no programa começou com a cidade do Rio de Janeiro, integrante da 8ª coorte, que reuniu Petrobras, governo, prefeitura, universidades e empresas em torno de uma estratégia voltada às áreas de energia e sustentabilidade. Na sequência, o Piauí participou da 9ª coorte, concentrando seus esforços no desenvolvimento da saúde digital.

Segundo Ramos, o MIT REAP Paraná traz uma diferença em relação às experiências anteriores: é o primeiro projeto brasileiro do programa financiado na largada preponderamente pela iniciativa privada.

Os três fundadores e investidores do MIT REAP Paraná são empresários com trajetória consolidada no desenvolvimento de negócios no Norte do Paraná. Mario Marcondes é fundador da Conasa Infraestrutura, empresa com sede em Londrina que atua em concessões e investimentos nos setores de saneamento, energia, iluminação pública e rodovias, com presença em oito estados brasileiros.

Fernando Massi é fundador da OrthoDontic, rede de clínicas de ortodontia criada em Londrina em 2002 e atualmente a maior rede de franquias de ortodontia do Brasil, com mais de 350 unidades. Alfons Gardemann é controlador da PADO, tradicional indústria de cadeados, fechaduras e ferragens instalada em Cambé.

Formado em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Gardemann adquiriu o controle da empresa em 1997 e transferiu seu parque fabril para o Norte do Paraná.

O valor pago ao MIT pela participação no programa de dois anos é de US$ 425 mil.

“Mas há uma série de outros custos que deverão elevar o investimento no programa a cerca de 1 milhão de dólares nos primeiros 36 meses”, afirma Ramos.

Embora a mentoria do MIT REAP Paraná tenha duração de dois anos, a expectativa é que seus efeitos se estendam por muito mais tempo. Para Ramos, o principal objetivo é criar condições para que um número maior de pesquisas e startups consiga percorrer o caminho entre a universidade e o mercado. “

O que buscamos é fazer com que um número muito maior de pesquisas e startups consiga sair dos laboratórios, chegar ao mercado e gerar desenvolvimento econômico para o Paraná”, afirma.

Compartilhe

Leia também

govtech economiapr

Hub GovTech PR acelera 65 startups com soluções para o setor público

civitatis economiapr

Parceria Sebrae/PR e Civitatis leva 69 experiências turísticas à plataforma

aapsa economiapr

AAPSA Conecta RH reúne 300 profissionais em Curitiba em 6 de novembro