Uma profissão pouco conhecida no Brasil no início dos anos 1990 se transformou em uma atividade com atuação internacional para Malosti, especialista em Paintless Dent Repair (PDR), técnica conhecida no país como martelinho de ouro. A trajetória, que passou por mais de 30 países, agora será contada em um livro sobre a evolução do setor e as oportunidades profissionais relacionadas ao reparo de veículos atingidos por granizo.
Antes de ingressar na atividade, Malosti trabalhava no setor de bingos. A mudança de carreira representou uma redução significativa de renda no início, mas abriu caminho para uma atuação especializada no mercado automotivo.
“No começo, não foi fácil. Troquei uma situação financeira mais confortável por uma profissão que praticamente ninguém conhecia no Brasil. Mas nunca me arrependi da decisão de aprender essa técnica e de empreender no setor automotivo.”
Treinado diretamente por Natalio Balderrama, fundador da norte-americana The Dent Wizard, Malosti passou a atuar em diferentes países e desenvolveu uma metodologia própria de trabalho.
“Quando comecei, ninguém imaginava que uma chuva de granizo pudesse movimentar uma estrutura internacional. Hoje, muitas vezes recebemos uma ligação antes mesmo da tempestade terminar. O relógio começa a correr porque milhares de veículos precisam voltar à linha de venda o mais rápido possível.”
Granizo movimenta cadeia de reparação automotiva
A ocorrência de tempestades de granizo também passou a representar um desafio para diferentes segmentos da cadeia automotiva. Além dos proprietários dos veículos, fabricantes, concessionárias, seguradoras e empresas de reparação podem ser afetados pela necessidade de recuperar grandes volumes de automóveis em períodos curtos.
“Uma tempestade pode tirar milhares de carros do mercado em poucas horas, mas não estamos falando apenas de amassados. Envolve logística, seguros, cadeia de suprimentos e bilhões de reais em ativos que precisam voltar a gerar receita.”
Dados sobre eventos climáticos extremos também ajudam a dimensionar o impacto econômico desse tipo de ocorrência. Segundo estudo publicado em 2026 na revista Nature, os prejuízos provocados pelo granizo chegam a cerca de US$ 10 bilhões por ano nos Estados Unidos e aproximadamente US$ 80 bilhões no mundo.
Para o mercado automotivo, um dos desafios é reparar os veículos sem comprometer o acabamento original e o valor comercial. A técnica PDR permite corrigir determinados amassados sem a necessidade de repintura, desde que as condições do dano permitam esse tipo de reparo.
Segundo a Grand View Research, o mercado global de reparação automotiva deve ultrapassar US$ 227 bilhões até 2030. No segmento específico de PDR, projeção da Dataintelo indica potencial de alcançar US$ 7,7 bilhões até 2033.
“Para efeito de comparação, uma grande tempestade pode causar, em poucas horas, mais danos do que meses inteiros de colisões urbanas. O desafio não é apenas reparar o carro, mas preservar seu valor de mercado sem alterar a pintura original.”
Experiência internacional inclui montadoras e competições
Ao longo da carreira, Malosti afirma ter trabalhado em mais de 30 países e realizado serviços para montadoras como Ford, BMW, Mercedes-Benz, Volkswagen, Hyundai e Nissan.
Ele também possui certificações técnicas dos Estados Unidos, incluindo ARC e VALE Training, segundo informações divulgadas pelo profissional.
A experiência internacional levou ainda a convites para atuar como juiz em competições e eventos ligados ao PDR, entre eles a PDR Expo, em Las Vegas; a Dent Olympics, em Orlando; a DB Expo, na Itália; e o Detail Fest Brasil, em Boituva, São Paulo.
Além da atuação profissional, Malosti passou a compartilhar conhecimento por meio de cursos presenciais e online, ebooks e treinamentos técnicos.
Livro registra transformação da atividade
A experiência acumulada no setor motivou a produção de um livro sobre a evolução do PDR e do mercado de reparação de veículos atingidos por granizo.
“Quis registrar a transformação de uma profissão que evoluiu muito mais do que as pessoas imaginam. Muita gente ainda associa o martelinho de ouro a uma pequena oficina, quando, na verdade, hoje estamos falando de uma atividade global, que movimenta grandes projetos, gera trabalho para milhares de profissionais e abre um enorme campo para quem quer se especializar, empreender e construir o próprio negócio.”
Para Malosti, a atividade também pode representar uma alternativa de formação e empreendedorismo para profissionais que buscam ingressar em um segmento especializado.
“O granizo abriu portas que eu jamais imaginava. O livro não fala apenas da minha trajetória, mas da transformação de uma atividade. É uma história sobre técnica, inovação e sobre como o conhecimento brasileiro conquistou espaço lá fora.”
“Quero mostrar que o granizo pode representar uma oportunidade para muita gente. Costumo dizer que é um trabalho que literalmente ‘cai do céu’. Foi ele que transformou a minha vida e pode abrir portas para outras pessoas que buscam uma nova profissão, uma especialização ou uma forma de construir uma carreira sólida. Se eu consegui fazer dessa técnica um negócio global, outras pessoas também podem encontrar nela uma oportunidade de mudar de vida”, conclui.