A inteligência artificial vem transformando praticamente todos os setores da economia, e o recrutamento de profissionais não ficou de fora dessa mudança. Cada vez mais empresas utilizam sistemas conhecidos como ATS (Applicant Tracking System) para organizar currículos, cruzar informações e apoiar recrutadores durante as primeiras etapas dos processos seletivos.
Apesar da popularização dessas ferramentas, ainda existem muitos mitos entre os candidatos. Um dos mais comuns é a ideia de que a inteligência artificial decide, sozinha, quem será contratado ou eliminado de um processo.
O ATS substitui o recrutador?
Segundo Karina Pelanda, gerente de Recrutamento e Seleção da RH NOSSA, essa percepção não corresponde à realidade.
“O ATS não substitui o recrutador. Ele funciona como uma ferramenta de apoio, organizando informações e identificando quais currículos apresentam maior aderência aos requisitos definidos para determinada vaga. A decisão continua sendo feita por pessoas”, explica Pelanda.
Dados da KPMG indicam que, no terceiro quadrimestre do ano anterior, as empresas que utilizavam inteligência artificial ou modelos próprios de ATS saltaram de 11% para 44%. Projeções da Salesforce indicam que, até o final de 2027, espera-se que 80% dos processos de recrutamento e seleção sejam apoiados por ferramentas tecnológicas.
Como adaptar o currículo para os sistemas de triagem
Karina lembra que o sistema compara as informações apresentadas pelo candidato com as competências, experiências e requisitos descritos na vaga. Por isso, currículos genéricos costumam ter desempenho inferior aos documentos personalizados para cada oportunidade.
“Um erro muito comum é utilizar exatamente o mesmo currículo para todas as vagas. Cada posição possui requisitos específicos. Adaptar o currículo utilizando termos relacionados à descrição da vaga facilita a identificação das competências pelo sistema e também ajuda o recrutador na análise. Sem invenção, claro.”
O impacto da IA na rotina dos candidatos
O avanço da inteligência artificial também mudou a rotina dos próprios candidatos. Ferramentas de assistentes virtuais passaram a ser utilizadas para revisar currículos, descrever experiências profissionais e adaptar documentos para diferentes vagas.