A perfumaria representa 27% do volume de negócios do Grupo Boticário, que comercializou aproximadamente 250 unidades por minuto em 2025, segundo dados divulgados pela companhia.
A média equivale a mais de quatro unidades por segundo ou cerca de 400 mil frascos de perfumes e fragrâncias por dia. A escala da categoria tem levado o grupo a ampliar investimentos em pesquisa, tecnologia e desenvolvimento de produtos.
Entre 2024 e 2026, a franquia Eudora EDP, linha de Eau de Parfum da marca, registrou crescimento de 15% em receita e 17% em volume, de acordo com a empresa.
Dentro do portfólio de perfumaria do grupo, Eudora atua em uma faixa de preço anterior às marcas Boticário e O.U.i Paris. A estratégia combina diferentes posicionamentos, intensidades e faixas de consumo dentro da categoria.
Segundo Paulo Roseiro, diretor executivo da Categoria de Perfumaria do Grupo Boticário, a estratégia de inovação envolve pesquisa científica, tecnologia e conhecimento sobre o consumidor brasileiro.
“Liderar uma categoria com a relevância que a perfumaria tem no Brasil exige olhar permanentemente para o futuro. Nosso objetivo é ampliar nossa capacidade de gerar conhecimento proprietário, interpretar movimentos do consumidor e transformar ciência e tecnologia em arte da perfumaria. Inovação, para nós, não acontece de forma isolada: ela nasce da conexão entre diferentes competências e precisa chegar de maneira concreta ao produto e à experiência do consumidor”, afirma.
Pesquisa combina ingredientes, ciência e inteligência olfativa
Entre as estruturas utilizadas pelo grupo está o Projeto Quintana, inaugurado em 2022 e dividido entre Quintana Herbal e Quintana Lab.
Segundo a empresa, o projeto trabalha com cerca de 50 espécies selecionadas por seu potencial olfativo e bioativo. A estrutura permite estudar matérias-primas, métodos de extração e possibilidades de aplicação em produtos.
O trabalho também envolve o Núcleo de Inteligência Olfativa (NIO), formado por 13 avaliadores olfativos e profissionais das áreas de perfumaria, pesquisa e desenvolvimento.
Além da avaliação de fragrâncias, o núcleo participa da construção de territórios criativos das marcas, da curadoria de propostas desenvolvidas com casas de fragrâncias e da manutenção das identidades olfativas.
A companhia combina essas atividades com estudos sobre comportamento do consumidor, percepção de cheiros, desenvolvimento de ingredientes e tecnologias.
Tecnologia desenvolvida em pesquisa chega às fragrâncias
Um dos exemplos apresentados pelo grupo é a Green In®, técnica utilizada para estudar moléculas voláteis liberadas por flores enquanto elas permanecem vivas.
O processo combina a captura dessas moléculas com cultivo e seleção de espécies, análises instrumentais e interpretação de perfumistas e avaliadores olfativos.
Segundo o Grupo Boticário, a técnica foi utilizada no desenvolvimento da assinatura olfativa de Floratta Rose Bouquet, que combina rosa e gardênia.
A companhia também cita outros processos empregados ao longo de sua trajetória, como a enfleurage utilizada no desenvolvimento de Lily e o desenvolvimento de óleo essencial exclusivo para The Blend.
“Uma descoberta só ganha relevância quando conseguimos conectá-la a uma necessidade, a um comportamento ou a uma nova possibilidade criativa. Nosso trabalho é justamente fazer essa ponte: partir de uma pergunta científica, desenvolver conhecimento e encontrar maneiras de transformá-lo em fragrâncias que despertam desejo, identificação e novas experiências para o consumidor”, finaliza Roseiro.
Conhecimento do consumidor brasileiro orienta pesquisa
Além dos processos tecnológicos, a estratégia de inovação considera características específicas do mercado brasileiro de perfumaria.
Hábitos de aplicação, preferências por intensidades e assinaturas olfativas, clima e diversidade cultural estão entre os fatores considerados nas pesquisas e processos de desenvolvimento, segundo a companhia.
O grupo também mantém relações com profissionais e centros internacionais de perfumaria, combinando referências técnicas estrangeiras com conhecimentos desenvolvidos a partir do mercado brasileiro.
A estratégia reúne pesquisa, desenvolvimento de ingredientes, inteligência olfativa e desenvolvimento de produtos com o objetivo de ampliar a capacidade do grupo de criar e lançar novas fragrâncias.