Economia PR - Radares reduzem até 80% os atendimentos a acidentes em rodovias do PR

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Radares reduzem até 80% os atendimentos a acidentes em rodovias do PR

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Foto: Divulgação

Os atendimentos a acidentes na PR-151 caíram 80% após a instalação de radares, passando de 41 para 8 ocorrências no período analisado. No km 259, em Piraí do Sul, nenhum atendimento foi registrado desde a instalação do equipamento. Os números são da concessionária EPR Litoral Pioneiro e foram divulgados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

A instalação de radares costuma reacender o debate sobre multas e arrecadação. Os dados do Paraná incluem outro aspecto da fiscalização eletrônica: a relação com a segurança viária.

Queda de acidentes em outras rodovias do PR

A redução também aparece em outras rodovias administradas pela concessionária. Na PR-407, os atendimentos caíram 70%, de 20 para 6. Na BR-153, a queda foi de 67%, de 15 para 5. No trecho da BR-277 na Serra do Mar, a redução foi de 59%.

Ao todo, 28 radares começaram a ser implantados a partir de agosto de 2025. Eles estão em trechos das BR-153, BR-277 e BR-369 e das PR-092, PR-151 e PR-407.

Fiscalização eletrônica e velocidade

O diretor de Engenharia e Produtos da Pumatronix, Alexandre Krzyzanovski, afirma que o debate costuma se concentrar apenas na aplicação de multas. A Pumatronix é uma empresa brasileira de tecnologias para monitoramento e fiscalização de trânsito.

“Quando se fala em radar, é comum que a primeira associação seja com a multa, mas a fiscalização eletrônica tem uma função muito mais ampla dentro da segurança viária. O objetivo é fazer com que o limite estabelecido para aquele trecho seja efetivamente respeitado. Quando o motorista reduz a velocidade, ele ganha mais tempo para perceber uma situação de risco e reagir, e a própria gravidade de uma eventual colisão tende a ser menor”, explica Alexandre Krzyzanovski.

A relação entre velocidade e gravidade dos acidentes é documentada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo atualização publicada em julho deste ano, cada aumento de 1% na velocidade média está associado a um crescimento de 4% no risco de acidentes fatais. O risco de acidentes graves sobe 3%.

Para pedestres, o impacto é maior. O risco de morte aumenta 4,5 vezes quando a velocidade de impacto passa de 50 km/h para 65 km/h.

Redução começou antes das multas

Segundo a EPR Litoral Pioneiro, a queda nas ocorrências começou ainda no período de testes dos equipamentos. Isso ocorreu antes do início das multas nas rodovias estaduais. Além dos radares, a concessionária reforçou a sinalização horizontal e vertical nos trechos monitorados.

Para Alexandre Krzyzanovski, o comportamento ajuda a explicar por que o debate não deve se limitar ao volume de autuações.

“O equipamento não precisa registrar uma infração para cumprir seu papel. Quando o motorista identifica que existe fiscalização e adequa a velocidade antes de chegar ao ponto monitorado, já existe uma mudança de comportamento. Do ponto de vista da segurança viária, o cenário desejável é justamente aquele em que o radar está operando, mas ninguém precisa ser autuado porque todos estão respeitando o limite”, afirma Alexandre Krzyzanovski.

Os pontos de fiscalização não são definidos de forma aleatória. Em agosto, a concessionária anunciou a instalação de 41 novos radares. Os locais foram definidos com as polícias rodoviárias Federal e Estadual, a partir da análise de trechos com maior risco de acidentes. A ampliação foi aprovada pela ANTT.

Tecnologia vai além da medição de velocidade

A fiscalização eletrônica evoluiu nos últimos anos. Equipamentos ligados a sistemas de processamento de imagens e visão computacional podem identificar e classificar veículos e analisar o fluxo de tráfego. Esses dados ajudam operadores a entender como os trechos são usados e podem complementar outras ferramentas de gestão viária.

A Pumatronix desenvolve no Brasil tecnologias de monitoramento por imagem e sistemas inteligentes de transporte. Elas são usadas em projetos de fiscalização e gestão de tráfego.

“Hoje, a tecnologia permite olhar para a fiscalização como parte de um sistema maior de monitoramento. Além de verificar uma situação específica, é possível gerar dados sobre o comportamento do tráfego e entender padrões ao longo do tempo. Quanto mais informação de qualidade o gestor possui sobre a via, maior é a capacidade de identificar pontos que exigem atenção e planejar intervenções de segurança”, explica Alexandre Krzyzanovski.

Radar não explica sozinho a queda

Os resultados do Paraná não significam que os radares, isoladamente, expliquem toda a redução. A segurança viária envolve também infraestrutura, sinalização, comportamento dos motoristas e outras medidas de engenharia e fiscalização.

O conceito de Sistema Seguro, adotado pela OMS, considera velocidades seguras, vias seguras, veículos seguros e usuários seguros como elementos complementares.

“A fiscalização eletrônica não deve ser entendida como uma solução isolada. Ela faz parte de uma estratégia que envolve engenharia, sinalização, educação e comportamento. O radar acrescenta a capacidade de monitorar continuamente um fator que sabemos estar diretamente relacionado ao risco e à gravidade dos acidentes: a velocidade. Quando esses elementos trabalham em conjunto, a tecnologia deixa de ser vista apenas pelo número de multas e passa a ser compreendida pelo papel que desempenha na segurança da via”, conclui Alexandre Krzyzanovski.

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