Economia PR - Só 14% das empresas no Brasil usam agentes de IA em nível avançado

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Só 14% das empresas no Brasil usam agentes de IA em nível avançado

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Foto: pvproductions/magnific

A Gestran, empresa brasileira de tecnologia para gestão de frotas, lançou a Gi, agente de inteligência artificial (IA) integrada ao Gestran Frota. O recurso responde, em linguagem natural, a perguntas sobre a frota. A ferramenta consulta e interpreta os dados já registrados no sistema.

Como a IA acessa os dados da frota

O gestor pode perguntar, por exemplo, quais foram os cinco veículos com maior custo. Também pode saber quanto cada um rodou, quantas ordens de serviço teve e qual foi o gasto com peças. Dependendo de como os dados estão organizados, essas respostas exigem busca de relatórios, aplicação de filtros e cruzamento de informações.

Nesse processo, a IA muda principalmente a forma de acessar e explorar os dados. O gestor começa com uma pergunta e aprofunda a análise conforme surgem novas informações.

Ao identificar os veículos com maior gasto de combustível, ele pode avançar para o custo por quilômetro. Também pode comparar períodos, investigar unidades fora do padrão e reunir os resultados em uma planilha.

“Uma empresa registra diariamente abastecimentos, despesas, manutenções, pneus, checklists, documentos, compras e informações sobre os veículos. O ponto é conseguir transformar esse volume de dados em respostas úteis, sem que cada dúvida exija uma nova análise manual”, afirma Paulo Raymundi, CEO da Gestran.

A Gi permite que o gestor faça perguntas como faria a alguém da equipe. Não é preciso usar comandos específicos nem procurar a informação em menus e relatórios. A partir da resposta, a consulta pode continuar.

“Quando uma informação não depende mais de uma busca demorada, ela passa a fazer parte da rotina com muito mais naturalidade. O ganho está em tirar pequenas barreiras do caminho para que a equipe consiga trabalhar melhor com aquilo que já tem à disposição”, avalia Paulo Raymundi.

Formatos de resposta e velocidade na decisão

A informação pode ser apresentada de formas diferentes, conforme a necessidade do gestor.

“Além da resposta em texto, os dados podem ser organizados em gráficos ou exportados para Excel e CSV, o que permite levar aquela análise para outras etapas da gestão”, explica Paulo Raymundi.

Para o executivo, o foco é facilitar o acesso às informações que a empresa já possui.

“A mudança principal não está na coleta de dados; isso o setor já fazia. Está na velocidade entre ter uma pergunta e ter uma resposta confiável”, afirma Paulo Raymundi.

Adoção de agentes de IA ainda é limitada

Segundo Raphael Aguiar, sócio e diretor da Gestran, apenas 15% das empresas do setor atingem o objetivo de gestão de frota. Controle, custos e segurança estão entre as principais demandas dos clientes. A declaração foi dada durante o evento Frotas Conectadas, realizado em agosto de 2026.

No Brasil, pesquisa da Live University/Inbrasc mostra que 88% das empresas já usam IA generativa. Apenas 14% estão em estágio avançado no uso de agentes de IA para análises e previsões.

Fora do Brasil, o desafio é conectar as diferentes áreas da operação. Em pesquisa da PwC com líderes de operações e supply chain, 83% acreditam que agentes de IA e automação podem ajudar nesse processo. Só 27% dizem ter uma estratégia de IA totalmente integrada às unidades do negócio.

A qualidade das informações também pesa. Para 87% dos entrevistados, ela limita os resultados das iniciativas digitais. Apenas 37% se sentem confortáveis em delegar processos inteiros a agentes de IA.

“A tecnologia sempre foi muito boa em registrar o que aconteceu. O que muda agora é a possibilidade de colocar esse histórico para trabalhar durante a tomada de decisão. O gestor não precisa esperar o fechamento do mês para descobrir que alguma coisa saiu do padrão. Ele pode investigar a situação enquanto ela está acontecendo e decidir se precisa agir”, diz Paulo Raymundi.

Novas regras da ANTT ampliam o volume de dados

As novas regras da ANTT aumentaram o volume de informações sobre cada operação de transporte. Desde maio de 2026, o CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte) é obrigatório no transporte rodoviário remunerado de cargas. O registro reúne dados como contratante, transportador e veículo, o que permite acompanhar melhor cada operação.

“Com mais informações registradas sobre as operações, o gestor também precisa conseguir consultar esses dados com facilidade. A Gi ajuda nessa etapa, trazendo as informações solicitadas sem alterar os registros do sistema ou executar alguma ação”, conta Paulo Raymundi.

Reflexos para quem está na estrada

O usuário da Gi é o gestor. As decisões tomadas a partir das informações, porém, chegam ao pátio, à oficina e à estrada. Uma alteração na programação, a antecipação de uma manutenção ou a retirada de um veículo de circulação podem mudar a rotina de quem está ao volante.

“Um veículo parado pode exigir uma mudança de escala, uma reorganização da programação ou até uma alteração de rota. Por isso, quanto antes o gestor entende o que está acontecendo, mais alternativas ele tem para reorganizar a operação e reduzir o impacto para quem está na estrada”, afirma Paulo Raymundi.

A ociosidade é um dos pontos que podem ser investigados com esse tipo de consulta. Ao perguntar quais veículos estão parados e há quanto tempo, o gestor entende a capacidade disponível. Também avalia os impactos na programação da frota.

Paulo Raymundi esclarece que a Gi não executa decisões. A ferramenta consulta e interpreta as informações disponíveis, mas não altera registros, não cria ordens de serviço nem realiza outras operações no sistema.

“A IA entra para encurtar esse caminho. Ela não conhece a operação melhor do que quem está nela todos os dias, mas pode ajudar esse profissional a chegar mais rápido ao ponto que precisa avaliar”, conclui Paulo Raymundi.

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