A busca dos consumidores por crédito cresceu em todos os estados da Região Sul no acumulado dos últimos 12 meses até agosto de 2026. O Paraná teve alta de 18,5%, segundo o Indicador de Demanda dos Consumidores por Crédito da Serasa Experian.
O Rio Grande do Sul registrou a maior variação da região, de 24,8%. Santa Catarina teve avanço de 13,1%.
Cenário nacional da busca por crédito
No Brasil, a procura por crédito cresceu 16,5% no acumulado dos últimos 12 meses até agosto. Os consumidores com renda de 1 a 2 salários mínimos tiveram a maior alta, de 41,0%.
Na sequência aparecem as faixas de renda de até 1 salário mínimo (14,1%), de 5 a 10 salários mínimos (12,0%) e acima de 10 salários mínimos (7,0%).
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, avalia que a composição da demanda mostra diferenças importantes entre as faixas de renda.
“Mesmo com uma perda de ritmo do indicador agregado, a procura por crédito permanece muito elevada entre os consumidores com renda de 1 a 2 salários mínimos. Esse comportamento reforça que, para uma parcela importante das famílias de menor renda, o crédito continua tendo um papel relevante na administração do orçamento e das despesas do dia a dia. Ao mesmo tempo, o mercado segue operando com juros elevados e concessão mais criteriosa, especialmente nas modalidades de menor custo, enquanto linhas rotativas, que possuem taxas significativamente mais altas, continuam sendo acessadas por parte desses consumidores. É uma combinação que exige cautela, principalmente diante dos níveis ainda elevados de inadimplência e comprometimento da renda”, analisa Camila Abdelmalack.
Mato Grosso lidera entre os estados
A procura por crédito cresceu em todas as unidades da federação no acumulado de 12 meses até agosto. Mato Grosso lidera o ranking nacional, com 36,3%. Acre (27,5%) e Amapá (26,2%) aparecem na sequência.
Também se destacaram Rio Grande do Sul (24,8%), Roraima (24,2%) e Mato Grosso do Sul (22,9%). Os menores crescimentos foram no Distrito Federal (11,2%), em São Paulo (11,8%) e no Rio de Janeiro (11,9%).
Variação anual desacelera para 5,5%
Na comparação entre agosto de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a demanda por crédito cresceu 5,5%. Os consumidores com renda de 1 a 2 salários mínimos tiveram alta de 43,9%.
As demais faixas registraram queda:
- acima de 10 salários mínimos: -23,1%;
- de 5 a 10 salários mínimos: -14,5%;
- até 1 salário mínimo: -9,8%;
- de 2 a 5 salários mínimos: -1,1%.
Para Camila Abdelmalack, o acumulado em 12 meses segue resiliente, mas a comparação anual indicou desaceleração mais intensa em agosto.
“O resultado sugere uma perda de fôlego pontual frente ao ritmo observado nos meses anteriores, embora ainda seja cedo para afirmar que esse movimento representa uma mudança mais persistente no comportamento dos consumidores”, explica Camila Abdelmalack.
Como o indicador é calculado
O Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito é construído a partir de uma amostra de CPFs consultados mensalmente na base de dados da Serasa Experian. As consultas ocorrem em processos de avaliação para concessão de crédito.
O indicador mede a intenção ou a busca por crédito. Isso não significa que a operação tenha sido aprovada ou contratada.
A quantidade de CPFs consultados em transações que configuram relação creditícia é transformada em número índice, com média de 2024 igual a 100. Os dados são segmentados por unidade da federação e por classe de rendimento mensal.