O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já aprovou R$ 4,6 bilhões em crédito do Plano Brasil Soberano para empresas do Paraná. O volume vale desde a abertura do programa, em setembro de 2025.
Em todo o Brasil, foram aprovados R$ 32,6 bilhões. Na região Sul, o total chega a R$ 12,9 bilhões.
“O Brasil Soberano é uma resposta do Estado brasileiro à altura dos desafios impostos pelo tarifaço e pelas tensões geopolíticas. Ao garantir crédito e condições para que as empresas atravessem esse momento, o programa protege empregos, preserva cadeias produtivas e assegura que o país siga crescendo com autonomia”, afirma Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Programa já teve três etapas
O Plano Brasil Soberano teve até agora três etapas. A primeira foi lançada em setembro de 2025, para apoiar empresas afetadas pelas tarifas impostas unilateralmente pelo governo dos Estados Unidos.
Em março deste ano, o programa foi ampliado. A etapa passou a atender empresas exportadoras e aquelas relevantes para a balança comercial diante de razões geopolíticas e de instabilidade internacional. Entram nesse grupo as afetadas pela guerra no Oriente Médio e as que ainda enfrentam as tarifas dos EUA.
A terceira etapa foi lançada em julho e amplia o rol de setores com direito ao crédito. O orçamento total é de R$ 22,6 bilhões. Desse valor, R$ 13,5 bilhões vêm do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões são recursos próprios do BNDES.
Terceira fase soma R$ 2 bi em propostas no PR
A terceira fase, chamada de Soberano III, já recebeu R$ 2 bilhões em propostas de crédito de empresas do Paraná. Em todo o país, as propostas somam R$ 14,1 bilhões.
Os pedidos do PR se dividem entre quatro finalidades:
- R$ 1,2 bilhão para capital de giro;
- R$ 778,2 milhões para capital de giro para exportação;
- R$ 34,7 milhões para aquisição de máquinas e equipamentos;
- R$ 61,3 milhões para projetos de investimentos.
Do total solicitado no PR, R$ 978 milhões já foram aprovados nesta fase. No país, as aprovações somam R$ 5,4 bilhões.
Para o grupo um, formado por empresas afetadas pelas tarifas dos EUA e seus fornecedores, foram aprovados R$ 2 bilhões. Para o grupo dois, de setores industriais relevantes, a aprovação foi de R$ 1,5 bilhão. Esse grupo inclui os setores têxtil, químico, farmacêutico, de minerais estratégicos e de fertilizantes, entre outros.
Para o grupo três, o BNDES já aprovou R$ 1,4 bilhão. O grupo reúne empresas e fornecedores que exportam para países do Golfo Pérsico: Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã.
Linhas de crédito disponíveis
As linhas de financiamento abrangem capital de giro, capital de giro para exportação, aquisição de máquinas e equipamentos e projetos de investimentos. Esses projetos podem ampliar a capacidade produtiva, promover inovação tecnológica ou adaptar produtos e processos, entre outras hipóteses.
As hipóteses são definidas pelos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Quem tem direito ao crédito
Três grupos de empresas têm direito ao crédito. As regras estão na Portaria Interministerial MDIC/MF 171/2026, com as alterações da Portaria Interministerial MDIC/MF nº 194/2026.
No grupo um estão empresas e fornecedores afetados pelas tarifas dos EUA. São elegíveis aquelas em que a exportação desses produtos para os EUA representou 1% ou mais do faturamento bruto. O período de apuração vai de 1º de julho de 2024 a 30 de junho de 2025.
O grupo dois reúne empresas de setores industriais relevantes para o comércio exterior brasileiro. Entram os de média, média-alta ou alta intensidade tecnológica. Também entram os setores estratégicos para adaptação ou modernização produtiva em função de acordos comerciais, ou para a transição a uma economia de baixo carbono.
Integram esse grupo empresas dos ramos têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, de máquinas e equipamentos e de minerais críticos. Valem ainda os demais setores cujos CNAEs (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) constam no Anexo I da Portaria Interministerial MF/MDIC nº 171/2026.
No grupo três estão exportadoras e fornecedoras para países do Golfo Pérsico. São elegíveis aquelas em que as exportações representaram 1% ou mais do faturamento bruto. O período de apuração vai de 1º de janeiro de 2025 a 31 de dezembro de 2025.
Como solicitar o crédito
As empresas dos grupos um e três devem verificar a elegibilidade na plataforma do Brasil Soberano. A autenticação é feita pelo GOV.BR, exclusivamente com o certificado digital da empresa.
A elegibilidade do grupo dois é verificada por três critérios: cadastro do CNPJ do cliente final na Receita Federal, CNAE primário ou secundário contemplado no Anexo I da Portaria MDIC/MF nº 171/2026 e suas alterações.