Economia PR - Só 1,83% dos alertas de desastres por SMS no Brasil são completos

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Só 1,83% dos alertas de desastres por SMS no Brasil são completos

Foto: wirestock/magnific

Um estudo da PUCPR analisou 73.701 mensagens de texto (SMS) de alerta enviadas pela defesa civil à população brasileira. Apenas 1,83% continham todos os elementos considerados essenciais para uma comunicação eficaz.

As mensagens foram emitidas entre 1º de janeiro de 2018 e 31 de dezembro de 2023. A análise foi feita pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Segundo o material, as mudanças climáticas têm aumentado a frequência, a duração e a intensidade de eventos climáticos extremos no país.

Cinco elementos de um alerta eficaz

Os pesquisadores usaram o Warning Response Model (Modelo de Resposta a Alertas). Pelo modelo, um alerta eficaz deve ter cinco elementos: fonte oficial, identificação do perigo, localização geográfica, orientação de ação preventiva e janela temporal (início e duração).

A mensagem deve informar quem emite o alerta, qual é o perigo e onde ele pode ocorrer. Também deve dizer o que a população deve fazer e em que período a situação deve ocorrer. Informações sobre possíveis impactos ajudam a entender as consequências esperadas.

Perigo e danos: o que faltou nas mensagens

Todas as mensagens (100%) identificavam a fonte, e 99% mencionavam o tipo de perigo. Apenas 7,7% explicavam os potenciais danos.

Há diferença entre informar que há chuva intensa e explicar que o evento pode causar alagamentos, interrupção de vias, queda de árvores, interrupção de serviços ou risco à vida.

Localização e orientações

Cerca de 82,5% das mensagens traziam algum tipo de localização. Em 57,8% dos casos, ela se limitava ao município, e em 20,8%, a uma região. Apenas 5,9% indicavam um local específico.

Essa informação permite que as pessoas avaliem a proximidade em relação ao perigo.

Cerca de 89,6% das mensagens traziam alguma orientação, mas as recomendações eram frequentemente genéricas. Evitar áreas de risco e procurar autoridades eram as mais comuns.

Para os pesquisadores, a comunicação precisa evoluir de orientações genéricas para ações específicas, compreensíveis e executáveis. Elas devem ser adaptadas à população, como pessoas idosas, pessoas com deficiência e comunidades com menos acesso à informação e a serviços de emergência.

Datas e horários de início e término

Cerca de 24% das mensagens indicavam a data de início do evento. Somente 9% informavam a data de término.

Quanto aos horários, 79,5% traziam o de início e 32,9% o de término.

“Não basta enviar um alerta. Ao receber uma mensagem, a pessoa precisa conseguir identificar se está em risco, entender o que está acontecendo, saber onde o evento pode ocorrer, o que deve fazer e por quanto tempo precisa permanecer em alerta. Quanto mais clara e específica for a mensagem, maiores são as condições para que ela seja compreendida e utilizada na tomada de decisão”, explica Luciene Pimentel da Silva, professora e pesquisadora da PUCPR, uma das responsáveis pelo estudo.

Diferenças entre os estados

A proporção de mensagens completas variou entre os estados. Santa Catarina teve 11,8% e o Rio Grande do Sul, 11,5%. Minas Gerais e Goiás tiveram 0,1% cada.

Os percentuais correspondem às mensagens completas dentro do conjunto de cada estado. Isoladamente, não avaliam a capacidade dos órgãos estaduais de proteção e defesa civil.

Chuvas intensas lideram os registros

A maioria das mensagens tratava de chuvas intensas (73,6%). Em seguida vieram baixa umidade do ar (8,5%) e granizo (4,2%).

A primavera e o verão concentraram 72,5% dos registros. Janeiro (15,9%) e dezembro (13,4%) foram os meses com mais mensagens.

Limite de 160 caracteres e canais múltiplos

A limitação tradicional de 160 caracteres do SMS é um dos desafios para incluir informações mais completas, segundo os pesquisadores. O estudo recomenda combinar canais de comunicação, de acordo com as características e limitações de cada um.

Além do SMS, tecnologias como Cell Broadcast, aplicativos de mensagens e sistemas locais podem compor uma estratégia multicanal.

“Não existe necessariamente um único canal capaz de atender a todas as situações. Um sistema multicanal precisa considerar as características da população, incluindo diferentes níveis de alfabetização e acesso à informação, a presença de pessoas idosas, pessoas com deficiência e outros grupos que podem enfrentar barreiras de comunicação; as características do território; os meios de comunicação disponíveis e acessíveis; e a dinâmica do fenômeno. Um evento de evolução muito rápida pode exigir uma comunicação imediata e redundante, enquanto eventos de evolução mais lenta podem demandar atualizações sucessivas, acompanhamento da situação e orientações progressivas”, destaca Murilo Noli da Fonseca, pesquisador e um dos responsáveis pelo estudo.

Capacitação e educação da população

O estudo destaca a importância de capacitar os profissionais que elaboram e divulgam os alertas. Protocolos e modelos de mensagens podem ajudar a incluir as informações essenciais mesmo em situações de pressão e emergência.

Campanhas educativas, reuniões comunitárias, treinamentos e simulações também ajudam a população. Elas permitem reconhecer os tipos de alerta, compreender as orientações e saber com antecedência como agir.

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