Economia PR - Compra da 4Bio por R$ 600 mi mostra novo mapa do M&A em saúde

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Compra da 4Bio por R$ 600 mi mostra novo mapa do M&A em saúde

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Foto: magnific

Em março de 2026, a Profarma, distribuidora farmacêutica, anunciou a compra da 4Bio por R$ 600 milhões. A operação foi concluída em maio e marca a volta da compradora ao mercado de medicamentos especiais e de alta complexidade.

A 4Bio pertencia à RD Saúde, grupo que reúne as redes Raia e Drogasil. Para a Profarma, a aquisição acelerou uma entrada que levaria mais tempo para ser construída de forma orgânica.

O que a 4Bio oferece à Profarma

A empresa já tinha clientes, estrutura, conhecimento regulatório e posição consolidada no segmento. Fundada em 2004, atende hospitais, clínicas, operadoras, profissionais de saúde e pacientes, e tem quatro centros de distribuição.

A 4Bio faturou R$ 3,4 bilhões nos 12 meses encerrados em setembro de 2025, com crescimento médio anual de 15% desde 2023.

M&A em saúde cresce em 2026

O valor das operações de M&A em saúde, ciências da vida e bem-estar chegou a R$ 37,9 bilhões no primeiro semestre de 2026. A alta é de 506,9% sobre o mesmo período de 2025, segundo a KPMG.

“Esse tende a ser um dos vetores do M&A em saúde: a disputa não necessariamente será por qualquer empresa que esteja crescendo, mas por ativos capazes de encurtar caminhos estratégicos. Quanto mais difícil, caro ou demorado for construir organicamente aquilo que uma companhia já possui, seja acesso a clientes, estrutura regulatória, canais de distribuição ou conhecimento especializado, maior pode ser o interesse de compradores que precisam acelerar sua entrada ou expansão em determinado segmento”, avalia Jefferson Nesello, sócio-diretor da Zaxo M&A Partners.

A Zaxo é uma boutique especializada em fusões e aquisições que já participou de mais de 140 projetos, com mais de R$ 7,5 bilhões em transações estruturadas.

Quais ativos estão em disputa na saúde

Na saúde, esses ativos podem ser uma fábrica certificada, registros sanitários, medicamentos de maior complexidade, tecnologia, distribuição, relacionamento com hospitais ou varejo e conhecimento regulatório. São capacidades que não podem ser reproduzidas rapidamente apenas com dinheiro.

Ao adquiri-las, afirma o executivo, o comprador ganha uma variável relevante: o tempo, com a aceleração dos projetos.

Produção nacional e investimento público

A produção nacional também aumenta a procura por esses ativos. A política industrial brasileira definiu como meta elevar a produção local de bens e insumos estratégicos de saúde de cerca de 45% para 50% até 2026 e 70% até 2033, segundo o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O banco aprovou R$ 1,9 bilhão para o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). Desse total, R$ 1,25 bilhão vão para a indústria farmacêutica, R$ 316 milhões para dispositivos médicos e R$ 377 milhões para serviços de saúde.

No setor farmacêutico, o Brasil concentra parcela relevante dos negócios da região. Levantamento da Kearney mostra que metade das 14 operações na América Latina até meados de 2026 ocorreu no país.

O valor médio das transações brasileiras chegou a cerca de US$ 100 milhões, acima da média regional de US$ 60 milhões.

Por que a demanda por M&A em saúde deve continuar

O envelhecimento da população aumenta a demanda, novas terapias tornam os tratamentos mais complexos, a regulação exige investimentos contínuos e a indústria precisa ampliar sua capacidade.

O Brasil tem cerca de 25 milhões de pessoas com 65 anos ou mais. Segundo projeções do IBGE, o grupo deve chegar perto de 50 milhões em 2050.

“Mais gente consumindo saúde significa maior necessidade de investimento em capacidade, tecnologia e estrutura. Para muitas empresas, o M&A é uma forma de crescer mais rápido”, diz Jefferson Nesello.

O país também tem grande quantidade de empresas independentes e familiares. Muitas construíram negócios sólidos, mas chegam a uma fase em que precisam de capital para crescer, enfrentar sucessão ou ganhar escala.

Cristália e Takeda: exemplo de compra de capacidade

A aquisição da Takeda pelo Cristália ilustra essa estratégia. A empresa assumiu o parque fabril da farmacêutica em Jaguariúna (SP), já equipado e certificado pela Anvisa, para ampliar a produção de medicamentos sólidos. O valor da operação não foi divulgado.

“Existe uma assimetria interessante no middle market: de um lado, empresas maiores precisam de novas capacidades; de outro, negócios bem construídos precisam de capital ou de um parceiro para dar o próximo passo. É quando surgem muitos dos melhores negócios”, comenta Jefferson Nesello.

Como se preparar para uma operação de M&A

Segundo o executivo, a preparação ganha importância para empresários da saúde que consideram algum movimento de M&A nos próximos anos.

“Quem pretende buscar um sócio, captar recursos, realizar uma aquisição ou até vender a empresa não deveria começar a se organizar apenas quando a oportunidade aparece. Governança, informações financeiras confiáveis, processos bem estruturados e clareza sobre a estratégia ajudam a ampliar as alternativas do empresário e a conduzir uma eventual transação em melhores condições. Para quem está do outro lado da mesa, esse nível de preparação também facilita a análise do negócio e reduz incertezas durante o processo”, conclui Jefferson Nesello.

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