Economia PR - Condomínios viram ponto de venda e levam varejo à rotina do morador

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Condomínios viram ponto de venda e levam varejo à rotina do morador

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Foto: Divulgação

Condomínios residenciais começam a receber pontos de venda e serviços que antes ficavam em ruas e centros comerciais. O movimento acompanha consumidores que combinam canais e formatos de compra. Mercados autônomos, como os da Eko Market, estão entre os modelos que ocupam esses espaços.

Consumidor combina canais e formatos

Análise da McKinsey publicada em 18 de setembro de 2026 indica que o consumidor brasileiro passou a combinar canais e formatos. Ele escolhe de forma mais deliberada onde resolver cada necessidade de compra.

O estudo também aponta mudanças nos lares, como famílias menores, novos arranjos e envelhecimento da população. Esses fatores ajudam a redesenhar o que se compra, em que quantidade, onde e com que frequência.

Proximidade pesa na escolha do local de compra

Pesquisa da CNDL, SPC Brasil e Sebrae mostra que 77% dos entrevistados fazem a maior parte das compras perto de casa. Itens de supermercado estão entre os mais adquiridos nesse entorno, citados por 81%. O levantamento foi divulgado em julho de 2026 e compara os resultados com uma edição de 2017.

Conforto e comodidade são citados por 20% como principal razão da preferência. Outros 20% mencionam agilidade e facilidade. Acessibilidade e localização aparecem na sequência, com 17%.

Esses movimentos ajudam a explicar o avanço de modelos que levam o varejo para dentro dos próprios empreendimentos residenciais.

“O varejo está se aproximando cada vez mais da rotina do consumidor. Quando você coloca um ponto de venda dentro de um condomínio, não está apenas levando produtos para perto das pessoas. Está inserindo a compra em um espaço que elas já frequentam todos os dias”, explica Luciane Gomes, sócia fundadora da Eko Market, rede de mercados autônomos.

Consumidor não compra tudo no mesmo lugar

A mudança não significa que o condomínio substitua supermercados ou outros estabelecimentos. A tendência é que formatos diferentes atendam ocasiões de consumo diferentes.

Uma compra maior pode continuar sendo feita no supermercado. Produtos de reposição, itens de última hora ou necessidades específicas podem ser resolvidos em um ponto de venda mais próximo.

A McKinsey também identifica a fragmentação da jornada de compra. Segundo a análise, o consumidor compra menos itens por visita, aumenta a frequência e transita entre diferentes canais. Em 2025, metade dos consumidores analisados usou mais de oito canais de compra.

Nesse cenário, os mercados autônomos instalados em condomínios buscam atender compras de conveniência e reposição. O morador não precisa deixar o empreendimento.

“O consumidor não escolhe necessariamente um único lugar para fazer todas as compras. Ele combina opções de acordo com o que precisa naquele momento. O desafio do varejo é entender essas diferentes ocasiões de consumo e estar presente onde a necessidade acontece”, afirma Luciane.

Mercado precisa se adaptar a cada condomínio

A instalação de um ponto de venda em um empreendimento muda a lógica tradicional do varejo. Em vez de um modelo único, a operação precisa considerar as características de cada comunidade.

Número de moradores, composição dos apartamentos, faixa etária, rotina e hábitos de consumo podem influenciar a escolha dos produtos. Esses fatores também afetam o funcionamento da unidade.

Na Eko Market, a definição do mix considera as características de cada empreendimento. O comportamento de compra observado após a abertura pode orientar ajustes na oferta.

“O condomínio não é um público único. Cada empreendimento tem uma dinâmica própria. Por isso, não faz sentido simplesmente instalar o mesmo mercado em todos os lugares. O mix precisa conversar com aquela comunidade e pode ser ajustado conforme o comportamento de compra”, explica Luciane.

Do ponto de passagem ao ponto de consumo

O varejo de proximidade era associado principalmente às lojas de rua dos bairros. Agora, o modelo passa a ocupar espaços privados, onde já existem uma comunidade de consumidores e uma rotina de circulação.

A análise mais recente da McKinsey aponta que a competição no varejo alimentar se organiza cada vez mais em torno de “missões de compra”. Os formatos tradicionais ampliam suas propostas para capturar ocasiões distintas de consumo.

Nesse contexto, o condomínio continua sendo o lugar onde as pessoas moram. Também pode se tornar um dos espaços onde elas compram e resolvem necessidades do cotidiano.

“Quando o varejo entende que proximidade não é apenas distância física, mas também conveniência e facilidade, o condomínio passa a ser um espaço com potencial próprio. É uma mudança na maneira de pensar onde uma venda acontece e como o consumidor chega até ela”, conclui Luciane Gomes.

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