Economia PR - Startup do PR já fez 1.826 análises de microbiota e atua em 9 estados

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Startup do PR já fez 1.826 análises de microbiota e atua em 9 estados

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Foto: Divulgação/GoGenetic

A GoGenetic, deeptech paranaense residente da HOTMILK, hub de inovação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), desenvolveu uma solução de sequenciamento de DNA de nova geração (NGS) para mapear bactérias e fungos presentes no intestino e na região vaginal. A empresa já realizou 1.826 análises e tem parceiros em nove estados.

A tecnologia transforma informações genéticas desses microrganismos em dados que podem auxiliar médicos e nutricionistas na avaliação individual de pacientes. A empresa afirma que conhecer a composição da microbiota pode acrescentar informações à investigação de sintomas persistentes, desequilíbrios e respostas insuficientes a determinadas estratégias de tratamento.

Como funciona a análise

O exame é feito a partir de amostras coletadas pelo próprio paciente em casa. No laboratório, o material passa pelo sequenciamento de duas regiões genéticas: o 16S rRNA, usado para identificar bactérias, e o ITS1, direcionado à identificação de fungos.

A análise conjunta amplia o mapeamento do microbioma. Ela inclui fungos, como espécies do gênero Candida, que também fazem parte do ecossistema microbiano intestinal e vaginal.

No microbioma intestinal, o laudo apresenta a composição da microbiota, o enterotipo, potenciais patógenos, a presença de probióticos e de microrganismos associados a processos anti-inflamatórios.

Também traz perfis relacionados à produção de vitaminas e a determinadas características metabólicas. Na análise vaginal, são identificadas as bactérias e os fungos presentes, além de microrganismos considerados inoportunos.

“Durante muito tempo, muitas condutas de saúde foram construídas a partir de médias populacionais. Mas cada indivíduo possui um ecossistema microbiano próprio. Nosso trabalho é transformar essa complexidade genética em informações que possam ser interpretadas pelos profissionais e contribuir para estratégias mais individualizadas”, afirma Michelle Zibetti Tadra, CEO da GoGenetic.

A análise é um exame complementar e não substitui diagnóstico ou acompanhamento médico. Ela fornece dados adicionais para apoiar a interpretação clínica, o acompanhamento de tratamentos e estratégias de modulação da microbiota.

Aplicação na rotina clínica

A tecnologia já começou a ser incorporada à rotina de profissionais de saúde. A nutricionista Renata Aleixo, parceira da GoGenetic You, passou a usar as análises de microbiota em seus protocolos de acompanhamento.

Segundo a profissional, os dados dos exames ampliaram as estratégias nutricionais com os pacientes e permitiram agregar novos serviços ao atendimento. Em cinco meses, o ticket médio passou de R$ 300 para R$ 2.999, resultado associado por ela à ampliação e à valorização dos serviços.

A GoGenetic já realizou 1.826 análises: 1.495 de microbioma intestinal, 125 de microbioma vaginal e 206 nutrigenéticas. A empresa mantém uma rede de 61 nutricionistas, médicos e clínicas parceiros em nove estados.

“Quando uma tecnologia desenvolvida a partir de pesquisa científica começa a gerar aplicações concretas em saúde, o ecossistema passa a ter um papel importante em criar as conexões que permitem essa evolução. A presença da GoGenetic na HOTMILK aproxima a empresa de pesquisadores, profissionais e outros atores que podem contribuir para transformar seus dados e descobertas em novas soluções”, afirma Marcelo Moura, diretor da HOTMILK.

Além da aplicação clínica, a empresa participa de projetos de pesquisa com a professora Regina, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. As iniciativas incluem o microbioma infantil, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e estudos sobre o microbioma vaginal.

“Esses resultados mostram que existe uma demanda concreta por ferramentas capazes de transformar o conhecimento sobre a microbiota em informação útil para a prática clínica. Ao mesmo tempo, a aproximação com a pesquisa científica é fundamental para avançarmos na compreensão de como esses microrganismos se relacionam com diferentes condições de saúde. Nosso próximo desafio é justamente ampliar essa base de conhecimento e transformá-la em soluções cada vez mais precisas e relevantes para profissionais e pacientes”, afirma Michelle.

Empresa nasceu em 2016 e prepara uso de IA

Fundada em 2016 por três cientistas com formação em biologia molecular, a GoGenetic começou dando suporte a pesquisas e instituições que usavam sequenciamento. Ao longo dos anos, ampliou a atuação para o agronegócio e a saúde humana.

Hoje, o grupo reúne frentes em genética, sequenciamento, bioinformática e análise de microbiomas. São 40 colaboradores, mais de 18 bilhões de leituras de DNA, 3,6 milhões de microrganismos identificados e 1.148 ensaios moleculares desenvolvidos. Somente em 2026, o faturamento já ultrapassa R$ 7 milhões.

A empresa também amplia a atuação em pesquisa e desenvolvimento de novas aplicações para os dados genéticos acumulados ao longo de dez anos.

“Nosso próximo passo é usar inteligência artificial para transformar a base de dados genéticos que construímos ao longo dos anos em informações ainda mais relevantes para profissionais e pacientes. Também estamos avançando para o mercado de probióticos, buscando aproximar os resultados das análises das estratégias de modulação da microbiota e, assim, conectar cada vez mais conhecimento, tecnologia e aplicação prática”, conclui Michelle.

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