A LEME Inteligência Forense, empresa especializada em investigação patrimonial, desenvolveu uma ferramenta de tecnologia com inteligência artificial (IA) para localizar bens de devedores.
Segundo a companhia, o sistema já processou 462 mil matrículas imobiliárias desde o início do projeto-piloto, em maio de 2026. A solução será apresentada na Fenalaw 2026, evento do mercado jurídico realizado de 27 a 29 de outubro.
A ferramenta está em fase de testes com clientes selecionados. Ela lê documentos imobiliários, extrai informações e as organiza em campos estruturados, conforme critérios definidos pelos profissionais. O objetivo é reduzir o trabalho repetitivo e facilitar a identificação de registros que exigem análise mais aprofundada.
Inadimplência no Brasil
O Brasil chegou a 9,2 milhões de empresas com contas em atraso e a R$ 238,6 bi em dívidas acumuladas, segundo o último relatório da Serasa Experian. Entre os consumidores, 83,98 milhões de brasileiros estavam inadimplentes.
Em muitos casos, recuperar o crédito depende de descobrir se o devedor tem imóveis, veículos, participações em negócios ou outros bens. Essas informações ficam em diferentes registros e bases de dados. A investigação pode levar dias ou semanas.
Uma dívida pode levar a centenas de documentos
Mesmo após uma decisão judicial favorável, o credor pode precisar localizar patrimônio e verificar se os bens podem quitar o valor devido. Uma das fontes é a matrícula imobiliária, documento que reúne o histórico de um imóvel, com registros de propriedade, alterações e restrições. Dependendo do caso, uma única matrícula pode ultrapassar mil páginas.
Em uma investigação recente, a LEME Forense identificou mais de 600 matrículas vinculadas a um devedor. A equipe precisou examinar os documentos para entender as características dos bens.
Segundo Leonardo Botelho Schulka, Head Jurídico e de Investigação da LEME Forense, um analista avalia, em média, cerca de 20 matrículas por dia. O número varia conforme a extensão e a complexidade dos registros.
O desafio é entender a situação do imóvel, e não apenas encontrá-lo. Um documento pode mostrar um terreno vazio e, páginas depois, registrar uma construção que altera o valor. Também pode revelar restrições que dificultam o uso do bem para quitar a dívida.
Como funciona a ferramenta
A IA extrai informações dos documentos e preenche campos de análise. Assim, o profissional concentra a atenção nos registros que exigem maior investigação. A ferramenta, chamada Busca de Imóveis, funciona dentro do SONAR, plataforma de inteligência forense que reúne e cruza informações sobre pessoas, empresas, vínculos societários e patrimônio.
Segundo a empresa, a Busca de Imóveis reduz de 67% a 75% o tempo de execução em um projeto de coleta de dados. De acordo com Schulka, etapas de levantamento e consolidação que exigiam de três a quatro dias passaram a ser concluídas em cerca de um dia, com o uso combinado de ferramentas especializadas e automações.
A empresa reconhece limitações. Segundo Schulka, documentos antigos, imagens de baixa qualidade e informações mal digitalizadas podem gerar erros de leitura.
“Documentos antigos, imagens de baixa qualidade e informações mal digitalizadas podem gerar erros de leitura. Por isso, os dados precisam ser conferidos nos registros originais, e a interpretação jurídica continua sob responsabilidade dos profissionais”, diz Leonardo Botelho Schulka.
“Contudo, sem critérios claros, as ferramentas podem gerar um volume de informações maior do que a capacidade de análise dos profissionais. Por isso, a união de redução do trabalho manual através de automações com a expertise dos analistas, fazem com que aí sim consigamos resultados mais assertivos para nossos clientes”, explica Leonardo Botelho Schulka.
Palestra sobre IA no jurídico
No dia 28 de outubro, das 14h às 14h20, Schulka participa da palestra “A IA realmente gera resultado no jurídico ou apenas acelera tarefas?”. Ele estará ao lado de Thiago Tetsuo Nishimura, diretor do Núcleo de Recuperação de Créditos da Vialle Advogados Associados.
O encontro ocorre na sala IA Gen, Agentes & Automação: Execução, Pessoas & ROI. Os temas incluem aplicações práticas da IA, dificuldades de implementação e a necessidade de medir resultados nos escritórios. Também entram na pauta o risco de erros de interpretação, o uso de ferramentas sem processos definidos, a qualidade dos comandos enviados aos sistemas e a supervisão humana.
A experiência com as matrículas será um dos exemplos. Segundo a empresa, o projeto mostra que a tecnologia apoia a leitura e a classificação de documentos, mas que há distância entre organizar informações e decidir sobre a recuperação de um crédito.
Compliance na programação
A LEME também participa de uma palestra sobre compliance no dia 27 de outubro, às 11h40, na Sala Fenatalks. O tema é “Canal de denúncias, gestão de riscos e treinamentos: a oportunidade milionária que muitos escritórios ainda ignoram”.
Participam Valdo Silveira, CEO da LEME Inteligência Forense, e Felipe Bezerra da Silva, CEO da +Compliance. A discussão aborda a atuação recorrente de escritórios na estruturação de canais de denúncias, no treinamento de funcionários, na prevenção de irregularidades e na gestão de riscos.
Segundo Felipe Bezerra da Silva, essas atividades podem ser organizadas em contratos anuais, com entregas periódicas. Seria uma alternativa aos serviços jurídicos contratados só quando surge um problema específico.
A LEME também apresenta o Farol de Integridade, ferramenta de organização de processos de compliance. Entre as funções estão canais de denúncias, gestão de riscos e treinamentos.
Nos três dias do evento, a empresa terá estande para profissionais do setor jurídico. A programação inclui happy hour a partir das 18h30 e distribuição de brindes, entre eles Kindle e iPhone 17.