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Muito marketing, pouca visibilidade: onde está o erro dos negócios em 2026

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Foto: freepik

De acordo com a pesquisa Tendências de Marketing 2026, realizada pela Conversion com 637 profissionais, o Google mantém 78% de presença nas empresas brasileiras, o Instagram atinge 93,7%, e 42,2% das empresas planejam aumentar investimentos em Inteligências Artificiais como ChatGPT em 2026.

À primeira vista, os números sugerem que as empresas brasileiras estão fazendo o dever de casa digital. Presença nos principais canais, investimento crescente em novas plataformas, orçamentos direcionados para mídia paga.

Mas há um problema que esses números não revelam: estar em vários lugares não significa ser encontrado de forma consistente.

A verdade incômoda é que a maioria das empresas investe em múltiplos canais sem coordenação estratégica entre eles. E isso tem um custo invisível que compromete resultados.

A ilusão da presença digital

Durante anos, a lógica do marketing digital era relativamente simples: ranqueie no Google, apareça no Instagram, envie emails. Cada canal operava de forma relativamente independente, e estar presente já era metade da batalha vencida.

Em 2026, essa simplicidade acabou.

Os mesmos dados da pesquisa Tendências de Marketing mostram que o Google deixou de ser “o lugar onde tudo acontece” para se tornar “um dos lugares importantes“.

O Instagram, mesmo com sua alta adesão (93,7%), atingiu um patamar de saturação. Praticamente todas as empresas estão lá e se destacar se tornou um desafio constante.

As Inteligências Artificiais emergem como novo canal, com 28,1% de adoção atual.

Pense no comportamento real do seu cliente em potencial: quantos pontos de contato ele tem com informações sobre sua empresa antes de tomar uma decisão? Três? Cinco? Dez?

A questão deixou de ser “em quantos canais devo estar?” e passou a ser “como coordeno presença estratégica nos pontos críticos da jornada do meu cliente?

Como seus clientes realmente tomam decisões hoje

Algo que venho falando em minhas palestras e mentorias de comunicação é: o comportamento de compra mudou radicalmente. O cliente em potencial não segue mais um funil linear previsível. Não existe mais aquele “vi numa revista e comprei”. A jornada está incrivelmente mais longa e criteriosa.

Um decisor descobre sua empresa em um post patrocinado no Instagram enquanto espera o café. Pesquisa o nome da empresa no Google durante uma reunião. Pede ao ChatGPT uma análise comparativa entre você e dois concorrentes. Assiste a um vídeo no YouTube sobre o problema que precisa resolver. Pergunta para um colega no WhatsApp se conhece sua empresa. Volta ao LinkedIn para ver quem trabalha lá. Só então, talvez, acessa seu site.

São sete pontos de contato diferentes, em cinco canais distintos, ao longo de três dias. E em cada um desses pontos, ele forma uma percepção sobre sua empresa.

Aqui está a pergunta incômoda: se esse decisor encontra mensagens inconsistentes em cada ponto de contato, qual percepção ele forma sobre você?

A conversão desse cliente está em como esse quebra-cabeças resulta.

Se no Instagram ele vê conteúdo superficial sobre “dicas rápidas”, no Google encontra um site institucional formal, o ChatGPT diz que você é especialista em uma área diferente e o YouTube não tem nenhum conteúdo seu — a percepção é de desorganização.

Não de incompetência necessariamente, mas de falta de clareza sobre quem você é e o que faz.

E quando a percepção é confusa, o cliente escolhe o concorrente que parece mais claro.

O que realmente acontece é que grande parte das empresas ainda opera canais como iniciativas isoladas. Redes sociais, SEO, mídia paga, conteúdo e área comercial seguem narrativas próprias, sem alinhamento estruturado. Os indicadores individuais até respondem, com engajamento, cliques e visitas, mas o resultado agregado fica aquém do potencial.

Esse efeito se intensifica em um cenário no qual mais da metade das empresas planeja ampliar investimentos em mídia paga em 2026.

Sem uma base orgânica coordenada, a dependência de anúncios encarece progressivamente o custo de aquisição. Já organizações com presença integrada reduzem esse custo porque o reconhecimento da marca antecede o clique.

O que significa orquestrar canais

Orquestrar não é repetir a mesma mensagem em todos os canais. É definir funções claras para cada ponto de contato.

O Instagram atua na descoberta, o Google captura demanda ativa, as Inteligências Artificiais validam e comparam, o LinkedIn reforça autoridade e o YouTube aprofunda temas decisivos.

Quando esses canais operam de forma coordenada, a percepção se torna clara, consistente e memorável.

A fragmentação da visibilidade não é passageira.

A complexidade da jornada tende a crescer, e a vantagem competitiva ficará com quem aprender a coordenar presença estratégica.

Enquanto muitos ainda discutem onde estar, poucos organizam como cada canal reforça o outro. É essa coordenação que separa marcas lembradas de marcas apenas presentes.

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Editora-chefe do Economia PR. Fundadora da BASIS Comunicação. Community Manager. Acelerada Camila Renaux. Consultoria em Comunicação Estratégica. Prêmio Sangue Bom de Jornalismo (SINDIJOR PR 2014)

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