Pesquisar

Curitiba lança hub de economia criativa com foco em negócios

Curitiba hub economia criativa Economia PR
Foto: Divulgação

A economia criativa vem ganhando peso crescente na estrutura produtiva do Paraná. Dados consolidados indicam que a economia da cultura e das indústrias criativas responde por 2,4% do PIB estadual, refletindo um conjunto de atividades que vai além do campo cultural e impacta diretamente áreas como tecnologia, publicidade, design, moda e audiovisual. No estado, o setor já apresenta indicadores de renda e empregabilidade acima da média.

Levantamentos mostram que o Paraná contava com 10.849 empresas criativas em 2021, com maior concentração nos segmentos de moda, publicidade e serviços editoriais, atividades artesanais, tecnologia da informação e desenvolvimento de softwares e jogos digitais. Em 2020, essas empresas geraram mais de R$ 28 bilhões em receita e cerca de R$ 5,2 bilhões em lucros, reforçando a relevância econômica do setor.

No mercado de trabalho, a economia criativa empregava 439.153 trabalhadores no quarto trimestre de 2022, o equivalente a 7% da força de trabalho do estado. O rendimento médio desses profissionais, de R$ 3.818, supera a média estadual, estimada em R$ 3.044, segundo dados oficiais. Curitiba concentra parte relevante desse ecossistema e reúne diferenciais estruturais, como o título de Cidade Criativa do Design da UNESCO e a origem de unicórnios de tecnologia como Ebanx, MadeiraMadeira e Olist.

É nesse contexto que se insere o Curitiba Mais Criativa, hub de economia criativa que integra uma rede nacional presente em 11 cidades brasileiras. A iniciativa atua na articulação entre profissionais criativos, empresas, instituições e poder público, com foco em desenvolvimento econômico, inovação e impacto social. Quem explica o modelo é Raphaella Caçapava, cocriadora de relacionamento com o mercado e parcerias do hub. Leia o Economia PR Drops na íntegra:

O que é um hub de economia criativa na prática?

Raphaela: Um hub de economia criativa funciona como um conector e catalisador dentro de um território. No Curitiba Mais Criativa, apoiamos pessoas criativas a estruturarem negócios, fomentamos a aplicação da criatividade dentro de empresas e organizações, oferecemos experiências que ajudam a destravar repertório e ampliar potencial criativo e conectamos os diversos mercados da economia criativa da cidade em projetos cocriados. Também atuamos em advocacy, com um trabalho contínuo para avançar políticas públicas e fortalecer o ecossistema criativo.

Por que 2026 foi provocado como “O Ano da Criatividade no Brasil”?

Raphaela: Essa provocação nasce de uma contradição. O Brasil é reconhecido internacionalmente como um país criativo, mas essa criatividade ainda está concentrada no topo da pirâmide, sem gerar impacto profundo nas realidades locais. A proposta de 2026 é fazer essa criatividade furar bolhas e se espalhar pelas cidades, transformando cultura, economia e produzindo impacto social concreto. É um convite para aplicar criatividade como ferramenta de desenvolvimento, não apenas como conceito inspiracional.

De onde surgiu a necessidade de criar o hub?

Raphaela: A necessidade ficou evidente em 2025, durante a realização do World Creativity Day em Curitiba. Houve muito engajamento e sensibilização em torno da criatividade, mas após o evento não existia uma estrutura contínua para acolher esse interesse. As pessoas retornavam às rotinas sem um espaço que ajudasse a transformar aquela energia em projetos, negócios e impacto duradouro. A partir desse diagnóstico, nasceu a ideia de criar um projeto contínuo, capaz de gerar oportunidades reais para quem vive da criatividade.

O projeto se inspira em modelos nacionais ou internacionais?

Raphaela: Após o insight de estruturar o Curitiba Mais Criativa como hub, apresentamos a proposta à Rede Brasil Criativo, que demonstrou interesse em expandir a iniciativa. Em conjunto, construímos um MVP que hoje está sendo implementado em 11 cidades brasileiras, com Curitiba como referência. Já existem hubs em cidades como Maceió e Goiânia, e novos lançamentos previstos em Belém, São Paulo, Rio de Janeiro, Jundiaí, Joinville, Camaçari e Feira de Santana. A inspiração vem da realidade local e da conexão com redes nacionais e internacionais de hubs criativos.

Qual é o papel da economia criativa em Curitiba e no Paraná?

Raphaela: A economia criativa atua como uma ponte entre cultura, inovação, desenvolvimento econômico e impacto social. Curitiba já se destaca como polo criativo, seja pela presença de profissionais de design, marketing, cultura, tecnologia ou educação. No Paraná, setores como audiovisual, música, design, gastronomia e tecnologia criativa têm contribuído para o dinamismo econômico regional e para a diversificação da base produtiva.

Quais são as expectativas para o modelo em 2026?

Raphaela: Em 2026, o hub pretende consolidar práticas estruturadas, com foco em mentorias para profissionais criativos, consultorias e formações para empresas e organizações, experiências criativas abertas à comunidade e advocacy para fortalecer políticas públicas voltadas à economia criativa. A ideia é atuar como uma ponte entre repertório, aplicação prática e impacto.

Quais serão as principais ações ao longo de 2026?

Raphaela: Ao longo de 2026, o Curitiba Mais Criativa promove uma jornada contínua de experiências, conteúdos e articulações, conectando profissionais, empresas e instituições. A agenda inclui imersões culturais, encontros de planejamento criativo, experiências voltadas à diversidade, participação no World Creativity Day e conteúdos focados em comunicação, processos criativos, tecnologia e futuro do trabalho. Além da programação aberta, o hub segue convidando criativos e organizações a cocriar projetos ao longo do ano.

Compartilhe

Leia também

Breno Pachedo PBS PPP Economia PR

A visão de Breno Pacheco Leandro, da PBS, sobre o avanço das PPPs

marlon embaixador de inovação economia pr

Marlon Cardoso: “foco do PR deve ser converter inovação em impacto”

IA Storytelling James McSill Economia PR

Como a Era da IA redefine storytelling e eleva valor humano