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Impressão 3D transforma tratamentos oncológicos em Guarapuava

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Foto: Divulgação

A tecnologia aplicada à saúde vem ganhando forma concreta em Guarapuava. Dentro do Cilla Tech Park, o parque tecnológico Cidade dos Lagos, vem mostrando como a inovação pode ser aplicada para melhorar vidas de forma prática e acessível.

No espaço maker, que faz parte do Celeiro de Inovação do CTP, tomografias e ressonâncias magnéticas se transformam em modelos tridimensionais que ajudam médicos a planejar cirurgias de alta complexidade e a criar próteses personalizadas para pacientes que perderam parte do corpo em decorrência de câncer ou traumas.

O trabalho é liderado por Jhonnathan Ferreira, maker do Cilla Tech Park, que dedica sua rotina à aplicação da impressão 3D em projetos de impacto social.

“As maquetes cirúrgicas que produzimos servem como guias para planejamento de cirurgias, especialmente na área de cabeça e pescoço. Cada modelo é feito com base na tomografia do paciente, o que permite que o médico visualize, teste e planeje o procedimento antes da operação”, explica.

Até hoje, dez pacientes foram atendidos pelo SUS com o uso dessas tecnologias, incluindo casos de fraturas, cirurgias oncológicas e reconstruções faciais.

Para desenvolver as maquetes, o projeto utiliza o InVesalius, software livre criado pelo governo brasileiro para reconstrução de imagens de tomografia e ressonância magnética. A ferramenta, usada em mais de 130 países e com mais de 11 mil downloads apenas em 2024, converte os exames em arquivos digitais que podem ser transformados em objetos físicos na impressora 3D.

“O InVesalius é um símbolo de como o conhecimento aberto pode gerar transformação. Ele foi o ponto de partida do nosso trabalho e possibilitou que um projeto local se conectasse a uma rede global de inovação”, comenta Jhonnathan.

As peças impressas em escala real são utilizadas tanto para o planejamento de cirurgias quanto para o treinamento médico. No caso do Cancer Center de Guarapuava, as maquetes auxiliam no tratamento de tumores de cabeça e pescoço, substituindo o método tradicional de avaliação, que exigia abrir o paciente antes de compreender a dimensão do tumor.

“Com o modelo em mãos, o cirurgião consegue prever cortes, ajustar placas e prever complicações”, afirma o maker.

O Espaço Maker do CTP também desenvolve próteses anaplastológicas em silicone platina, material flexível e resistente que simula com precisão a textura da pele. As próteses são usadas por pacientes que perderam partes do rosto e ainda não podem passar por reconstruções definitivas.

“Em alguns casos, a cirurgia plástica reconstrutiva só pode ser feita anos após o tratamento do câncer, e nem sempre é coberta pelo SUS. As próteses devolvem ao paciente algo mais profundo do que a aparência: devolvem autoestima, identidade e a chance de voltar a se reconhecer”, diz Jhonnathan.

A trajetória do projeto começou de forma inusitada. A primeira paciente não era humana, mas uma cadela chamada Nina, que havia perdido uma pata dianteira por conta de um câncer.

“A Nina foi a nossa primeira experiência com prótese. Foi com ela que percebemos o quanto a tecnologia podia transformar vidas. A partir desse caso, passamos a aplicar o mesmo conceito em pessoas”, relembra o maker.

Para Vilso Dubena, representante da Cidade dos Lagos, a cultura de inovação e o trabalho desenvolvido no Cilla Tech Park simbolizam o propósito do bairro planejado: unir desenvolvimento, tecnologia e impacto social.

“A inovação não é um conceito restrito à tecnologia, mas uma atitude de pensar o futuro com responsabilidade. Projetos como o do Cilla Tech Park mostram que é possível gerar impacto social, econômico e humano a partir do conhecimento produzido aqui. É exatamente esse tipo de transformação que buscamos para a Cidade dos Lagos”, afirma.

Hoje, o Celeiro de Inovação segue ampliando suas frentes de pesquisa e desenvolvimento, com novos projetos voltados a órteses, próteses e soluções para o setor público de saúde.

Jhonnathan resume: “Nosso propósito é transformar ideias em ferramentas concretas. Se conseguimos usar a tecnologia para aliviar dor, devolver identidade e criar esperança, então estamos cumprindo nosso papel”.

A história do Celeiro de Inovação mostra que a tecnologia pode e deve estar a serviço das pessoas. Em Guarapuava, ela ganha forma nas mãos de quem imprime em 3D não apenas peças, mas novas possibilidades de futuro.

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