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Segurança digital virou critério de sobrevivência

Segurança digital Economia PR
Foto: Karola G / Pexels

Por Fábio Carvalho, Gerente de Negócios do Wifire, empresa do Grupo TecnoSpeed

O avanço dos vazamentos de dados no Brasil deixou de ser um desafio técnico restrito às áreas de TI e passou a integrar o núcleo da responsabilidade empresarial. Em um ambiente de digitalização acelerada, a segurança da informação consolidou-se como um ativo estratégico, diretamente associada à reputação das marcas, à confiança do consumidor e à sustentabilidade dos negócios.

Ainda assim, muitas organizações seguem tratando a proteção de suas redes, especialmente o Wi-Fi corporativo e o acesso público, como uma questão operacional secundária, desconsiderando riscos que já são amplamente conhecidos e recorrentes.

Segundo levantamentos de entidades de monitoramento de incidentes cibernéticos no Brasil, o país registrou 3.253 vazamentos de dados entre janeiro e julho de 2024, mais do que o dobro do total acumulado entre 2020 e 2023, representando um crescimento de 24 vezes no volume de ocorrências em apenas um ano.

Esse cenário tem impacto financeiro direto. De acordo com relatórios globais de segurança da informação publicados em 2025, o custo médio de uma violação de dados chegou a R$ 7,19 milhões por empresa, considerando perdas operacionais, multas regulatórias e danos reputacionais.

Parte relevante dessa vulnerabilidade está associada à forma como as redes Wi-Fi são tratadas. Com a conectividade se tornando padrão em ambientes corporativos, varejo, saúde e serviços, consumidores esperam acesso constante e estável.

Dados de pesquisas sobre conectividade indicam que 10,5% dos usuários de internet no Brasil utilizaram Wi-Fi gratuito em locais públicos em 2024, o equivalente a cerca de um em cada dez brasileiros conectados.

Ao mesmo tempo, registros do setor de segurança digital mostram que o país concentrou mais de 514 mil ataques de negação de serviço apenas no segundo semestre de 2024, mais da metade de todos os ataques registrados na América Latina, muitos explorando falhas em redes Wi-Fi mal configuradas.

Investir em segurança robusta é uma necessidade operacional e jurídica, não uma escolha opcional. Além de proteger a experiência do usuário, a ausência de medidas adequadas expõe empresas a riscos financeiros e legais relevantes.

A Lei Geral de Proteção de Dados prevê multas de até 2% do faturamento bruto, limitadas a R$ 50 milhões por infração, enquanto o Marco Civil da Internet exige a guarda de registros de conexão por um ano para quem oferece Wi-Fi público.

O descumprimento dessas obrigações pode resultar em responsabilização civil, sanções administrativas e danos irreversíveis à reputação da marca.

A evolução tecnológica reforça a urgência de antecipação. Protocolos como WPA3 e o avanço do Wi-Fi 6 já são considerados padrão em ambientes corporativos, enquanto o Wi-Fi 7 projeta um salto ainda maior de velocidade e volume de dispositivos conectados até 2028, com estimativas globais que apontam mais de 2,1 bilhões de conexões ativas.

Paralelamente, projeções internacionais indicam que o investimento global em segurança da informação deve atingir US$ 240 bilhões até 2026, sinalizando que empresas ao redor do mundo já compreenderam a dimensão estratégica do problema.

Ignorar a segurança das redes, especialmente do Wi-Fi, não é mais uma opção viável. Vazamentos de dados, ataques de ransomware e roubo de credenciais prosperam em ambientes onde não há segmentação de redes, criptografia adequada e governança de dados.

Em um mercado cada vez mais regulado e atento à privacidade, crescer exige responsabilidade. Proteger dados não é apenas cumprir a lei, mas demonstrar respeito ao cliente, maturidade operacional e visão de longo prazo. As empresas que não entenderem isso agora correm o risco de aprender da forma mais cara possível.

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