O Aeroporto Internacional Afonso Pena completa 80 anos em 2026 vivendo um dos momentos mais estratégicos da trajetória. Após ultrapassar a marca de 6 milhões de passageiros em 2025 e registrar crescimento acima da média nacional, o terminal entra em uma nova fase de transição societária, com a venda da atual operadora, a Motiva Aeroportos, para o grupo mexicano ASUR.
Nos últimos quatro anos, o aeroporto passou da gestão da Infraero para a iniciativa privada, primeiro com a CCR Aeroportos, depois rebatizada como Motiva, e agora se prepara para uma nova mudança de controle.
Em paralelo, amplia rotas, fortalece a conectividade internacional e consolida a posição de Curitiba no eixo Sul-Sudeste, com impacto direto na competitividade do Paraná.
Entre os marcos recentes está a confirmação da rota direta Curitiba–Lisboa, operada pela TAP Air Portugal a partir de julho de 2026, movimento que reposiciona o terminal no cenário internacional e amplia oportunidades para turismo, negócios e logística.
Para entender como o aeroporto evoluiu ao longo de oito décadas, o que muda para o passageiro com a nova transição de gestão e quais são as metas para 2026, o Economia PR Drops conversou com Eden Pisani Junior, gerente do Aeroporto Internacional Afonso Pena. Confira a entrevista completa a seguir.
Como o Afonso Pena evoluiu em 80 anos como hub regional?
Eden: O Aeroporto Internacional Afonso Pena foi inaugurado em 1944, inicialmente com função estratégica militar durante a Segunda Guerra Mundial, e passou a operar plenamente como aeroporto civil nas décadas seguintes. Em 1974, sua administração foi transferida para a Infraero, que promoveu a profissionalização da gestão aeroportuária e investiu em infraestrutura, incluindo ampliação de pista, modernização de sistemas de navegação e a construção de um novo terminal inaugurado em 1996. Entre os anos 2000 e 2014, houve nova expansão estrutural para atender ao crescimento da demanda e aos eventos internacionais realizados no Brasil, elevando a capacidade operacional. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e da Agência Estadual de Notícias (AEN) indicam que, após a concessão à iniciativa privada em 2021, o aeroporto registrou forte retomada e crescimento, ultrapassando 6 milhões de passageiros em 2025 e consolidando-se entre os dez aeroportos brasileiros com maior crescimento proporcional em voos internacionais, especialmente na América do Sul. Esse avanço decorre da posição estratégica de Curitiba no eixo Sul-Sudeste, da força econômica do Paraná e da ampliação da malha aérea internacional e doméstica nos últimos anos.
Em quatro anos, saiu da Infraero, passou para CCR/Motiva e agora vai para ASUR — o que muda para o passageiro?
Eden: Em abril de 2021, o aeroporto foi concedido à iniciativa privada, passando à gestão da Motiva (antiga CCR Aeroportos) por um contrato de 30 anos. Em 2025, a empresa passou a se chamar Motiva Aeroportos, e no mesmo ano foi anunciada a venda do portfólio para a mexicana ASUR, operação ainda sujeita à aprovação regulatória em 2026. Para o passageiro, a principal mudança observada desde a concessão foi a ampliação de rotas, melhoria de serviços comerciais, modernização de áreas internas e operacionais, aplicando também a capacidade operacional e foco maior na experiência do usuário, incluindo ampiação de pontos comerciais. Com a eventual entrada da ASUR, a expectativa é de padronização internacional de processos da organização, fortalecimento da estratégia comercial e integração com mercados externos, já que o grupo opera aeroportos com forte vocação turística e internacional.
Como essa sequência rápida de gestões impacta projetos do terminal?
Eden: A sucessão Infraero para a Motiva (antiga CCR) e para a ASUR em um intervalo curto exige revisões contratuais, auditorias técnicas e revalidação de cronogramas, o que pode gerar ajustes nos projetos estruturais. No entanto, os investimentos previstos em contrato de concessão permanecem vinculados a obrigações regulatórias supervisionadas pela ANAC. Embora mudanças societárias possam gerar reavaliações estratégicas, contratos de concessão aeroportuária mantêm metas obrigatórias de investimento e desempenho, o que reduz o risco de paralisação de melhorias ou adequações, matando o curso previsto em contrato.
Quais mudanças imediatas a ASUR traz para a operação diária?
Eden: Qualquer manifestação ocorrerá apenas após a conclusão da transição do operador aeroportuário, ainda em andamento. Até lá, a administração permanece sob responsabilidade da Motiva, sem impacto nas operações.
O que já se discute com ASUR nos bastidores, antes da aprovação final em 2026?
Eden: Qualquer manifestação ocorrerá apenas após a conclusão da transição do operador aeroportuário, ainda em andamento. Até lá, a administração permanece sob responsabilidade da Motiva, sem impacto nas operações.
Há novas rotas de longa distância planejadas? Quais e por quê?
Eden: A principal rota de longa distância oficialmente anunciada é Curitiba–Lisboa, operada pela TAP Air Portugal, com início previsto para julho de 2026, conforme divulgado pelo Governo do Estado e pela Agência Estadual de Notícias. A ligação direta com a Europa atende à forte comunidade de descendentes europeus no Paraná, ao fluxo corporativo e ao potencial turístico. Além de Lisboa, não há anúncios confirmados de outras rotas intercontinentais até o momento, mas o planejamento estratégico aponta para avaliar conexões para América do Norte ou outras capitais europeias, dependendo de demanda e acordos comerciais e capacidade de operação das companhias aéreas.
Quais as demais metas do Afonso Pena para 2026?
Eden: As metas centrais até 2026 incluem a transição completa para a ASUR, consolidar a rota para Lisboa, manter crescimento sustentável acima da média nacional e fortalecer a posição do aeroporto como importante hub aéreo do Brasil. Também fazem parte das metas a ampliação da conectividade internacional sul-americana, melhoria contínua nos índices de satisfação do passageiro avaliados pela ANAC e aumento da competitividade logística do Paraná. A combinação entre expansão estrutural, nova governança internacional e crescimento da malha aérea coloca o Afonso Pena em uma fase de transição estratégica, buscando se afirmar não apenas como aeroporto regional eficiente, mas como um polo internacional em consolidação.