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Mulheres representam 47% das áreas de produção industrial

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Foto: Divulgação

As áreas de produção das fábricas, ambientes antigamente predominantemente masculinos, vêm sendo preenchidas por mulheres, que têm trilhado planos de carreira e conquistado, inclusive, cargos de liderança nas indústrias.

Em 2024, o crescimento no número de registros de mulheres no setor industrial foi 6,8% maior em relação ao ano anterior. Nos últimos quatro anos a evolução foi de 88,19%, segundo o Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT). Os dados mostram que o caminho para a igualdade de gênero está sendo percorrido. 

Em Curitiba, a Neodent, empresa que desenvolve soluções estéticas e reabilitadoras em odontologia, como implantes dentários, conta com quase 50% de mulheres em seu quadro geral, entre mais de 3 mil colaboradores.

Nas áreas de produção, as mulheres representam 47% da equipe.

“Por muito tempo, o setor industrial foi visto como um espaço predominantemente masculino, mas essa realidade vem sendo transformada de forma consistente. Na Neodent, percebemos um crescimento significativo da participação feminina nas áreas de produção, refletindo uma mudança cultural importante e um interesse cada vez maior das mulheres por essas posições”, relata a diretora de Comunicação e Responsabilidade Social Corporativa da Neodent, Raphaela Borba.

Mais do que uma pauta social ou de garantia de direitos, a atuação feminina nas linhas de produção e em posições de liderança impulsiona a competitividade das empresas, ao ampliar perspectivas, enriquecer a tomada de decisão e agregar diferentes experiências aos negócios.

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que, entre 2008 e 2021, a participação feminina em cargos de gestão no setor aumentou de 24% para 31,8%.

Embora esse índice ainda seja inferior ao dos demais segmentos da economia, onde as mulheres ocupam 46,7% das funções de liderança, o crescimento na indústria foi três vezes maior no período, avançando 32,5%, enquanto nos outros setores a alta foi de 9,8%.

Alinhada a esse movimento de evolução, a Neodent conta atualmente com 50% de sua liderança formada por mulheres, reforçando, na prática, seu compromisso com a equidade de gênero e com o fortalecimento de ambientes mais diversos e inovadores.

Ao ingressar na Neodent em 2014, como supervisora de produção, Aline Doerzbacher passou a integrar um time que contava com apenas 18 colaboradores. Desde então, acompanhou de perto momentos decisivos da empresa, como sua aquisição pelo grupo suíço Straumann e a construção da nova planta industrial — fases que ampliaram a estrutura, as operações e as responsabilidades da equipe.

Ao longo dessa trajetória, Aline cresceu junto com o negócio, desenvolvendo-se tecnicamente e como líder. Atualmente, ocupa a posição de gerente de produção. Em um setor historicamente dominado por homens, sua conquista simboliza não apenas o reconhecimento de uma trajetória construída com dedicação, mas também um avanço importante em representatividade feminina na indústria.

“Tenho muito orgulho de estar na posição que ocupo hoje. Para mim, isso tem um significado especial que vai além da trajetória profissional: representa que qualquer pessoa pode chegar aonde quiser, independentemente do gênero. Minha história é uma forma de mostrar que, com dedicação, consistência e coragem para enfrentar os desafios, é possível romper barreiras e ocupar espaços que antes pareciam distantes.”

Aline reconhece que é necessário demonstrar, na prática, capacidade técnica e maturidade. Com resiliência e determinação, ela transformou questionamentos em credibilidade.

Hoje, à frente da produção, defende uma liderança baseada na empatia e no desenvolvimento das pessoas, acreditando que compreender o ser humano por trás do profissional é o que fortalece equipes e gera resultados consistentes. Para ela, ocupar um cargo de liderança na indústria vai além da realização pessoal.

“A indústria mudou muito, e hoje existe espaço e necessidade da visão, da competência e da força das mulheres. Não podemos nos limitar por estereótipos ou pela ideia de que determinados setores não são para mulheres. Quando uma mulher avança na indústria, ela não avança sozinha, mas puxa muitas outras com ela”, finaliza.

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