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Turismo sustentável ganha força no litoral do PR

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Foto: Priscila Forone

Com o apoio do Programa Biodiversidade Litoral do Paraná (BLP), o litoral paranaense vem se firmando como um dos principais destinos para quem busca turismo sustentável em meio à Mata Atlântica.

Para além das praias, as Unidades de Conservação (UCs) da região oferecem ao visitante a oportunidade de vivenciar experiências que combinam contato direto com a natureza, valorização da cultura local e incentivo ao desenvolvimento das comunidades, especialmente durante o verão, quando o fluxo turístico aumenta no estado.

Visitar áreas protegidas é, ao mesmo tempo, um privilégio e um compromisso com a conservação ambiental. Atitudes simples ao longo do passeio ajudam a preservar a biodiversidade, respeitar as comunidades do entorno e garantir a manutenção dos serviços ambientais, sociais e culturais desses territórios.

Iniciativas apoiadas pelo BLP no Parque Nacional do Superagui — onde a estruturação do uso público está mais avançada, com a recém-inaugurada Trilha de Ararapira — servem de referência para outras UCs do litoral paranaense com potencial de visitação e que estão em processo de estruturação para os próximos anos.

É o caso do Parque Municipal Natural da Lagoa do Parado, em Guaratuba, e do Parque Natural Municipal do Manguezal do Rio Perequê, em Pontal do Paraná, que despontam como áreas estratégicas para receber ações semelhantes.

A proposta é consolidar nesses territórios um modelo de turismo responsável, capaz de fortalecer a proteção ambiental e, ao mesmo tempo, ampliar as oportunidades de imersão qualificada na natureza.

No litoral norte do Paraná, o Parque Nacional do Superagui passa a contar com sua primeira trilha bimodal estruturada e aberta à visitação pública permanente.

Financiada pelo BLP, a Trilha do Ararapira surge como uma nova opção para quem busca contato com a natureza, paisagens preservadas da Mata Atlântica e a vivência da cultura caiçara. Com 15 quilômetros de extensão, o percurso integra a Travessia do Superagui, rota de aproximadamente 40 quilômetros que corta a ilha de norte a sul.

A travessia completa é formada pelos trechos da Trilha do Ararapira (15 km), da Praia Deserta (21 km) e da Trilha da Praia Deserta (3 km), conectando praias isoladas, áreas de mata preservada e comunidades tradicionais ao longo do caminho.

A iniciativa é coordenada pelo Núcleo de Gestão Integrada Antonina–Guaraqueçaba do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Localizada na porção norte da Ilha do Superagui, a Trilha do Ararapira atravessa a comunidade de Barra do Ararapira e foi estruturada em dois segmentos. O primeiro tem três quilômetros de extensão e conta com cinco pontes suspensas.

O segundo trecho soma 11 quilômetros, com duas pontes suspensas e uma passarela de 50 metros que permite a travessia segura de áreas alagadas. Todo o percurso segue os padrões da Rede Brasileira de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas).

A criação da trilha atende a uma demanda histórica das próprias comunidades do território. A reabertura do caminho começou de forma local, motivada pelas dificuldades de navegação após o rompimento de uma barra na Ilha do Cardoso (SP).

Inicialmente, o trabalho foi feito exclusivamente pelos moradores, com ferramentas simples e sem apoio externo. O processo acabou sendo interrompido durante a pandemia, mas ganhou novo fôlego com os recursos do BLP e o apoio técnico do ICMBio, passando a ser estruturado também com foco no Turismo de Base Comunitária (TBC).

Para Márcio José Muniz, líder comunitário da Barra do Ararapira, os impactos da abertura da trilha já são percebidos na comunidade.

“Depois da inauguração da trilha, tenho recebido mais mensagens e pedidos de reserva. Segundo ele, o interesse dos visitantes vai além do percurso e inclui aspectos culturais do território. Algumas pessoas perguntam sobre as histórias da região de Ararapira. A Cataia também é um ponto bem forte daqui”, destaca.

A Cataia é uma bebida típica e bastante popular no litoral norte do Paraná e no Vale do Ribeira, no litoral sul de São Paulo. Preparada a partir das folhas de uma planta medicinal que leva o mesmo nome, a bebida é curtida em cachaça e carrega saberes transmitidos de geração em geração pelas comunidades caiçaras da região.

Na avaliação do líder comunitário, o fortalecimento do TBC amplia as oportunidades econômicas e contribui para a conservação ambiental.

“A trilha oferece mais oportunidade de trabalho para quem quer investir no turismo, e as pessoas, tendo mais oportunidade, acabam não usando tanto os recursos da natureza”, afirma.

Embora seja uma alternativa de desenvolvimento local, o turismo também gera impactos ambientais e envolve o uso direto de recursos naturais, o que exige planejamento, regras claras e monitoramento contínuo, especialmente em UCs que estão em processo de estruturação para receber visitantes.

Há experiências bem-sucedidas de turismo de natureza que conciliam geração de renda e conservação, como em Bonito (MS), reconhecidas pelo modelo de gestão e controle de visitação. O desafio, portanto, é assegurar que o turismo, mesmo dentro de UCs, seja conduzido de forma responsável e sustentável, de modo a fortalecer os objetivos de conservação.

A partir de Paranaguá, táxis náuticos fazem o transporte até a comunidade de Barra do Superagui, de onde é possível iniciar a travessia rumo ao norte pela Praia Deserta.

Outra alternativa é o acesso pelo norte da Ilha de Superagui, com embarcações que chegam à comunidade de Ararapira pelo canal do Varadouro, na divisa entre Paraná e São Paulo. De lá, o trajeto pode ser feito a pé ou de bicicleta até a Barra do Superagui, no sentido norte–sul.

Em Guaratuba, o Parque Municipal Natural da Lagoa do Parado é um dos destinos mais preservados do litoral paranaense. Inserido em uma área remota da Mata Atlântica e ao lado do Parque da Reserva, que fica em Pontal do Paraná, indicado como um dos parques naturais mais bonitos do Brasil, o local oferece uma experiência voltada à contemplação e à imersão na natureza.

De acordo com Austério Heidemann, engenheiro florestal da Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura de Guaratuba, a visita ao parque começa ainda no deslocamento.

“Para quem busca contato real com a natureza, a visita à Lagoa do Parado tende a ser mais sensorial e contemplativa do que turística no sentido comercial”. 

O acesso se dá pela Baía de Guaratuba, marcada por extensos manguezais, e segue rio acima, onde a paisagem se transforma gradualmente.

“À medida que se navega rio acima, o cenário se transforma, o rio se estreita, a mata se fecha e surgem mudanças perceptíveis de luz, sons e temperatura, criando uma transição gradual para um ambiente mais protegido e imerso na Mata Atlântica”, complementa. 

Entre os principais atrativos estão a lagoa, a paisagem formada pela Serra do Mar e a rica avifauna, com destaque para o bicudinho-do-brejo, espécie endêmica da região. Segundo Austério, o turismo no Parque deve ser conduzido de forma planejada, considerando a falta de estrutura e sensibilidade ambiental dos ecossistemas.

“A Lagoa do Parado oferece algo mais raro, natureza quase intacta, com forte sensação de refúgio e autenticidade ambiental”, comenta. 

Com apoio do BLP, o município está avançando na elaboração do Plano de Manejo, na formação do Conselho Gestor e no fortalecimento da estrutura operacional do Parque. 

“Temos priorizado a estruturação da governança e dos instrumentos técnicos fundamentais, com destaque para a formação do Conselho Gestor, a delimitação clara dos limites da Unidade de Conservação e a elaboração do Plano de Manejo. A partir dessa base, será possível avançar para a implementação do zoneamento ambiental, definição de regras de uso e visitação, além de medidas de controle de impacto e de capacidade operacional, como o estabelecimento de limites de visitantes por dia, assegurando a proteção dos ambientes naturais e a qualidade da experiência do visitante”, complementa. 

Já em Pontal do Paraná, o Parque Natural Municipal do Manguezal do Rio Perequê amplia a oferta de experiências de turismo de natureza no litoral paranaense, ao valorizar ecossistemas sensíveis como os manguezais e as restingas.

Com 16,2 hectares distribuídos ao longo do Rio Perequê, a UC protege uma área de manguezal que abriga diversas espécies da fauna local, como aves, caranguejos e ostras. 

Segundo Jackson Bassfeld, secretário do Meio Ambiente de Pontal do Paraná, a criação do Conselho Gestor, com incentivo do Programa Biodiversidade Litoral do Paraná, está sendo um passo importante para integrar a comunidade local à gestão da unidade, que em breve terá um plano estruturado para o turismo de natureza..

“O manguezal passará a se consolidar como um atrativo turístico complementar às praias a partir do reconhecimento de seu valor ecológico, educativo e cultural”, afirma. 

“A consolidação de áreas protegidas, como o manguezal e a restinga, traz benefícios amplos e duradouros para o turismo local. Esses elementos funcionam como a base que conecta conservação, uso público qualificado e desenvolvimento local”, finaliza o secretário. 

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