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Livro Roda do Aprendizado provoca: o maior limite das empresas não é o mercado, é o aprendizado

Roda do Aprendizado Roberto Tranjan
Foto: Ricardo Matsukawa

Em um contexto de transformação tecnológica acelerada e pressão crescente por eficiência, o empresário e pensador brasileiro Roberto Tranjan lança “A Roda do Aprendizado“, livro que propõe a aprendizagem contínua como eixo estruturante da estratégia empresarial.

A obra parte da premissa de que nenhuma organização cresce além da qualidade da sua capacidade de aprender, e de formar líderes capazes de integrar consciência, competência e ação.

Segundo Tranjan, o ambiente corporativo contemporâneo ainda opera sob uma lógica predominantemente instrumental, orientada por metas, velocidade e controle. Embora eficaz no curto prazo, esse modelo tende a gerar fragilidades estruturais quando não é acompanhado por desenvolvimento de mentalidade e maturidade decisória.

“A única coisa permanente em qualquer cenário econômico é a capacidade de continuar aprendendo”, afirma o autor.

Baseada em uma metodologia construída ao longo de mais de 25 anos de atuação nas empresas, a tese central do livro é que a vantagem competitiva deixou de estar concentrada no acesso à informação ou na eficiência operacional isolada.

Na chamada “Era da Consciência”, conceito apresentado na obra, o diferencial passa a ser a capacidade de transformar informação em aprendizado incorporado, isto é, em mudança efetiva de comportamento e critério de decisão.

Tranjan distingue três níveis frequentemente confundidos no ambiente corporativo: informação, conhecimento e aprendizagem. O primeiro diz respeito ao acesso a dados; o segundo, à compreensão técnica; o terceiro, à incorporação prática que altera modelos mentais.

“Não adianta entregar ferramentas se o modelo mental permanece o mesmo. Sem consciência, qualquer técnica vira caricatura”, escreve.

Nesse sentido, o livro associa desempenho sustentável à formação de lideranças de alta potência, expressão utilizada para definir executivos que atuam de forma integrada, não apenas no plano racional, mas também no ético e relacional. Para o autor, liderar implica assumir função educadora dentro da organização.

Rodar para transformar

Essa visão encontra respaldo em executivos que contribuíram com depoimentos para a obra.

“Liderar é educar. E educar é criar oportunidades para que as pessoas tentem, errem, aprendam e evoluam”, afirma Edgard Corona, CEO da SmartFit.

Segundo ele, o papel do líder não é oferecer respostas prontas, mas estruturar ambientes em que decisões sejam construídas coletivamente e o aprendizado se torne parte do processo.

A metodologia apresentada no livro organiza a aprendizagem em um movimento circular:  escutar, compartilhar, refletir, significar, experienciar, habilitar, incorporar e transformar, propondo uma lógica distinta dos modelos lineares tradicionais de capacitação. A roda admite o erro como parte legítima do processo.

“O erro não é fracasso. O erro é da natureza da aprendizagem. O que paralisa as empresas não é errar, é não aprender com o erro”, afirma o autor.

“Ao girar entre escutar-compartilhar-refletir-significar-experienciar-habilitar-incorporar-transformar, ela cria um espaço em que todos participam, dão sentido e se veem como protagonistas”, destaca Adelino Sasse, diretor de Negócios da Central Ailos (sistema cooperativista de crédito). 

IA x Consciência

Em um cenário marcado pela disseminação da inteligência artificial e pela automação de tarefas cognitivas, Tranjan argumenta que o valor humano se desloca do campo operacional para o campo do discernimento.

“Se a máquina executa a tarefa, o ser humano precisa ampliar percepção e responsabilidade.”

Para ele, empresas que não estruturam ambientes de aprendizagem tendem a operar abaixo de seu potencial estratégico.

O educador Rui Fava (Universidade de Cuiabá), também citado na obra, reforça a necessidade de transição de um modelo baseado na transmissão de conteúdo para outro orientado à transformação intelectual.

“Precisamos migrar de um sistema de transmissão para um de transformação”, afirma.

Tranjan sustenta ainda que parte das dificuldades enfrentadas por empresas maduras decorre da confusão entre velocidade e maturidade organizacional.

“Quando a empresa para de aprender, começa a encolher”, escreve.

O autor argumenta que crescimento financeiro dissociado de desenvolvimento cultural tende a ser instável e limitante.

Ao integrar estratégia, desenvolvimento humano e governança decisória, Roda do Aprendizado dialoga com conselhos de administração, executivos e gestores interessados em construir crescimento sustentável em ambiente de alta incerteza. 

O livro chega ao mercado, em 13 de março, como uma reflexão estratégica: o desempenho econômico do futuro dependerá, cada vez mais, da capacidade institucional de aprender, desaprender e reaprender de forma estruturada.

Sobre Roberto Tranjan

Roberto Tranjan é pensador, educador e empresário, reconhecido por sua atuação na humanização das organizações e no desenvolvimento de lideranças conscientes. Há mais de três décadas, suas reflexões conectam aprendizagem, cultura organizacional e sentido do trabalho, com impacto direto na forma como empresas cuidam de pessoas e resultados.

É criador da Roda do Aprendizado, metodologia desenvolvida e aplicada ao longo de mais de vinte e cinco anos, voltada à formação de lideranças, educadores e grupos que desejam aprender com mais sentido, presença e responsabilidade.

É fundador das empresas Metanoia – Negócios em Alta Potência e da Capital Relacional – Gestão e Aprendizagem e idealizador da Escola de Oportunidade. É um dos articuladores do pensamento da Economia ao Natural, que propõe uma visão de prosperidade orientada para o bem-viver, pela ética e pelo cuidado com a vida.

Autor de 12 obras, entre elas A Empresa de Corpo, Mente e Alma, Metanoia, Rico de Verdade, O Código da Nobreza e O Velho e o Menino

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