Economia PR - A natureza como estratégia: os oito anos do Ekôa Park

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A natureza como estratégia: os oito anos do Ekôa Park

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Foto: Divulgação

Por Tatiana Perim, diretora e CEO do Ekôa Park

O Ekôa Park — parque de experiências ecológicas localizado em Morretes, no litoral do Paraná — completou oito anos no dia 3 de março. Ao olhar para essa trajetória, não vejo apenas a consolidação de um parque de experiências ecológicas.

Vejo a maturação de uma tese: a de que a natureza não é cenário — é mentora estratégica. E que organizações que aprendem com a inteligência da vida aumentam significativamente sua capacidade de adaptação, inovação e permanência.

Desde 2018, mais de 60 mil pessoas passaram pelo Ekôa. No campo corporativo, o parque já realizou mais de 150 encontros, impactando mais de 5.500 lideranças em experiências voltadas ao fortalecimento da visão sistêmica, colaboração e resiliência.

A partir de 2019, quando as formações inspiradas na biomimética passaram a ser estruturadas de maneira sistemática, mais de 70 empresas participaram dessas jornadas, envolvendo cerca de três mil profissionais.

Somente em 2024, o parque promoveu mais de 60 eventos corporativos, reunindo aproximadamente duas mil pessoas e mais de 60 empresas, entre elas Grupo Boticário, Volvo, Renault, Electrolux, Sumitomo, EBANX, Cargill, SEBRAE, General Motors e Fundação Grupo Boticário.

A inauguração do novo centro de eventos corporativos, em 2025, ampliou ainda mais nossa capacidade de aprofundar esse trabalho. Criamos um espaço que integra tecnologia, conforto e imersão na paisagem natural, reforçando uma convicção central: inovação não nasce da aceleração contínua, mas da capacidade de observar, integrar e decidir com visão sistêmica.

A biomimética — ciência que observa como os sistemas vivos resolvem desafios ao longo de 3,8 bilhões de anos de evolução — vem sendo aplicada há décadas em engenharia, arquitetura e design.

No campo da gestão organizacional, entretanto, ainda é território emergente no Brasil. O que o Ekôa fez ao longo desses oito anos foi estruturar essa tradução: transformar princípios naturais em ferramentas concretas de liderança e estratégia.

As organizações modernas foram desenhadas para um mundo previsível. Estruturas hierárquicas, departamentos isolados, processos lineares. Mas a natureza opera de outra forma. Ela funciona em rede. Coopera, não compete. Otimiza recursos. Aprende continuamente com o ambiente.

Quando traduzimos esses princípios para dentro das organizações, falamos de governança distribuída, comunicação interdependente e adaptação como cultura, e não como reação emergencial.

Estar inserido no território da Grande Reserva Mata Atlântica não é um detalhe geográfico. É parte essencial da epistemologia do trabalho que desenvolvemos. Aprender com sistemas vivos exige proximidade com esses sistemas vivos. É no território que as metáforas deixam de ser retóricas e passam a ser vivenciadas.

Micorrizas tornam-se referência para redes colaborativas. Ecossistemas fragmentados ilustram departamentos desconectados. Fluxos de rios ensinam sobre continuidade estratégica.

O mundo corporativo enfrenta um paradoxo. Nunca houve tanta informação disponível, e nunca foi tão difícil sustentar clareza estratégica. A natureza resolve esse paradoxo por meio de princípios simples e sofisticados ao mesmo tempo: interdependência, diversidade, redundância inteligente e adaptação constante. Não são conceitos românticos. São mecanismos de sobrevivência evolutiva.

Ao completar oito anos, o Ekôa se consolida, portanto, como um dos poucos territórios no Brasil que aplicam biomimética à gestão de forma estruturada, personalizada e mensurável. Essa consolidação não é ponto de chegada: é responsabilidade ampliada.

Se quisermos organizações capazes de atravessar décadas — e não apenas ciclos econômicos — precisamos reaprender com quem já domina a arte da permanência. A natureza não trabalha para o próximo trimestre. Ela evolui para continuar por séculos.

Oito anos depois, nossa convicção é ainda mais firme: investir na conservação da natureza é investir em futuro. E transformar a biodiversidade em estratégia pode ser o movimento mais inteligente que uma empresa pode fazer neste século.

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