Economia PR - Recuperação de ativos abre espaço para liderança feminina

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Recuperação de ativos abre espaço para liderança feminina

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Foto: Divulgação

A recuperação de ativos veiculares ganhou relevância nos últimos anos com o aumento da inadimplência no crédito e a expansão das frotas de locação no Brasil. O crescimento desses mercados elevou a demanda por empresas especializadas em localizar e recuperar veículos vinculados a contratos de financiamento, aluguel ou disputas possessórias.

A atividade combina inteligência de dados, logística e conhecimento jurídico para atender bancos, financeiras, locadoras e outros agentes do mercado de crédito. Em um cenário de operações cada vez mais distribuídas pelo país, a eficiência na localização e recuperação dos ativos tornou-se um fator estratégico para reduzir perdas financeiras.

Nesse contexto, a paranaense Giulia Camila Ferreira, de 27 anos, fundou a C Ferreira Recovery e passou a atuar em um segmento historicamente ocupado por homens. Atualmente, coordena operações em diferentes estados brasileiros e participa diretamente da recuperação de cerca de 30 veículos por mês.

Nesta edição do Economia PR Drops, ela fala sobre os desafios de empreender em um nicho pouco convencional, a estrutura necessária para conduzir operações nacionais e as transformações que vêm impactando o mercado de recuperação de ativos. Confira:

O que te levou a entrar no mercado de recuperação de ativos veiculares, e por que você decidiu abrir sua própria empresa nesse segmento?

Giulia: A decisão real de empreender veio com a maternidade. Eu queria um negócio que me desse autonomia para acompanhar de perto o crescimento do meu filho. Foi aí que comecei a estudar a recuperação de ativos e a trabalhar na linha de frente. Meu marido foi meu maior apoiador desde o papel até a prática. Sempre tivemos um olhar muito focado em soluções estratégicas e, no dia a dia, vimos que o mercado de recuperação de ativos sofria com a falta de eficiência e de processos realmente ágeis. Então, abri a C. Ferreira Recovery porque entendi que dava para fazer diferente: criar uma empresa que unisse rigor técnico, inteligência e entrega rápida. Queria ter a liberdade de construir um negócio baseado na excelência, onde o cliente sabe que o patrimônio dele está em mãos extremamente profissionais.

Como funciona na prática o processo de recuperação de veículos e quais são as etapas envolvidas nessa operação?

Giulia: Nosso processo combina inteligência jurídica e agilidade em campo. Primeiro, começamos com o trabalho de inteligência para a localização do ativo. Depois, nossa equipe realiza a abordagem para recuperar o bem de forma rápida, segura e com todo respaldo legal. Por fim, o bem é recolhido para um pátio seguro e o cliente recebe o patrimônio de volta.

Você atua em um setor historicamente dominado por homens. Como é o dia a dia liderando operações nesse ambiente e quais barreiras você precisou superar?

Giulia: Sei que causo surpresa quando chego para liderar uma operação nesse meio, e a maior barreira sempre foi o julgamento inicial de que uma mulher não daria conta do recado. Mas o respeito a gente conquista no dia a dia. Mostrei que dá para manter a elegância e, ao mesmo tempo, ter o pulso firme e a coragem necessários para coordenar uma operação e ter êxito nas diligências. Hoje as barreiras ficaram para trás, porque contra resultados não há argumentos.

Como se estrutura logisticamente uma operação desse tipo em múltiplos estados? Quais são os principais entraves burocráticos e operacionais?

Giulia: A nossa estrutura em múltiplos estados funciona através de uma rede de equipes devidamente cadastradas na empresa e guinchos parceiros em pontos estratégicos, todos coordenados pela inteligência da matriz. O principal entrave burocrático é lidar com a lentidão do Judiciário e a burocracia de um estado para outro. No operacional, o maior desafio é a instabilidade de sinal e a logística de transporte seguro do veículo em regiões distantes.

Coordenar a recuperação de cerca de 30 veículos por mês em diferentes regiões do país exige muita organização. Qual foi o maior desafio de gestão que você já enfrentou?

Giulia: O maior desafio foi, sem dúvida, estruturar uma logística que funcionasse sem falhas à distância. Para manter a eficiência da C. Ferreira Recovery, precisei centralizar a nossa inteligência e criar processos extremamente rígidos. O maior desafio de gestão foi aprender a delegar o trabalho de campo para nossos prestadores em cada região, mantendo o controle estratégico de tudo daqui comigo. Coordenar essas operações significa gerenciar imprevistos simultâneos. Isso exigiu muita cabeça fria para estruturar.

Como está o mercado de recuperação de ativos veiculares no Brasil hoje? Há tendências regulatórias ou econômicas que vêm impactando o setor?

Giulia: O mercado de recuperação de ativos vive um momento de altíssima demanda, impulsionado por duas realidades. Carros locados: o brasileiro trocou a compra pelo aluguel e, com frotas gigantescas nas ruas, os casos de inadimplência e apropriação indébita dispararam, tornando as locadoras as maiores demandantes do setor. Juros e inadimplência: o crédito caro aumentou os atrasos nos financiamentos, forçando os bancos a agirem com urgência para frear os prejuízos. Resumindo: o volume de ativos é enorme e exige mais tecnologia, cruzamento de dados e inteligência logística.

O que você gostaria que outras mulheres que querem empreender em nichos pouco convencionais aprendessem com a sua trajetória?

Giulia: Eu diria que, com dedicação, profissionalismo e persistência, é possível construir uma trajetória de sucesso em qualquer segmento. Domine o assunto. O conhecimento é o maior escudo. Não faça tudo sozinha, pois o negócio só cresce quando você foca na estratégia, não no cansaço. Vá com medo mesmo e deixe o resultado falar mais alto do que qualquer preconceito.

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