De acordo com os dados calculados para a 33ª edição do Índice de Confiança Robert Half (ICRH), a Região Sul registrou a menor taxa de desemprego qualificado do país com 1,7% no quarto trimestre de 2025. O índice engloba indivíduos a partir de 25 anos com diploma de ensino superior completo atuando no setor privado e consolida a região no topo da empregabilidade nacional.
Esse percentual posiciona o mercado de trabalho sulista em uma condição de pleno emprego técnico absoluto para esse segmento. Em termos comparativos, a taxa de desocupação de profissionais qualificados no cenário geral do Brasil fechou o mesmo período em 2,5%, o que já representava o patamar mais baixo do histórico nacional para a categoria.
A escassez de talentos disponíveis força as organizações locais a adotarem estratégias de retenção muito mais agressivas. Nesse cenário de alta concorrência, o investimento em salários elevados e em uma gestão otimizada de despesas corporativas voltada para o bem-estar dos colaboradores torna-se indispensável para segurar os melhores profissionais nas empresas.
Disparidades regionais no mercado de trabalho
A pesquisa realizada pela Robert Half mapeia a distribuição desse apagão de mão de obra especializada e evidencia a forte distância entre as regiões do país. Enquanto o Sul lidera o isolamento de profissionais disponíveis, outras localidades enfrentam dinâmicas ligeiramente distintas.
O ranking da desocupação para graduados no encerramento do trimestre ficou desenhado da seguinte forma:
- Sul: 1,7%
- Centro-Oeste: 2,1%
- Sudeste: 2,7%
- Nordeste: 2,9%
- Norte: 3,2%
O forte aquecimento econômico nas capitais e polos industriais do Sul faz com que os departamentos de Recursos Humanos enfrentem desafios severos de atração.
Com apenas 1,7% de profissionais com nível superior disponíveis no mercado local, as companhias precisam investir de forma dinâmica em pacotes de benefícios personalizados e flexibilidade de atuação para evitar a perda de talentos estratégicos para a concorrência.
Paraná: menor taxa de desemprego da história reforça aperto no mercado
No Paraná, o quadro também é de forte aquecimento do mercado de trabalho. O estado encerrou 2025 com taxa de desemprego de 3,6%, a menor da série histórica, e fechou o 4º trimestre em 3,2%, segundo a PNAD Contínua divulgada pelo IBGE e compilada pelo governo federal.
Na média anual de 2025, a desocupação no estado ficou 2 pontos percentuais abaixo da média nacional (5,6%), com registro de 3,3% para homens e 3,9% para mulheres.
A taxa composta de subutilização da força de trabalho — que inclui desocupados, subocupados e força de trabalho potencial — atingiu 9,2% em 2025, o melhor resultado desde o início da série em 2012.
Além da desocupação em nível historicamente baixo, o Paraná também ampliou sua base de trabalhadores com ensino superior completo, o que reforça a disputa por profissionais mais qualificados em um ambiente de escassez de talentos.
O cenário é sustentado por forte geração de vagas formais. De janeiro a maio de 2025, o estado abriu quase 85 mil novas vagas com carteira assinada, sendo o 3º que mais gerou empregos no Brasil e 1º no Sul, com o setor de serviços liderando o saldo, seguido por indústria e construção civil.