Economia PR - A nova evolução do sistema de Core Banking

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A nova evolução do sistema de Core Banking

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Foto: Divulgação

Por Sergio Favarin, Business Vice President da GFT Technologies no Brasil

Poucas tecnologias foram tão determinantes para a evolução do mercado financeiro quanto os sistemas de Core Banking.

Durante décadas, eles sustentaram a expansão dos bancos, garantindo segurança, processamento de transações em larga escala e confiabilidade operacional em um ambiente onde a disponibilidade nunca foi opcional. Porém, o contexto mudou.

O surgimento de ecossistemas digitais, a consolidação de modelos de negócio orientados por dados, a popularização de meios de pagamento instantâneos e a ascensão da inteligência artificial estão impondo uma nova dinâmica ao setor. Hoje, a principal discussão já não é substituir o legado, mas preparar o núcleo bancário para evoluir continuamente.

Essa transformação ocorre em um momento em que a tecnologia deixa de ser apenas suporte operacional para se tornar um elemento estratégico da competitividade. Segundo um estudo, a Inteligência Artificial (IA) Generativa poderá adicionar entre US$ 2,6 trilhões e US$ 4,4 trilhões em valor econômico anual à economia global.

No setor financeiro, esse potencial se traduz em ganhos expressivos de produtividade, automação de processos complexos, gestão de riscos e personalização de serviços.

A nova geração de aplicações baseadas em IA, especialmente modelos agênticos capazes de atuar de forma autônoma e coordenada, exige infraestruturas muito mais flexíveis, integráveis e escaláveis do que aquelas concebidas para a realidade bancária de décadas atrás.

Nesse cenário, a dicotomia entre legado e cloud native tende a perder relevância. A experiência mostra que modernizar não significa necessariamente abandonar plataformas consolidadas, incluindo ambientes de mainframe que continuam oferecendo níveis excepcionais de segurança, resiliência e capacidade de processamento.

O desafio está em transformar aplicações monolíticas em arquiteturas mais abertas, modulares e orientadas a serviços, capazes de incorporar inovação contínua sem comprometer a estabilidade operacional. Em vez de uma ruptura, o que vemos é uma evolução arquitetural.

As tecnologias nativas na nuvem desempenham papel central nessa jornada. O uso de containers, microsserviços, automação de infraestrutura e práticas modernas de desenvolvimento permite que bancos atualizem aplicações de forma incremental, acelerem ciclos de entrega e integrem novos serviços com muito mais agilidade.

Essa flexibilidade é especialmente importante em um ambiente regulatório dinâmico e em um mercado onde novas demandas surgem em ritmo acelerado. A modernização deixa de ser um projeto com início, meio e fim para se tornar uma capacidade permanente da organização.

O sucesso do PIX ilustra com clareza essa mudança de paradigma. O sistema brasileiro demonstrou que é possível operar uma infraestrutura financeira crítica em escala massiva, com alta disponibilidade, baixo custo e capacidade de evolução contínua.

Mais do que um novo meio de pagamento, o Pix tornou-se uma referência internacional de como tecnologia, regulação e inovação podem trabalhar juntas para ampliar a inclusão financeira, reduzir fricções e criar oportunidades para companhias e consumidores. Seu sucesso reforça uma lição importante: a inovação sustentável depende de plataformas preparadas para crescer e se adaptar constantemente.

Outro elemento cada vez mais relevante nessa transformação é o open source. O que começou como alternativa para redução de custos evoluiu para um modelo estratégico de inovação colaborativa.

Ao permitir interoperabilidade, evitar dependência excessiva de fornecedores específicos e acelerar o desenvolvimento tecnológico, o código aberto tornou-se um dos principais catalisadores da modernização financeira.

Não por acaso, pesquisas mostram que 93% dos líderes bancários que adotam open source relatam melhoria na qualidade do software, enquanto 87% afirmam obter ganhos concretos de valor para o negócio. Em um ambiente marcado pela necessidade de inovação contínua, liberdade tecnológica e escalabilidade deixaram de ser diferenciais para se tornarem requisitos essenciais.

Naturalmente, essa evolução também amplia os desafios de segurança. Quanto mais inteligentes e distribuídas se tornam as aplicações, maior a necessidade de governança e proteção.

Um levantamento projeta que, até 2028, metade dos esforços corporativos de resposta a incidentes de cibersegurança estará concentrada em aplicações personalizadas baseadas em inteligência artificial.

A recomendação da consultoria é clara: segurança deve fazer parte da estratégia desde o primeiro dia dos projetos de IA e modernização tecnológica. A confiança continuará sendo um dos ativos mais valiosos do setor financeiro.

O futuro do Core Banking será definido menos pela tecnologia utilizada e mais pela capacidade de adaptação que ela proporciona.

Em um mercado impulsionado por IA, hiperpersonalização, pagamentos digitais e novos modelos de negócios, as instituições que prosperarão serão aquelas capazes de modernizar continuamente suas plataformas centrais.

O verdadeiro objetivo não é escolher entre legado e cloud native, mas sim construir uma arquitetura preparada para evoluir tão rapidamente quanto as expectativas dos clientes, as exigências regulatórias e as oportunidades de inovação que surgirão nos próximos anos.

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