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Da criação à fábrica: como a IA está redesenhando a indústria da moda

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Foto: Divulgação

A possibilidade de reduzir o tempo em rotinas de produção e criação, diminuir custos, aumentar a precisão e elevar a produtividade em diferentes etapas do processo fabril fez com que a inteligência artificial conquistasse espaço rapidamente na indústria da moda. Esse avanço vem impulsionando empresas a reorganizar suas operações, integrar novas ferramentas e desenvolver processos mais alinhados às oportunidades oferecidas pela tecnologia.

O movimento acompanha uma transformação global do setor. Segundo o relatório The State of Fashion 2025, da McKinsey em parceria com o The Business of Fashion, 75% dos executivos da indústria da moda afirmam estar priorizando o uso de inteligência artificial em áreas como previsão de demanda, otimização de estoques e controle de custos.

Além disso, a tecnologia generativa já começa a ser aplicada em atividades como criação de imagens, produção de conteúdos, personalização da experiência do consumidor e desenvolvimento de produtos. 

Na AKR Brands, grupo paranaense responsável pelas marcas King&Joe, King&Joe Play e K&J Black, a inteligência artificial já faz parte da rotina operacional para apoiar decisões, organizar processos e tornar a produção mais eficiente.

Após testar a tecnologia na criação de campanhas publicitárias e no desenvolvimento de materiais visuais, a companhia identificou que a IA traz ganhos importantes em velocidade, experimentação e geração de ideias.

Em projetos que exigem alto nível de fidelidade visual, porém, a etapa de refinamento das imagens ainda demanda uma atuação humana especializada, reforçando que a tecnologia funciona melhor como uma ferramenta de apoio à criatividade. 

A experiência do grupo também contribuiu para identificar os contextos em que a IA entrega maior valor e aqueles em que a combinação entre tecnologia e conhecimento humano produz os melhores resultados. Esse aprendizado vem orientando a evolução dos processos e das estratégias criativas da marca.

Segundo o CMO da companhia, Flávio Gonssa, a utilização da IA em campanhas publicitárias exigiu um novo tipo de olhar e uma abordagem diferente, em relação a processos que já aconteciam há bastante tempo de outras formas.

Ela pode ajudar a ganhar tempo e garantir muito mais precisão e análise correta de dados, em diversos outros processos, no entanto, ela demanda um cuidado extra em processos que envolvam detalhes, ajustes finos e que impactam em representações diretas de produtos ou texturas mostradas no resultado final.  

Apesar disso, Gonssa reforça que a tecnologia desempenha um papel estratégico quando aplicada às áreas certas.

“No ambiente industrial, a IA tem um enorme potencial para gerar valor. Ela permite analisar dados de produção, identificar gargalos, prever demandas, reduzir desperdícios e apoiar decisões mais rápidas e assertivas. Isso torna a operação mais eficiente e competitiva, sem substituir a experiência e o conhecimento das equipes. O maior erro é enxergar a inteligência artificial como uma solução para tudo. Ela é uma ferramenta extremamente poderosa, mas seus melhores resultados surgem quando trabalha em conjunto com a inteligência humana.” 

Para o executivo, o futuro da indústria da moda passa pela combinação entre tecnologia e experiência humana.

“Quem conseguir equilibrar automação com criatividade, análise de dados com sensibilidade e tecnologia com conhecimento técnico terá uma vantagem competitiva muito maior. A IA veio para potencializar o trabalho das pessoas, não para eliminar aquilo que depende da percepção humana”. 

Essa visão acompanha um movimento crescente da indústria brasileira, que tem investido em tecnologias capazes de tornar a produção mais eficiente sem abrir mão da qualidade,  um fator cada vez mais decisivo para empresas que atuam no mercado B2B e precisam responder com agilidade às demandas dos clientes.

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