Economia PR - PR é o único estado do Sul sem Terminal de Uso Privado

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PR é o único estado do Sul sem Terminal de Uso Privado

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Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná

O Paraná é hoje o único estado da região Sul sem nenhum Terminal de Uso Privado (TUP) em operação, enquanto Santa Catarina e o Rio Grande do Sul avançam com projetos bilionários de novos terminais privados. Levantamentos de entidades ligadas ao setor produtivo apontam que, no Paraná, cerca de 92% das operações portuárias ainda ocorrem em estruturas públicas e áreas arrendadas.

Segundo o superintendente da FIEP, João Arthur Mohr, no Brasil cerca de 58% das operações portuárias estão concentradas em terminais privados e 42% em estruturas públicas.

“No Paraná, a relação seria praticamente inversa: apenas 8% em terminais privados e 92% em estruturas públicas e áreas arrendadas”, afirma João Arthur Mohr.

Entidades defendem novos terminais privados no PR

Superintendentes e o presidente das três maiores entidades ligadas ao setor produtivo do estado (FIEP, FAEP e Fecoopar) são unânimes em defender a criação de novos terminais privados para ampliar as alternativas de escoamento pelo Paraná.

Nelson Costa, superintendente da Federação e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Fecoopar), avalia que, além do investimento já programado no Porto de Paranaguá, a prioridade deve ser a construção de novos portos. Ele cita os projetos do Porto de Guará, do Porto de Pontal do Paraná e do Porto de Itapoá, em Santa Catarina, como alternativas para o setor.

“Nós precisamos ampliar a oferta de portos para embarque, isso é fundamental. Faz com que haja uma competição entre os próprios terminais, o que ajuda a reduzir o custo de logística”, defende Nelson Costa.

O presidente do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Ágide Eduardo Meneguette, afirma que, se pudesse priorizar um único investimento estruturante para o litoral paranaense, seria o aumento significativo da capacidade portuária.

“O gargalo das exportações é extremamente limitante para qualquer desenvolvimento dos negócios. Na ponta final, o processo tem que fluir”, defende o presidente da FAEP.

Avanço nacional dos TUPs

Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) mostram que a participação dos terminais privados no Brasil é ainda maior quando considerada a movimentação de cargas: cerca de 65% da movimentação portuária nacional ocorre atualmente em TUPs.

Para a agência, os terminais privados são estratégicos para ampliar a capacidade logística, atrair investimentos e aumentar a competitividade brasileira no comércio exterior.

Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos formalizou 25 instrumentos contratuais relacionados a TUPs, envolvendo R$ 9,23 bilhões em investimentos privados. Desse total, sete novos contratos de adesão representam R$ 5,81 bilhões.

Santa Catarina prepara novos terminais

Em agosto, foi autorizada a entrada em funcionamento do TGSC (Terminal de Granéis de Santa Catarina), em São Francisco do Sul, dedicado à exportação de granéis agrícolas e com capacidade para movimentar até 6 milhões de toneladas por ano em sua primeira fase. A permissão foi concedida à Bunge Alimentos para operação do terminal.

Também está em fase de licenciamento ambiental o Porto Brasil Sul, que planeja se instalar na praia do Sumidouro, em São Francisco do Sul.

A Coamo, cooperativa paranaense e uma das maiores do agronegócio brasileiro, anunciou investimento de R$ 3 bilhões para construir um novo terminal portuário privado em Itapoá, no litoral Norte catarinense. O empreendimento terá três berços de atracação e capacidade prevista de 11 milhões de toneladas por ano.

A Coamo já utiliza o Porto de Paranaguá para escoar cerca de 5 milhões de toneladas por ano por meio de seus terminais, e decidiu criar uma nova alternativa logística em Santa Catarina.

“Quando analisamos as operações de grãos e farelos da Coamo e Bunge em Paranaguá, podemos perceber que juntos movimentam quase 7 milhões de toneladas de cargas, e, em breve, este mesmo volume será movimentado em seus terminais privados em Santa Catarina”, afirma João Arthur Mohr, da FIEP.

Além do novo empreendimento da Coamo, o Porto Itapoá já opera como Terminal de Uso Privado e vem passando por sucessivas ampliações. Santa Catarina também conta com a Portonave e outros terminais privados em seu sistema portuário. O Ministério de Portos e Aeroportos informou, em 2025, que o estado acumulava mais de R$ 5,3 bilhões em investimentos públicos e privados na infraestrutura portuária.

Em 2025, os portos catarinenses movimentaram 65,7 milhões de toneladas, crescimento de 4,78% em relação a 2024. São Francisco do Sul atingiu 17,5 milhões de toneladas, o Porto Itapoá movimentou 15,5 milhões e a Portonave, 10,8 milhões de toneladas.

Rio Grande do Sul também investe em TUPs

O Rio Grande do Sul segue caminho semelhante. Em Arroio do Sal, no litoral Norte gaúcho, está previsto o Porto Meridional, autorizado como Terminal de Uso Privado, com investimentos próximos de R$ 1,3 bilhão para movimentação de granéis sólidos, líquidos e gasosos, cargas gerais e contêineres.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, o projeto deve gerar mais de 2 mil empregos diretos e quase 5 mil indiretos.

Outro investimento de grande porte está relacionado ao Projeto Natureza, da CMPC. A expansão industrial da companhia exigirá a implantação de dois novos TUPs no Rio Grande do Sul, localizados em Rio Grande e Barra do Ribeiro, com investimentos estimados em aproximadamente R$ 1,4 bilhão. A estratégia gaúcha prevê ainda integração entre indústria, transporte hidroviário e terminais marítimos.

Competição pela carga do Sul

O contraste com os estados vizinhos não significa perda de importância do Porto de Paranaguá. O complexo portuário paranaense continua entre os maiores e mais eficientes do Brasil e vem registrando sucessivos recordes de movimentação e de investimentos.

O vice-governador do Paraná, Darci Piana, falou sobre o novo Porto de Pontal, que deve receber investimentos de R$ 6 bilhões. Segundo ele, ainda está sendo analisado em nível internacional qual empresa assumirá o novo porto.

“Ainda está sendo analisado em nível internacional qual a empresa que irá assumir o novo porto, que não será concorrente do Porto de Paranaguá e sim um complemento”, afirmou o vice-governador.

Ele afirmou ainda que, em função do calado de Pontal, de 18,5 metros, um dos maiores do mundo, o Paraná pode se tornar uma referência na América do Sul no transporte marítimo.

Especialistas ouvidos apontam que, enquanto Santa Catarina e o Rio Grande do Sul abrem espaço para novos terminais e bilhões de reais em capital privado, o Paraná precisa discutir como ampliar sua própria infraestrutura portuária.

“Já existem investimentos por parte de iniciativas privadas. De forma paralela, o setor do agronegócio tem cobrado as autoridades governamentais em relação aos investimentos públicos estruturantes condizentes com as necessidades futuras. A discussão está na mesa”, afirma o presidente da FAEP.

“Para o Paraná, portanto, a questão que se coloca não é apenas quanto o Estado movimenta hoje, mas quanto da expansão portuária e logística das próximas décadas será realizada dentro de seu território”, finaliza João Arthur Mohr, da FIEP.

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