O Centro de Curitiba voltou a ocupar posição de destaque no mercado imobiliário da capital. A região concentra a maior parte dos contratos recentes de locação residencial e comercial e é alvo de um dos maiores programas de revitalização urbana em curso na cidade.
Centro lidera locações residenciais e comerciais
Dados do Inpespar, integrante do Secovi-PR, mostram que o Centro respondeu por 11,9% dos contratos residenciais de locação efetivados em maio. No mercado comercial, a participação chegou a 26,8%.
Pacote de incentivos prevê até R$ 163 milhões até 2032
Paralelamente, o programa Curitiba de Volta ao Centro prevê até R$ 163 milhões em incentivos econômicos, fiscais e construtivos até 2032 para estimular retrofit de edifícios, recuperação de imóveis históricos, habitação e novas atividades econômicas na região central.
Em 2026, a Prefeitura regulamentou o pacote de incentivos e lançou o primeiro edital de subvenção econômica, com até R$ 30 milhões destinados à requalificação. Entre as medidas previstas estão reembolsos que podem chegar a 25% dos gastos elegíveis em intervenções de edifícios e a 50% em determinados projetos comerciais no térreo.
Especialista recomenda cautela na análise de investimento
O conjunto de iniciativas aumenta o interesse de moradores, proprietários e investidores pela região. Para André Soczek, CEO da Soczek Imóveis e corretor com mais de uma década de experiência no mercado de Curitiba, a revitalização precisa ser analisada com cautela quando o assunto é investimento imobiliário.
“Um projeto urbano dessa dimensão pode alterar positivamente a dinâmica de uma região, mas isso não significa que todos os imóveis do Centro passarão a ter o mesmo potencial. A valorização imobiliária continua sendo extremamente específica: depende do edifício, da quadra, do entorno e da demanda para aquele tipo de ativo”, afirma André Soczek.
Na prática, imóveis localizados a poucas quadras de distância podem apresentar comportamentos completamente diferentes.
Fatores que influenciam a valorização imobiliária
Segundo Soczek, entre os fatores que precisam ser avaliados estão estado de conservação, idade e estrutura do condomínio, custo de eventuais reformas, circulação de pessoas, acesso ao transporte, oferta de comércio e serviços, segurança, perfil dos futuros moradores e potencial de locação.
“O investidor não pode comprar simplesmente a narrativa da revitalização. Precisa entender se aquele imóvel específico está preparado para capturar essa transformação.”
Crescimento de compactos altera o perfil do mercado
O crescimento da oferta de compactos também adiciona uma nova camada à análise. No primeiro trimestre de 2026, cerca de 70% dos apartamentos verticais lançados em Curitiba eram compactos, e o Centro concentrou uma parcela importante dessa nova produção.
Esse movimento atende tanto mudanças no perfil de moradia quanto investidores interessados em locação tradicional ou de curta duração. Para André, a expansão da oferta exige atenção às diferenças entre os próprios empreendimentos.
“Quando muitos imóveis semelhantes chegam ao mercado em uma mesma região, fatores que antes pareciam secundários começam a determinar a performance: qualidade do prédio, gestão do condomínio, taxa condominial, facilidade de acesso, serviços no entorno e experiência de quem efetivamente vai morar ou se hospedar ali”, relata Soczek.
Imóveis antigos exigem análise técnica mais detalhada
O consultor também chama atenção para imóveis antigos, que podem ganhar novas possibilidades com os incentivos de retrofit, mas exigem análise técnica e financeira mais detalhada.
“Um edifício antigo pode carregar uma oportunidade muito interessante, especialmente em uma região em transformação. Mas o custo de atualização, as condições estruturais, o condomínio e a capacidade de adaptação a novos usos precisam fazer parte da conta desde o início”, explica.
Revitalização muda contexto, mas não substitui análise do imóvel
Soczek também enfatiza que o maior efeito da revitalização pode ser tornar o Centro novamente uma região considerada por diferentes perfis de compradores, sem eliminar a necessidade de seletividade.
“A transformação urbana muda o contexto. Ela não substitui a análise do imóvel. O investidor que conseguir separar a valorização da região da qualidade real de cada ativo tende a tomar decisões muito mais consistentes no longo prazo”, finaliza Soczek.