Apesar do crescente debate sobre diversidade e inclusão, o mercado corporativo ainda enfrenta um profundo déficit de conhecimento para lidar com a neurodiversidade.
Dados da pesquisa “Os Desafios da Neurodiversidade no Mundo Corporativo“, apresentados na terceira edição do HR First Class Paraná, com realização do Paraná Business e patrocínio máster da Safe Care, revelam que 63,8% das empresas reconhecem que suas lideranças estão pouco ou nada preparadas para gerir profissionais neurodivergentes.
Do total, 41,4% admitem pouca familiaridade e 22,4% declaram ausência total de preparo. Apenas 8,6% dos entrevistados consideram seus gestores plenamente capacitados e com treinamento contínuo.
A pesquisa aponta que, embora o fortalecimento da cultura organizacional seja reconhecido por 56,9% dos participantes como o principal benefício da inclusão, os obstáculos práticos travam o avanço. 32,8% das companhias afirmam que a pauta sequer entrou na agenda estratégica do negócio e 37,9% não possuem o tema no radar de atração e seleção.
Além disso, para 27,6%, a cultura ainda é pouco inclusiva e a ambiência inadequada, enquanto 20,7% apontam o baixo nível de informação como barreira direta para a tomada de decisão.
Transformação e oportunidade de negócios
Diante do cenário de despreparo, o HR First Class Paraná buscou provocar o setor produtivo a enxergar a neurodiversidade além da causa social, focando no potencial de inovação e resultados.
Para Marcos Scandelai, idealizador do HR First Class, a iniciativa busca dar a visibilidade que o assunto demanda.
“Entendemos que era o momento de colocar a neurodiversidade em evidência, um tema abrangente que ainda não tem no mercado a atenção necessária. Não tratamos apenas de aceitação, mas de pessoas com alto potencial produtivo quando direcionadas às áreas adequadas. Este evento é um divisor de águas por mostrar a inclusão como oportunidade de reconhecer talentos e gerar resultados. É um tema inovador para a região”, afirma.
Heloisa Garrett, presidente do LIDE Paraná e fundadora da Paraná Business, reforça a urgência de encarar a pauta de frente e o protagonismo do Estado.
“Trazemos à discussão um assunto do cotidiano que muitas vezes foi colocado embaixo do tapete. O Paraná é vanguarda e pulsa inovação, mas precisamos ampliar o cuidado com as pessoas. Quando entendemos como aproveitar o potencial desses profissionais, mantendo pessoas mais felizes nas empresas, todos ganham em engajamento e produtividade. Precisamos olhar para a neurodiversidade não apenas como causa social, mas como transformação para os negócios”, destaca.
Outros dados do levantamento
Nas empresas que já contratam profissionais neurodivergentes, 50% buscam uma diversidade cognitiva mais ampla. Entre as especificidades, 29,3% contratam profissionais com Transtorno do Espectro Autista (TEA), valorizando características como atenção aos detalhes e capacidade de concentração, enquanto 20,7% contratam profissionais com TDAH, especialmente por atributos associados a dinamismo e criatividade.
Apesar do avanço, ainda existem gargalos operacionais para consolidar essas iniciativas. O despreparo da liderança é apontado por 24,1% das empresas, seguido pela falta de informação (20,7%), pela necessidade de orçamento específico (15,5%) e pela ausência de métricas ou KPIs claros para acompanhar a evolução das ações (12,1%).