Escolher o destino, comparar passagens, definir onde ficar, analisar localização, preço e avaliações, organizar o deslocamento e calcular o horário de chegada. Antes mesmo de entrar no hotel, o viajante já passou por uma sequência de decisões.
Depois do check-in, outras escolhas podem surgir: como acessar o quarto, onde encontrar a senha do Wi-Fi, qual é o horário do café da manhã, como pedir ajuda ou o que é necessário fazer no checkout.
Separadamente, são questões simples. Somadas, ajudam a levantar uma discussão que também chega ao turismo: quanto esforço uma viagem deveria exigir do próprio viajante?
Um estudo publicado no Journal of Travel & Tourism Marketing analisou a fadiga de decisão durante o processo de reserva de hotéis em plataformas digitais. Os pesquisadores partiram de um ambiente marcado pelo excesso de informações e alternativas e investigaram os atalhos utilizados pelos viajantes para chegar a uma escolha.
A pesquisa identificou diferentes perfis de consumidores de acordo com a necessidade de chegar rapidamente a uma decisão e com o uso de elementos como avaliações, recomendações e imagens produzidas por outros usuários.
A discussão também aparece entre as tendências de viagem para 2026. No relatório anual da Hilton, a previsibilidade é associada à redução da fadiga de decisão e à busca por tranquilidade durante as viagens. Segundo o levantamento, 74% dos viajantes consideram valioso se relacionar com marcas hoteleiras que já conhecem e nas quais confiam.
Menos etapas não significam menos atendimento
Para Carolina Sniecikoski, gerente do bleev Curitiba, hotel da categoria econômica da HCC Hospitality, a discussão não significa simplesmente automatizar processos. O desafio está em identificar quais etapas podem ser eliminadas ou simplificadas sem deixar o hóspede desassistido.
“Acreditamos que o ideal é que quando o hóspede chega ao hotel, ele não precise aprender como o local funciona. Check-in, acesso ao quarto, Wi-Fi, café da manhã ou um pedido de ajuda precisam ser intuitivos. Simplificar a experiência não significa eliminar o atendimento, mas evitar etapas desnecessárias”, afirma Carolina.
Na prática, informações claras antes da chegada, sinalização compreensível, acesso fácil à internet, processos rápidos de entrada e saída e canais de atendimento fáceis de localizar podem parecer detalhes operacionais.
Para quem viaja, entretanto, esses pontos influenciam o tempo e a atenção necessários para lidar com a própria hospedagem.
A lógica também ajuda a colocar em perspectiva a digitalização do setor. Aplicativos, totens, QR Codes e sistemas automatizados podem facilitar a jornada, mas a presença da tecnologia, por si só, não significa que o processo tenha ficado mais simples.
“A tecnologia só simplifica quando realmente elimina uma etapa. Se o hóspede precisa baixar um aplicativo, criar uma conta ou descobrir sozinho onde encontrar uma informação básica, pode ser que apenas digitalizamos o processo sem necessariamente torná-lo mais fácil”, explica Carolina.
Simplicidade como parte da experiência
O bleev Curitiba foi inaugurado em janeiro de 2026 e possui 215 quartos. O empreendimento adota processos simplificados em diferentes etapas da jornada do hóspede.
Para Carolina, a discussão passa menos pela quantidade de serviços disponíveis e mais pela facilidade de utilizá-los.
“Existe uma diferença entre oferecer menos e exigir menos do hóspede. Uma experiência simples é aquela em que as coisas funcionam de maneira intuitiva e, quando surge uma necessidade fora do padrão, existe alguém disponível para ajudar”, conclui.