O Paraná foi o 4º estado que mais vendeu veículos leves eletrificados no Brasil em agosto de 2026, com 3.896 unidades, o equivalente a 6,8% do total nacional. No mesmo mês, o país comercializou 57.386 unidades.
Curitiba aparece como a 5ª cidade que mais vendeu, com 1.521 unidades (2,7%). Já a região Sul ocupa o 3º lugar entre as regiões, com 10.058 unidades (17,5%).
Frota de eletrificados se aproxima de 1 milhão no país
A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) informou que o Brasil chegou a 950.183 veículos eletrificados em circulação até agosto de 2026. O número considera modelos 100% elétricos e diferentes categorias de híbridos.
De janeiro a agosto de 2026, o país emplacou 328.477 unidades de eletrificados leves. O volume é 160,5% superior ao do mesmo período de 2025 (126.071) e equivale a 34,6% de toda a série histórica.
Somente em agosto, foram comercializadas 57.386 unidades. O resultado representa alta de 2% sobre julho (56.074) e de 184% sobre agosto de 2025 (20.222).
Infraestrutura de recarga não acompanha a expansão
Segundo a ABVE, o Brasil dispõe de 25 mil pontos públicos e semipúblicos de recarga para cerca de 506 mil veículos plug-in. A proporção é de aproximadamente 20 veículos por ponto, um déficit que ainda precisa ser superado.
Nesse cenário, soluções improvisadas de recarga podem colocar em risco as baterias, as instalações elétricas e os próprios veículos.
Recarga em tomada doméstica deve ser exceção
O engenheiro eletricista Andrey Nikollas Bucko, da PSMR, fabricante de tecnologias voltadas às instalações elétricas, alerta para os riscos do carregamento residencial.
“O carregamento de um carro elétrico em uma tomada doméstica deve ser uma última alternativa, e não a solução principal para o dia a dia. Carregadores domésticos podem causar superaquecimento e incêndios, até porque a infraestrutura elétrica residencial nem sempre está preparada para suportar a demanda de energia. Os carros elétricos necessitam de estações próprias, pois trabalham com correntes altas”, afirma Bucko.
Segundo o especialista, uma oscilação de energia pode danificar os componentes internos do carregador do veículo. Flutuações na tensão elétrica podem levar à falha prematura dos circuitos.
Uma sobrecarga também pode ultrapassar o carregador e atingir a bateria e a parte eletrônica do automóvel. A bateria tem alto custo de substituição. Em caso de sobrecarga, a vida útil pode ser reduzida ou, em situações mais graves, o funcionamento do veículo pode ser comprometido.
DPS é recomendado para quem depende de tomada residencial
Bucko ressalta que, para quem não tem outra opção, é fundamental proteger a instalação elétrica com um Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS). O equipamento protege tomadas e aparelhos conectados contra picos de energia e descargas atmosféricas.
“O DPS funciona como uma barreira que detecta a sobretensão e a desvia rapidamente, impedindo que a alta tensão chegue aos equipamentos. Os DPS são a última linha de defesa”, explica Bucko.
Existem três classes de DPS (Classe 1, 2 e 3), que se diferenciam pelo nível de proteção. O de Classe 1 é geralmente instalado na entrada da rede elétrica e tem a maior capacidade de absorção de surtos.
Sua principal função é descarregar o excesso de potencial elétrico para o sistema de aterramento. Assim, o dispositivo ajuda a mitigar os efeitos de descargas atmosféricas, oscilações na rede e picos de energia, permitindo que apenas a tensão adequada chegue aos equipamentos.
A PSMR informa que sua linha de DPS é normalmente aplicada em quadros de distribuição.
“É um valor muito baixo quando comparado ao custo de bens de alto valor, como um carro elétrico”, destaca Bucko.
Incêndios ligados a instalações elétricas cresceram em 2025
Em 2025, o país registrou crescimento aproximado de 10% no número de incêndios em relação a 2024, associados a fatores estruturais e operacionais de risco nas instalações elétricas [CONFIRMAR: o dado é do Anuário da Abracopel?].
O Anuário da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) aponta que os episódios refletem falhas estruturais, ausência de manutenção e deficiência na aplicação das normas técnicas. Segundo a entidade, essas falhas resultam em perdas humanas e patrimoniais que poderiam ser evitadas.
Geografia da eletromobilidade
Estados que mais venderam veículos eletrificados leves em agosto de 2026:
1º: São Paulo, 14.982 (26,1%)
2º: Distrito Federal, 5.048 (8,8%)
3º: Minas Gerais, 4.293 (7,5%)
4º: Paraná, 3.896 (6,8%)
5º: Rio de Janeiro, 3.307 (5,8%)
Cidades que mais venderam veículos eletrificados leves em agosto de 2026:
1º: São Paulo, 5.162 (9,0%)
2º: Brasília, 5.048 (8,8%)
3º: Belo Horizonte, 2.432 (4,2%)
4º: Rio de Janeiro, 1.672 (2,9%)
5º: Curitiba, 1.521 (2,7%)
Vendas por região em agosto de 2026:
1º: Sudeste, 24.010 (41,8%)
2º: Nordeste, 12.453 (21,7%)
3º: Sul, 10.058 (17,5%)
4º: Centro-Oeste, 8.162 (14,2%)
5º: Norte, 2.703 (4,7%)