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Gasto global com cibersegurança deve chegar a US$ 240 bi em 2026

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Foto: magnific

Os gastos mundiais com segurança da informação devem alcançar US$ 240 bilhões em 2026, segundo estimativa do Gartner. O valor representa alta de 12,5% em relação aos US$ 213 bilhões projetados para 2025. Serviços e softwares de segurança devem responder por cerca de US$ 214 bilhões do total.

Nesse cenário, os CISOs, executivos responsáveis pela segurança da informação, precisam conectar prevenção, proteção de identidades e chaves, monitoramento contínuo, infraestrutura resiliente e capacidade de recuperação.

Em outubro, mês de conscientização sobre cibersegurança, campanhas sobre senhas, autenticação e prevenção de golpes seguem essenciais. O principal desafio das empresas, porém, é manter o negócio funcionando quando uma invasão ultrapassa a primeira linha de defesa.

Camadas da resiliência cibernética

Uma estratégia moderna de resiliência cibernética é construída em múltiplas camadas, da identificação de riscos à recuperação de dados e de operações. Criptografia, gestão e soberania de dados também integram essas camadas.

Elas precisam estar articuladas aos planos de continuidade do negócio para reduzir os impactos de incidentes.

Prioridades de proteção e monitoramento de ameaças

Definir as prioridades de proteção exige conhecer os ativos críticos e as necessidades de cada empresa. Nas operações de segurança, esse conhecimento combina automação, inteligência artificial e análise humana especializada. O objetivo é responder à velocidade do novo cenário de ameaças.

“Acreditamos em um modelo de detecção e resposta gerenciada (MDR) que combina automação inteligente com proximidade ao cliente. Antes de implementar qualquer tecnologia, é preciso compreender o contexto do negócio, seus ativos críticos e desafios específicos”, diz Lucas Castro, CSO e diretor comercial da IT Protect.

O monitoramento também precisa alcançar ameaças externas, como fraudes e uso indevido da marca. Na abordagem da Teletex, a inteligência artificial é embarcada nas plataformas de segurança, observabilidade e infraestrutura da empresa. A função é identificar comportamentos, correlacionar eventos e antecipar problemas.

“A adoção de Cyber Threat Intelligence (CTI) permite monitorar fraudes, falsos domínios, uso indevido de marca, campanhas de phishing e vazamentos de dados. Por meio de operações de takedown e inteligência de fontes abertas (OSINT), é possível agir antes que ameaças externas causem impactos reputacionais ou financeiros”, explica Bruno Pereira, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Teletex.

Criptografia pós-quântica exige revisão da infraestrutura

Na proteção dos dados, o planejamento precisa considerar a capacidade de atualizar os mecanismos de segurança. É o caso da migração para a criptografia pós-quântica, que exige revisão da infraestrutura.

Para as empresas que terão de fazer essa mudança nos próximos anos, há uma oportunidade de reduzir a dificuldade de alterar a criptografia em muitos sistemas.

“A migração para a criptografia pós-quântica já vai exigir trabalho das empresas e isso representa uma boa oportunidade para revisitar a arquitetura, começar a planejar a criptoagilidade e preparar-se para um futuro em que as mudanças ocorrerão com mais frequência”, explica Rafael Silva, diretor da Futurex.

Recuperação e continuidade dos negócios

Preparar a retomada exige definir o que precisa voltar a funcionar primeiro.

“Segurança, identidade e recuperação são partes de uma mesma estratégia de resiliência. À medida que os ciberataques se tornam mais rápidos, mais sofisticados e cada vez mais imprevisíveis, as estratégias de recuperação precisam evoluir para acompanhar essa nova realidade”, diz Marcos Ferreira Gomes, diretor Brasil da Commvault.

A visão está relacionada ao conceito de ResOps (Resilience Operations). A abordagem integra pessoas, processos e tecnologias para antecipar riscos, responder a incidentes e acelerar a recuperação dos negócios.

Segundo o executivo, o conceito reforça a necessidade de conectar segurança, proteção de dados, recuperação, operações e governança em uma estratégia unificada.

Resiliência e governança da informação

Para Dirval Junior, diretor comercial da Zadara no Brasil, a resiliência cibernética precisa estar conectada aos objetivos de negócios e à governança da informação.

“Com os investimentos globais em cibersegurança alcançando centenas de bilhões de dólares, o grande desafio dos executivos deixou de ser apenas ‘comprar proteção’ para ‘alocar capital de forma eficiente’. Não se trata de gastar mais, mas de construir uma arquitetura em camadas que reduz o custo total de propriedade e transforma a segurança em um habilitador de novos negócios. Nesse cenário, o avanço da Inteligência Artificial traz um alerta crítico: existe um paradoxo em que a IA é indispensável para a competitividade, mas se tornou o novo vetor de risco para o vazamento de dados. Quando trazemos o conceito de Sovereign AI, mostramos que é possível inovar sem abrir mão do controle estrito e da jurisdição. Processar o dado na sua origem não é um mero detalhe de arquitetura, mas uma decisão de governança corporativa.”

Prazo de recuperação no setor financeiro

Os planos de continuidade também precisam prever como recuperar dados e aplicações se um incidente comprometer a disponibilidade. No setor financeiro, os prazos de recuperação ajudam a dimensionar o desafio da continuidade operacional.

Segundo análise da Everpure, baseada no estudo The State of Cyber Resilience, do Ponemon Institute, a recuperação de aplicações de missão crítica leva, em média, 12 dias após um incidente de segurança. O período é considerado incompatível com a manutenção das operações bancárias essenciais.

“O que muitos bancos ainda entendem como resiliência, recuperação de desastres e mecanismos de failover foi desenvolvido para indisponibilidades, não para ataques cibernéticos. Esse modelo já não funciona”, explica Douglas Wallace, diretor regional de Vendas da Everpure para a América Latina e o Caribe.

Colaboração entre CISOs e áreas de negócios

A recuperação depende dos dados preservados, e as prioridades de proteção dependem do conhecimento da operação. Essas relações ajudam a explicar por que a resiliência exige colaboração entre os CISOs e as áreas de negócios.

Outubro, mês da cibersegurança, é apontado como oportunidade para ampliar essa compreensão e incorporá-la às decisões de todos os meses.

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