Por André Bobek, fundador e CEO da Mhydas Planejamento Financeiro
O resultado do primeiro turno das eleições provocou reação imediata nos ativos brasileiros, com valorização do real e das ações de empresas do país negociadas no exterior, segundo André Bobek, fundador e CEO da Mhydas Planejamento Financeiro.
Para ele, o movimento indica que investidores passaram a considerar maior probabilidade de mudança na condução da política econômica a partir de 2027.
Bobek também avalia que o mercado está revisando para baixo parte do prêmio de risco associado ao cenário político. Ele ressalta que a reação é ao resultado do primeiro turno e não representa mudança estrutural consolidada.
“O primeiro turno trouxe uma resposta das urnas que foi interpretada pelo mercado como um sinal relevante de mudança no equilíbrio político do país. A reação imediata dos ativos brasileiros, com forte valorização do real e das ações de empresas brasileiras negociadas no exterior, demonstra que os investidores passaram a trabalhar com uma probabilidade maior de alteração na condução da política econômica a partir de 2027. É importante destacar que esse movimento não está relacionado apenas à possibilidade de troca no comando do Executivo, mas à expectativa de que um eventual novo governo tenha maior capacidade de avançar em uma agenda de responsabilidade fiscal, redução de incertezas e estímulo ao ambiente de negócios“.
“A queda do dólar e a alta expressiva das ações mostram que, neste primeiro momento, o mercado está revisando para baixo parte do prêmio de risco associado ao cenário político brasileiro. Quando há uma percepção de maior previsibilidade sobre os próximos passos da economia, o investidor tende a exigir menos prêmio para alocar recursos no país, o que pode favorecer tanto o câmbio quanto a bolsa e, em um segundo momento, contribuir para uma melhora das expectativas em relação aos juros. Ainda assim, é preciso cautela: estamos diante de uma reação ao resultado do primeiro turno, e não de uma mudança estrutural já consolidada. O comportamento dos ativos daqui para frente dependerá da evolução da campanha, das propostas econômicas apresentadas pelos candidatos e, principalmente, da capacidade de transformar expectativas em uma agenda fiscal e econômica sustentável”, afirma André Bobek.