Os primeiros cinco anos concentram algumas das decisões mais importantes para uma startup. Antes de escalar, o negócio precisa encontrar mercado, estruturar uma operação sustentável, formar equipe e ajustar a estratégia. Especialistas da HOTMILK, ecossistema de inovação da PUCPR, apontam 5 fatores que podem fazer diferença nesse período.
Por que os primeiros anos são decisivos para startups
Dados do Observatório Sebrae Startups, divulgados em abril de 2025, mostram que 56,56% das 18.458 startups cadastradas na plataforma não tinham faturamento. O cenário ajuda a dimensionar o chamado “vale da morte”, período em que a empresa busca receita suficiente para atingir o ponto de equilíbrio.
Para avançar, as startups precisam acessar conhecimento, desenvolver conexões e validar seus modelos de negócio. Também precisam encontrar parceiros e se aproximar de clientes e investidores. Os ecossistemas de inovação cumprem parte desse papel ao aproximar empreendedores de empresas, universidades e especialistas.
Ecossistema de startups no Brasil e no PR
O Sebrae Startups Report Brasil 2025 mapeou 22.869 startups até dezembro de 2025. O número representa alta de 26,7% em relação ao ano anterior. O Sudeste concentra a maior parcela, com 36% das empresas mapeadas.
No Paraná, o 12º Mapeamento das Startups Paranaenses, realizado pelo Sebrae/PR em 2025, identificou 2.457 startups. Desse total, 1.866 são formalizadas. O número é 39,7% maior que o do levantamento anterior.
A HOTMILK reúne startups, empresas, especialistas e comunidade acadêmica. O ambiente busca ajudar empreendedores a validar modelos de negócio, acessar conhecimento e encontrar oportunidades de parceria e mercado.
1. Validar o problema antes de escalar
A ideia precisa responder a uma necessidade concreta do mercado. Antes de ampliar equipe, operação ou investimento, a startup deve entender se o problema existe, quem pagaria por uma solução e quais características do produto importam ao cliente.
Conversas com potenciais consumidores, testes e primeiros resultados comerciais ajudam a construir essa resposta. O processo também pode levar a mudanças no produto, no público-alvo ou no modelo de negócio.
“Uma das dificuldades mais comuns nos primeiros anos é tentar crescer antes de entender completamente o problema que a empresa está resolvendo. A validação precisa acompanhar a evolução da startup, porque o contato com o cliente pode mostrar que a solução, o público ou até mesmo o modelo de negócio precisam ser ajustados”, avalia Aline Scarpin, gerente de inovação da HOTMILK.
2. Ter disciplina financeira e buscar sustentabilidade
Faturamento e crescimento não são, necessariamente, sinais de saúde financeira. Acompanhar fluxo de caixa, custos, margem e necessidade de capital ajuda a empresa a entender quanto pode investir e quando acelerar.
O levantamento do Sebrae aponta a dificuldade de alcançar o ponto de equilíbrio como um dos desafios do período inicial.
A captação de recursos também entra nessa conta. Investimentos podem viabilizar novas etapas da operação, desde que estejam ligados a objetivos claros e a um modelo capaz de sustentar a expansão.
3. Buscar mentoria e conhecimento especializado
O contato com profissionais que já passaram por situações semelhantes pode trazer referências para decisões sobre produto, vendas, gestão, posicionamento e estratégia. A mentoria também pode ajudar a identificar riscos e encurtar a curva de aprendizado dos fundadores.
Na HOTMILK, as startups têm acesso a uma rede de mais de 50 mentores, distribuídos em 11 áreas e 66 especialidades.
“Quando o fundador consegue conversar com alguém que conhece determinado mercado ou já enfrentou um problema parecido, ele passa a tomar decisões com mais referências. A mentoria não substitui a decisão do empreendedor, mas amplia as informações disponíveis para que ele consiga avaliar caminhos, riscos e oportunidades”, explica Aline.
4. Construir conexões fora da própria empresa
A aproximação com outras empresas, universidades, investidores, especialistas e empreendedores pode gerar novas perspectivas e abrir oportunidades de parceria, clientes e desenvolvimento.
O mapeamento mais recente do Sebrae/PR identificou 2.457 negócios no estado, em áreas como tecnologia, saúde, agronegócio, educação, varejo e indústria.
Na HOTMILK, a rede formada ao longo da trajetória do ecossistema já conectou mais de 6,5 mil startups a grandes empresas. As conexões aproximam negócios em diferentes estágios de organizações que podem contribuir com conhecimento, mercado, tecnologia e parcerias.
“Um especialista para uma dúvida específica, uma empresa para testar uma solução, um pesquisador para desenvolver uma tecnologia ou outro empreendedor para compartilhar uma experiência. Essas relações ajudam a aproximar o negócio do mercado”, afirma Aline.
5. Estar disposto a mudar de rota
O primeiro modelo de produto, público ou receita não precisa ser definitivo. Conforme a startup testa hipóteses e recebe respostas do mercado, novas informações podem indicar a necessidade de mudar prioridades ou redesenhar parte do negócio.
Essa adaptação passa por acompanhar indicadores, ouvir clientes e entender o que os resultados mostram. Em alguns casos, significa abandonar uma hipótese que não funcionou e direcionar recursos para outra oportunidade.